quarta-feira, 11 de abril de 2018

Segunda instância

— Isso não existe! Não pode acontecer! É contra a lei! Não existe pena máxima em segunda instância!

— Como assim? Você está defendendo a impunidade?

— Estou querendo saber se essa regra vale pra todo mundo!

— Sim, ela vale...

— Vale nada! Só vale contra um!

— Você está dizendo o quê? Tem um acordo contra só um lado? 

— Claro que tem! Você não viu e ouviu tudo que foi dito?


 — Não é assim também... Cada caso é um caso.

— É? Por que o outro caso não tem pena máxima em segunda instância e esse tem?

— Não sei te responder...

— Porque é ilegal! É por isso que você não consegue me responder!

— Você está muito exaltado. É algo difícil de provar.

— As evidências são claras! Elas estão aí! Todas!

— Não é tão simples assim. A gente tem que confiar nas nossas instituições.

— Não é tão simples porque você é partidário de um dos lados!

— Isso não me impede de ter bom senso.

— Impede sim! Você tem raiva da gente! Tem raiva do que a gente fez.

— Não é verdade.

— Você e a mídia estão contra a gente desde o início!

— Tem um complô da mídia também? 

— Não faça pouco do que eu estou dizendo! Você sabe! A mídia defende abertamente o seu lado.


— Há profissionais e profissionais. Não acho que seja assim.

— A maioria...
 

— Pode ser...

— ...

— ...

— Enfim, eu mantenho o que eu disse! As provas são irrefutáveis! 

— Eu concord.... Pera! O quê?! 


— As provas são irrefutáveis! Obviamente teve interferência externa na arbitragem!
Repito:  NÃO EXISTE PÊNALTI ANULADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA! 




quinta-feira, 30 de novembro de 2017

As razões do fracasso de Bielsa no Lille

Embora ainda esteja cercado de mistérios, tudo nos leva a crer que o casamento entre Lille e Marcelo Bielsa acabou. A enigmática "suspensão temporária" do treinador pelo clube francês talvez nunca seja explicada e as especulações neste momento de pouco nos ajudam. Fato é que se o time estivesse bem na tabela dificilmente os desentendimentos gerariam demissão, desquite ou qualquer coisa do tipo.

O que nos cabe aqui é tentar contextualizar e analisar o porquê de as coisas não terem caminhado como o esperado.  Vamos lá:

O projeto

O início do projeto do Lille começa com o desejo do empresário hispano-luxemburguês Gerard López de adquirir um clube de futebol na França. López que foi dono da equipe Lotus de Fórmula-1 escolheu o Lille e em janeiro de 2017 se tornou o novo proprietário do clube. O empresário, no entanto, não estava sozinho nessa: ao lado dele se encontravam o ex-treinador e professor de educação física Luis Campos, que funcionava como uma espécie de conselheiro esportivo, e Marc Ingla, que foi vice-presidente de marketing do Barcelona entre 2003 e 2007.

No que se refere ao futebol, López queria um estilo atraente e ofensivo de jogar, com atletas jovens e com potencial de revenda. Por isso, Marcelo Bielsa, amigo pessoal de Gerard López, foi cotado como primeiro nome da lista de treinadores desde o início. Houve o acerto, mas apenas para a temporada 2017-18, o que fez com que  Franck Passi, ex-auxiliar do argentino no Marseille, tocasse o Lille de fevereiro até o fim daquele campeonato. O time do Norte da França foi o 11º colocado e a expectativa para a nova temporada era de desempenhos melhores, com o clube lutando, quem sabe, por uma vaga na próxima Liga Europa ao menos.  

As chegadas e saídas

Com dinheiro para investir, Gerard López foi às compras na janela de transferências. Os alvos? Jogadores jovens observados e indicados em conjunto por Luis Campos, conselheiro esportivo do presidente, e Marcelo Bielsa. Ficou famosa inclusive a coletiva de Bielsa na qual ele disse ter analisado 15 partidas de 120 jogadores a fim de conformar o plantel do Lille para a nova temporada. Por meio desse trabalho chegaram:

- O goleiro Hervé Koffi, de 21 anos
- O goleiro Adam Jakubech, de 20 anos 
- O zagueiro português Edgar Ié, de 23 anos 
- O lateral-direito Kevin Malcuit, de 26 anos
- O lateral-esquerdo Fode Ballo-Touré, de 20 anos
- O volante Thiago Maia, de 20 anos
- O volante Thiago Mendes, de 25 anos
- O volante Soumaré, de 18 anos
- O atacante Nicolás Pepe, de 22 anos
- O atacante Luiz Araújo, de 21 anos
- O atacante Ezequiel Ponce, de 20 anos

Foram 11 chegadas de novos jogadores para o elenco principal, enquanto 11 atletas foram afastados por Marcelo Bielsa por não se enquadrarem no estilo de jogo que ele imaginava para o novo Lille: time intenso, veloz, com atacantes dribladores pelo lado, criadores pelo meio e atletas capazes de marcar individualmente por grandes períodos. Deixaram o clube:

- O goleiro Vincent Eneyeama, de 35 anos
- Os zagueiro Marko Baša, de 34 anos, e Stoppila Sunzu, de 28 anos 
- Os meio-campistas Palmieri, de 30 anos, Rio Mavuba, de 33 anos, Marvin Martin, de 29 anos, Éric Bauthéac, de 30 anos e Naim Sliti, de 25 anos
- Os atacantes Éder, de 29 anos, Junior Tallo, de 24 anos e Nangis, de 23 anos

Além desses, também foram negociados, em um misto de falta de vontade de mantê-los e necessidade de recursos financeiros para equilibrar o caixa, os seguintes atletas:

- O meia Xeka, de 23 anos, o lateral-direito Corchia, de 27 anos, e o atacante Nicolás De Preville, de 26 anos. 

Com as chegadas e saídas o Lille se tornou dono do elenco mais jovem das cinco ligas mais importantes da Europa:


Ou seja... Em linhas gerais, Bielsa rejuvenesceu o grupo com atletas de potencial muito maior do que os que lá estavam, mas que tinham um desafio gigante: chegar e jogar. 

Além de Luiz Araújo, Thiago Mendes e Thiago Maia estarem no primeiro ano de futebol europeu, Ballo-Touré veio do Paris St. Germain B, Edgar Ié estreava na liga francesa após passagem pela Espanha e Portugal e Ezequiel Ponce também tinha a primeira chance no país depois de trajetória apagada na Roma e no Granada.


O time inicial e o grupo de trabalho

Não bastassem as profundas mexidas no elenco e inexperiência no futebol francês dos recém-chegados, os remanescentes também teriam que se provar como titulares, já que a maioria foi banco no ano anterior. Logo na pré-temporada o time base foi mais ou menos definido da seguinte forma em um misto de 3-3-3-1 e 4-2-3-1:


Maignan
 (goleiro de 22 anos com 12 partidas na temporada 16-17)

Ié 
 (23, recém-chegado)   Amadou  (24, 41J em 16-17)   Alonso (24, 18J em 16-17)

Malcuit (26, recém-chegado)Thiago Mendes (25, recém-chegado) e Kouamé (20, veio do Lille B)


Benzia (23, 29 J em 16-17)

El Ghazi (22, 13 J em 16-17)    De Preville (26, 33 J em 16-17)  e Luiz Araújo (21, recém-chegado) 

No banco, a situação também não era muito diferente.  Entre os que mais entraram no time estavam:

- Ballo-Touré, 20 anos e recém-chegado
- Yves Bissouma, 21 anos e com 27 partidas na temporada anterior
- Faraj, 18 anos, recém-promovido
- Bahlouli, 22 anos e com cinco jogos na temporada anterior
-  Ponce, 20 anos e recém-chegado


Bom, com esse grupo, tendo De Preville, posteriormente negociado, o Lille obteve três vitórias, um empate e uma derrota (para a Atalanta) na pré-temporada. O time mostrou bom futebol em quase todas as partidas e por isso a confiança estava em alta para o Francês. 

Jogo a jogo: o que houve? 
(com vídeos do @pizarrabielsa)

- O primeiro jogo da temporada foi um delírio coletivo.  Escalado com Maignan; Ié, Amadou, Alonso;  Malcuit, Thiago Mendes e Ballo-Touré;  El-Ghazi, Benzia e Luiz Araújo; De Preville  o Lille fez 3 a 0 no Nantes de Cláudio Ranieri, com gols de Alonso, De Preville e El-Ghazi. O time ganhou a primeira página dos portais pelo grande futebol apresentado e Bielsa foi eleito o melhor técnico da rodada. Havia a expectativa por dias ainda melhores e bem....  Isso não ocorreu.

- Na segunda rodada o Lille pegou o modesto Strasbourg fora de casa. Aos 12 minutos Thiago Mendes se lesionou e teve que ser substituído por Bissouma, enquanto aos 19 minutos Malcuit, também lesionado, deu lugar a Thiago Maia.  O Strasbourg jogava melhor, principalmente pela direita do ataque, dando pesadelos para Ballo-Touré, que já tinha cartão amarelo. Bielsa então foi ousado: tirou o lateral ainda no primeiro tempo e colocou Kouamé, tendo feito as três substituições em 45 minutos de jogo. 

O zero permanecia no placar, mas aos 18 minutos do tempo complementar veio o duro golpe na ousadia do treinador: de maneira bem estúpida, o goleiro Mike Maignan atirou a bola na cabeça do atacante Strasbourg e foi expulso de forma direta.  Com um a menos e sem mais substituições, Bielsa mandou o atacante De Preville para o gol.  Ele até ia bem, mas aos 29 minutos um escanteio gerou o 1 a 0 para o Strasbourg. Precisando ir ao ataque, De Preville voltou para a dele como centroavante, enquanto Amadou foi para o gol. O Strasbourg fez mais dois e o Lille perdeu por 3 a 0.

- Na terceira rodada contra o Caen, um Lille, sem Thiago Mendes e Malcuit, foi muito mal e perdeu a segunda seguida: 2 a 0 para o adversário.

- Na quarta rodada, com o Angers, fora de casa, o desempenho foi ligeiramente melhor, mas depois de sair atrás no placar, o Lille foi buscar o empate com De Preville: 1 a 1. Foi o último gol do atacante com a camisa do clube, já que ele foi negociado com o Bordeaux no fechamento da janela de transferências. Ninguém veio para o lugar dele, o que provocou a instalação de Nicolás Pepe como novo comandante de ataque.

- Na quinta rodada, o adversário foi o Bordeaux, o time mais forte enfrentado pelo Lille até aquele momento. Thiago Maia, escalado como lateral-esquerdo, tomou dois amarelos em 32 minutos e foi expulso. Com um a menos, o Lille só se defendeu e até ficou feliz com o 0 a 0 ao apito final.

- Na sexta rodada, ainda sem Thiago Mendes, mas já com Malcuit, o Lille fez uma partida equilibrada e de poucas chances contra o Guigamp. O jogo caminhava para mais um 0 a 0, quando aos 47 minutos do segundo tempo Didot deu a vitória ao Guigamp em finalização desviada por Amadou no meio do caminho. Uma mostra de um entendimento do modelo de jogo veio nesse lance, por exemplo:

- Na sétima rodada, o Lille, com Thiago Mendes no banco, recebeu o poderoso Monaco, que nem sequer tomou conhecimento dos comandados de Bielsa:  4 a 0. A se destacar alguns bons momentos de construção ofensiva, como esse:
- Na oitava rodada o Lille viajou para pegar o Amiens e abriu o marcador antes dos 20 minutos, com Ballo-Touré. A queda da arquibancada onde estavam os fãs dos Dogues, no entanto, paralisou o jogo e a partida foi cancelada sem o resultado definido. 

- Na nona rodada o Lille fez diante do Troyes uma partida do nível daquela contra o Nantes, ou até melhor! Isso depois de sair atrás no placar aos 3 minutos de jogo. Subindo a ladeira, o time de Bielsa, empatou aos 12 minutos com Luiz Araújo

.....e virou o placar aos 29 do tempo complementar, com Thiago Mendes. 



A vitória parecia garantida, mas aos 47 do segundo tempo - de novo - o Lille cometeu um pênalti e o Troyes igualou por 2 a 2.

- Na décima rodada, um gol do Stade Rennais aos seis minutos de jogo condicionou o Lille a buscar mais um resultado e a equipe voltou a atuar muito mal. O 1 a 0 permaneceu e Bielsa e seus comandados entraram na zona de rebaixamento. 

- Quatro dias depois o Lille voltou a campo para estrear na Copa da Liga da França. Diante do Vallenciennes da segunda divisão a equipe fez uma partida de mediana para boa e desta vez abriu o placar! O adversário, no entanto, empatou.  Thiago Mendes recolocou o time em vantagem, mas - outra vez - um pênalti no último lance do jogo determinou a igualdade do Vallenciennes. A partida foi para a decisão por pênaltis e o Lille avançou.

- Na décima primeira rodada o adversário dos Dogues foi o Olympique de Marseille, justamente o ex-clube de Marcelo Bielsa. Aos cinco minutos de jogo, bola parada pra área e Sanson faz o 1 a 0 para o Marseille. O Lille mais uma vez passa uma partida buscando o empate. O jogo é bom, mas o gol não vem e os Dogues perdem de novo. 

- Na décima segunda rodada do Francês, o Lille enfrenta o lanterna Metz e enfim consegue a segunda vitória no campeonato. Pepé, duas vezes, e Bahlouli fazem os gols do time em uma partida de mediana para boa.

- Na rodada seguinte a reação segue: 3 a 1 contra o St. Etienne, com partida mediana e gols de Pepé, Thiago Mendes e Ponce. O Lille respira fora da zona de rebaixamento, mas acaba voltando pela combinação de resultados.

- Três dias depois a partida contra o Amiens é retomada, mas não com o 1 a 0 a favor dos Dogues que estava no placar na hora da suspensão e sim com um 0 a 0. Os dois times faziam um jogo equilibrado até que aos 36 minutos o Amiens abriu o placar. De novo o Lille teria que buscar um resultado.... De novo o time não conseguiu, perdendo por 3 a 0. Foi o último jogo de Bielsa comandando os Dogues.

Os erros

De uma maneira geral os erros do Lille sob o comando de Marcelo Bielsa foram erros de execução do modelo de jogo. Como visto nos vídeos acima, a equipe sabia o que fazer com a bola, se movimentava nesse sentido, mas quase sempre pecava na escolha do último passe ou na hora de finalizar para gol.

Já na hora de defender os atletas entendiam que deveriam fazer a marcação individual e não largar do adversário na fase defensiva, mas muitas e muitas vezes ou perdiam os duelos com os atacantes rivais ou se desligavam do jogo.

Pior: como o time saiu em desvantagem no placar em nove dos quinze jogos feitos com Bielsa - sofrendo gols nos primeiros SEIS minutos contra Caen, Troyes, Rennais, Marseille - os Dogues quase sempre tinham que quebrar defesas postadas muito atrás, já que após abrir o placar ninguém queria mais sair para o jogo. Isso resultou em um Lille que tinha uma das maiores posses de bola da Europa, mas que, por conta das dificuldades e erros no terço final, tinha pouquíssimas finalizações de qualidade e gols. 

Quando ainda conseguia se manter em igualdade ou em vantagem no placar, gols nos acréscimos vitimaram a equipe contra Guingamp, Troyes e Valenciennes...

Em suma: sistema de marcação deficitário, posse de bola inócua e vantagens cedidas ou nos primeiros ou nos últimos minutos de cada jogo. Dá pra notar como a zona de rebaixamento é justa para esse time. 

As causas


Primeiramente, há que se esclarecer o seguinte: Bielsa não muda e não se adapta. É sua maior qualidade e seu maior defeito. Por isso não há como debatermos se o técnico argentino poderia ou deveria adotar um estilo de jogo diferente, uma marcação por zona ou uma ideia mais pragmática de bola. Ele não o faria e não fará.

Ponto dois: se os atletas não executaram bem o modelo de jogo, os treinos foram ruins?  Pode ser, mas é difícil de acreditar. Na Argentina, no Chile, no Bilbao e no Marseille as ideias e os métodos de treinamento foram sempre os mesmos e com bons resultados de uma maneira geral. No Lille, El Loco repetiu isso, mas não obteve os êxitos de outrora. Vale ainda dizer que na pré-temporada a equipe foi bem e que a estreia contra o Nantes mostrou um time muito perto do imaginado.

Por tudo isso, a questão fica sobre os jogadores e as escolhas do treinador. Vale dizer que Bielsa referendou TODAS as contratações, ou pelo menos disse isso, então não estamos aqui para tirar a responsabilidade dele. Pelo contrário, a responsabilidade é toda dele de achar que atletas jovens, atletas recém-chegados e reservas do time da temporada passada poderiam fazer exatamente o que ele queria em alto nível. Por mais que os treinos fossem bons e Bielsa tenha se notabilizado por melhorar muitos jogadores, achar que Luiz Araújo estaria pronto para decidir no terço final no futebol europeu, que Benzia - atacante a carreira inteira - poderia ser camisa 10 de uma hora para outra e que o jovem Ballo-Touré sairia do time B do Paris St. Germain para ser titular absoluto do time é trabalhar com uma margem de erro gigantesca.

Da mesma maneira, escalar Thiago Maia como lateral-esquerdo (embora possamos entender que as áreas centrais estivessem com Amadou, Mendes e Benzia) e Pepe como centroavante é apostar demais em adaptações rápidas de jogadores jovens.

Com as derrotas a confiança cai, principalmente no grupo mais jovem das cinco principais ligas da Europa e não ter nenhum jogador já comprovado na carreira atrapalhou a remota possibilidade de alguém carregar o time nas costas em momentos difíceis. Talvez isso explique em parte porque tantos gols sofridos no começo e no final das partidas, mas esse é um chute no escuro...

De Preville, 26 anos e artilheiro do time, poderia ser esse cara, mas a diretoria o negociou com o Bordeaux na quinta rodada em condições bem estranhas; alegaram que o clube precisava de dinheiro, mas isso depois de gastos exorbitantes com Mendes, Maia e cia.  Thiago Mendes, aliás, foi o melhor jogador do período Bielsa, e o time teve seus piores jogos sem ele e Malcuit, outro atleta um pouco mais experiente.

A demissão e o climão

Se por um lado a demissão de Marcelo Bielsa não pode ser considerada injusta, por outro há que se ponderar se os motivos foram meramente esportivos. A história de que Bielsa viajou para a Argentina para ver o amigo que estava morrendo não se confirmou e por isso a versão mais aceita é de que houve um grande desentendimento de Bielsa com Luis Campos, consultor esportivo do dono do clube, Gerard López.  Campos já foi treinador e teria uma série de divergências com Bielsa em relação às escolhas de esquema tático, sistema de jogo e posicionamento de jogadores. Ou seja: briga de egos e vitória do homem mais próximo do presidente.

Como dito, essa não é uma versão confirmada, mas o fato de que João Sacramento, contratado antes da chegada de Bielsa e dispensado de suas funções pelo argentino no início da temporada, tenha se tornado um dos integrantes do corpo técnico temporário pode reforçar essa tese.

Teorias à parte, o Lille poderia ter insistido um pouco mais com Bielsa. Talvez dar a ele ao menos seis meses de competições, ou reforços mais parrudos na janela de janeiro. Digo isso não por consideração pessoal, mas sim porque o próximo treinador vai ter que assumir um grupo montado por Bielsa e para Bielsa com um estilo de jogo provavelmente bem distinto.  

domingo, 29 de outubro de 2017

Ida, volta e revolta; o Santos de 2013 para cá

26 de maio de 2013.  O atacante Neymar faz seu último jogo com a camisa do Santos no empate por 0 a 0 com o Flamengo.  Era a estreia do time no Campeonato Brasileiro 2013.

31 de maio de 2013.  O técnico Muricy Ramalho é demitido pelo Santos após a derrota por 2 a 1 para o Botafogo na segunda rodada do Brasileirão. A diretoria alega fim de um ciclo e necessidade de renovação após o título da Libertadores 2011 e campanhas medianas nos campeonatos nacionais de 2011 e 2012. O time da conquista continental, no entanto, já havia sido dissolvido há muito tempo com contratações questionáveis de Muricy tendo muito mais espaço do que a base ou jogadores ainda no auge. Eram os casos de Gerson Magrão, Marcos Assunção, Miralles, Ewerton Páscoa, Patito Rodriguez e Willian José.

Para o lugar de Muricy Ramalho a diretoria do Santos, então encabeçada por Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, decidiu implementar uma solução caseira. Assim, Claudinei Oliveira, comandante do sub-20 no título da Copinha 2013, foi o escolhido para encerrar o ano e preparar a terra para o próximo treinador. Com ele atletas da base tiveram um pouco mais de espaço, casos de Geuvânio, Alan Santos e Gustavo Henrique. Claudinei, no entanto, não agradou o suficiente para ficar e  Oswaldo de Oliveira chegou com o renome e o status por um bom trabalho com jovens no Botafogo.

Apesar do vice-campeonato do Paulistão, a passagem - e as declarações de Oswaldo - nunca encantaram os dirigentes do Santos, enquanto a insistência com Leandro Damião levou muitos fãs à loucura durante aquele período. Em setembro o treinador foi demitido e a diretoria buscou Enderson Moreira para tentar algo diferente na reta final da temporada. Saía o renome, chegava a novidade. Mesmo com o retorno de Robinho e alguns bons resultados, no entanto, o Santos foi eliminado na semifinal da Copa do Brasil e terminou o Brasileirão em nono lugar.

No início de 2015, Modesto Roma Júnior assumiu um Santos em frangalhos. Por conta do atraso no pagamento de salários, Mena, Aranha, Arouca e Leandro Damião deixaram a agremiação por via judicial sem render um único centavo ao Peixe. O presidente manteve Enderson Moreira, meio que a contragosto, até pela falta de recursos, mas a convicção não durou muito. Em março, Enderson já estava fora do Peixe sob a acusação de maltratar jogadores e desagradar às lideranças do elenco, como o atacante Robinho, por exemplo.

O caso pegou muito mal, mas foi a primeira demonstração da força dos jogadores sob essa gestão. Modesto Roma Júnior entendeu que o melhor seria ouvi-los e garantir o bom clima nos vestiários. Após o "ditador" Enderson, uma nova solução caseira, tal qual Claudinei Oliveira, foi efetivada: Marcelo Fernandes, sem nenhuma experiência como treinador, mas muito amigo dos jogadores. A aposta deu resultado e o Santos foi campeão paulista  nos pênaltis contra o Palmeiras. Só bom vestiário, no entanto, não garantiu os bons resultados, sobretudo com a saída de Robinho rumo ao futebol chinês e o Peixe caiu para a zona de rebaixamento. Depois do amigo da galera, era necessário apostar num trabalho de novo e Dorival Júnior foi contratado.

Inicialmente, sem grandes peças, o técnico escolheu a solução mais adequada para o momento e atletas à disposição: promoção de jogadores da base e contragolpe. Thiago Maia passou a ganhar chances, Zeca foi salvo de um iminente exílio nos Estados Unidos e com um Renato seguro e um lépido Lucas Lima acionando Geuvânio, Gabigol e Ricardo Oliveira, o Peixe foi vice-campeão da Copa do Brasil e sétimo colocado no Brasileirão. O estilo de jogo, no entanto, era reativo, baseado na velocidade e solidez defensiva.  

Para a temporada 2016 o Santos perdeu Geuvânio e o décimo segundo jogador Marquinhos Gabriel, enquanto as reposições para o ataque foram bem aquém do desejado. Coube a Dorival Júnior buscar na base, mais especificamente no time sub-23, o meia Vitor Bueno. O atleta, no entanto, não era um velocista nato e sim um meia aberto pelo lado, o que, aliado ao maior tempo de trabalho, permitiu ao técnico santista ir alterando aos poucos o estilo da equipe; saía a velocidade desmedida, chegava a criação com posse de bola.  Os laterais Zeca e Victor Ferraz passaram a ser incentivados a buscar o meio com a bola, enquanto Renato segurava a bronca de um lado e Maia do outro.  Dorival, no entanto, não contou com o mesmo Ricardo Oliveira de 2015 e ainda perdeu Gabigol para a Inter de Milão em junho.  

Para a vaga dele veio Copete, de qualidade técnica bem inferior. Ainda assim o Peixe se manteve extremamente competitivo.  Dorival passou a ousar mais também, com Renato recuando para terceiro zagueiro, Citadini entrando como único volante, Yuri ganhando chances como defensor, Longuine e Jean Mota se tornando opções vindas do banco... O Santos foi vice-campeão brasileiro e a expectativa era de que o modelo evoluísse ainda mais em 2017 com as chegadas de Bruno Henrique e de reservas mais qualificados. 

Dorival Júnior, no entanto, não contava com a queda vertiginosa de Ricardo Oliveira, Renato e Zeca, além de não imaginar que a direção daria carta branca para reclamações dos jogadores e cobranças da torcida organizada.  Resultado: demissão e efetivação de um novo amigo da galera.  Elano, acusado - embora sem provas - de ter feito a cama para a saída de Dorival, desfez tudo que o técnico anterior tinha aprontado. O estilo de toque de bola saiu de cena e voltou o contragolpe. A mudança fez muito bem ao Santos e foi mantida por Levir Culpi, outro comandante que valoriza o bom ambiente acima de tudo.  O número de folgas e rachões mais que dobrou, assim como as vitórias.  

O bom futebol, no entanto, estava longe... Na base dos milagres de Vanderlei e das grandes atuações de Bruno Henrique, o Santos se colocou como desafiante do Corinthians no Brasileiro e chegou às quartas de final da Libertadores. A segunda partida contra o Barcelona de Guaiaquil, porém, foi um dos piores momentos da passagem de Levir pelo Santos. Ali era necessário controle para manter o 1 a 1 conquistado fora de casa. Mas esse Santos não era o do controle, era um Santos que dava passos para trás na concepção de jogo. O contragolpe já havia sido superado no período Dorival, mas retornou e não voltou a ser questionado. É bem verdade que Levir não teve muitas peças para questionar esse jeito de atuar, mas a insistência no duo folga e rachão sequer fez alguma força nesse sentido. No entanto, digo que o objetivo aqui não é comparar técnicos, mas sim o processo. 

Levir foi demitido por atuações ruins do time dele, mas também pelo excesso de folgas, no que era uma tentativa de ter o grande ambiente acima de tudo. Agora, o Santos vai com Elano até o final do ano, mas precisa saber para onde quer ir a partir de 2018.

De 2013 para cá o clube fica indo e vindo em três direções no que se refere a treinadores: aposta, amigão dos jogadores e trabalho estruturado. A aposta Claudinei Oliveira foi testada e desaprovada, dando lugar a Oswaldo de Oliveira, que deveria fazer trabalho estruturado de longo prazo, como fez no Botafogo. A ele se seguiu a aposta Enderson Moreira, reprovada, e que deu lugar ao amigão da galera Marcelo Fernandes. Quando acabou o efeito bom clima, vem Dorival e o trabalho estruturado, mas ele é substituído por Levir Culpi, amigão da galera de novo. Quando ele não dá mais certo vem a aposta: Elano e assim vamos... 

Pela ordem a próxima escolha é pelo trabalho estruturado, mas é necessário que tal forma receba carta branca e total apoio da presidência. Enderson Moreira bateu de frente com os jogadores e perdeu... Dorival teve que aguentar torcida organizada no CT e reclamações públicas de Ricardo Oliveira sobre o clube, além do esfumaçado caso Elano. Já Levir foi demitido pela diretoria, mas segurado pelos jogadores... Ou seja, se o processo for mantido, quem é que escolherá o novo treinador? 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Saga FM: Rio Ave/Celta/Everton - Capítulo 7

Pegar um time na zona do rebaixamento era uma experiência nova para mim. Não porque sou muito bom ou qualquer coisa do tipo, mas sim porque normalmente estou no meio de tabela buscando algo mais. Bom, chegamos no Everton em dezembro de 2020 com o time no Z-3... Uma equipe com alguns bons valores como os atacantes Derlis González e Danny Ings, o meia Pizzi, o zagueiro Brooks, os laterais Seamus Coleman e Jonathan Silva, o meia Kishna  e o volante Alex Song, entre outros. Todos, no entanto, em péssima fase.... Nosso goleiro não era bom: o francês Baptiste Reynet

Bom, primeira coisa que fiz foi recriar o 3-3-1-3 do Celta, mas com algumas mudanças em relação ao desenho anterior... Os alas subiram para uma segunda linha. Os pontas viraram wingers com attack e no meio o camisa 10 passou a ser um enganche.  Lá atrás, decidi colocar um Libero, uma função que não usei ainda no Football Manager, mas que em tese desempenha o que queremos: um zagueiro da sobra capaz de avançar quando o time tiver a bola. Lendo na internet também vi que alguns fanáticos pelo FM conseguiram fazer funcionar o Inverted Wing Back no FM 16 com atletas de pés invertidos... Ou seja, mais do que Inverted Wing Backs canhotos na esquerda cortando pro meio, algo que a engine do jogo não faz, o que funciona é Inverted Wing Back canhoto pela direita e destro pela esquerda. O problema é treinar atletas para isso.... 

Bom, eu também busquei reforços no mercado, já que o time, apesar de capenga na tabela tinha cerca de 50 milhões de euros para gastar. A quantia aumentou ainda mais quando vendi o jovem Lewis Cook para o Arsenal por 60 milhões. Eu não queria abrir mão do meia, mas ele já ficou de bico quando recusei a primeira oferta. Com o dinheiro adquirido comprei: 

O meia Gylfi Sigurdsson, que no FM 16 não chegou a defender o Everton antes que o meu Everton chegasse nele. Na verdade ele veio de graça depois de deixar o Swansea. 


O winger Nacer Chadli veio do Tottenham por 1 milhão e 600 mil euros



O volante Ignacio Camacho trocou o Manchester City pelo Everton por 2 milhões e meio de euros e chegou acompanhado de Luciano Vietto, que estava encostado nos Citizens e que custou uma nota: 18 milhões e meio de euros! 

Já para o gol veio Steve Mandanda, que era banco do Marseille por causa da idade avançada.  Falando em idade avançada.... Antes de o Everton fazer isso na realidade eu trouxe de volta Wayne Rooney!  Mas para um rol secundário... Estamos em 2020 afinal! 


Bom, comprei também alguns jovens pro futuro, com especial destaque para o regen Josh Overson, centroavante do Aston Villa de 20 anos que chega ao clube por 13 milhões e meio de euros. 

Aos resultados:


Não está mal huh?!  Interessante ver o 3-3-1-3 funcionando!  Claro, as eliminações na Copa da Inglaterra, Copa da Liga e Liga Europa não foram legais, mas a prioridade era salvar o time do rebaixamento e nesse sentido as atuações de Sigurdssson e principalmente Vietto foram essenciais para essa arrancada. 




Com tudo isso, não só salvamos o Everton do descenso, como ainda conseguimos uma posição quase no meio de tabela: 


E o time da temporada foi esse - lembrando que metade do campeonato foi com o ex-treinador, Roberto Martínez e a formação dele:




Razoável não? Vejam os gols de Derlis González  e Vietto e a média de Sigurdsson! Foi mais ou menos isso o meu time. Na próxima temporada vamos tentar uma conquista de Copa! 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Saga FM: Rio Ave/Celta - Capítulo 6


Depois do sexto lugar no Campeonato Espanhol e em linha com o projeto do Celta quando da nossa contratação, iniciei a temporada 2020-21 com o objetivo de rejuvenescer o elenco e trazer jogadores de potencial que pudessem elevar o time de patamar num futuro próximo. 

Na última temporada já haviam chegado os regens Julian Angulo, ponta direita colombiano que veio do Santa Fe por 350 mil euros, e o zagueiro/lateral Jesús Lunari, que chegou do Newell's Old Boys gratuitamente. Ambos tinham avaliação de potencial quatro estrelas! 

Nessa temporada chegaram, na mesma linha de pensamento - e de regens - o centroavante Max Lambert Ekwalla, de 18 anos, que veio do Kadji Sport Academies de Camarões, o goleiro Troy Gouffran de 20 anos que veio do CS Sedan Ardennes da França e o turco Serhan Barutçu, volante de 20 anos que estava no Bursaspor e que chega por 675 mil euros. 

Esses jovens e outros que já estavam no time aguardando por mais oportunidades como o meia Alex Ubeira, o também meia Roberto Pérez e o zagueiro Ivan Goméz, ambos regens, devem formar os reservas do time, com a equipe que encerrou o ano passado sendo quase a mesma - sem Aspas que deixou o clube ao final do contrato por não termos ido à Liga dos Campeões -, mas com reforços de algum peso como:


Andreas Pereira! Meia que na realidade está no Valencia e que jogou no Granada na última temporada, mas que no FM veio de graça do Stoke City

Resultado de imagem para Vicente Iborra

Vicente Iborra, que enfim deixou o Sevilla no FM e que chega de graça ao Celta de Vigo! 


Sheyi Ojo, atacante de lado de campo que veio de graça do Liverpool, e Joel Ward, lateral inglês de 31 anos que estava no Everton, que joga nas duas e que será essencial para usarmos uma variação interessante com alas de pé invertido. 

Por outro lado deixaram o clube o lateral-direito Douglas, o atacante Beauvue, o goleiro reserva Blanco e o volante Sérgio Álvarez, homônimo do nosso goleiro. 

Decidi iniciar a temporada com o 3-3-3-1 que estava tentando aperfeiçoar. Lembrem-se: no papel era um 5-2-2-1, mas na movimentação ficava quase o que queríamos. Antes de iniciarmos a pré-temporada, no entanto, houve o anúncio de que o clube estava trocando de dono e que por isso não poderíamos mais contratar. Paciência...

Iniciamos os amistosos com 

Sérgio Álvarez  (SK-A) 

Ward (Inverted Wing Back - S), Héctor Herrera (BPD-Stopper), Amat (BPD-C), Lunari (BPD-Stopper)  e  Milton Casco (Inverted Wing Back - S) 

Radoja (Ball Winning Midfielder -S) e Andreas Pereira (CM-A) 

Drazic (IF-A)                                                        Perisic (IF-A)

Borja Bastón (TM-A) 


E os resultados da pré-temporada foram uma vitória por 3 a 2 contra o Everton, uma derrota por 3 a 1 para o meu ex-time, o Rio Ave, e uma vitória por 1 a 0 contra o Bilbao. Até que de repente.... 


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Pois é... De nada adiantou o meu sexto lugar na última temporada e ideias para essa... O novo dono do Celta, Jeremy Peace, decidiu me demitir e contratar Luciano Spalleti.  Fiquei pê da vida... Tantos planos, tanto tempo scouteando o mercado...  

Vida que segue.... Passaram-se quase cinco meses até que alguns clubes viessem atrás de mim.  O primeiro foi o Torino, que já havia me procurado no passado. A princípio me mostrei interessado, mas não houve acordo pois eles queriam jogar futebol defensivo e com contratações de peso e eu não queria isso.  Depois foi o Ajaccio da França, mas queriam futebol defensivo e de bola parada, enquanto no  Málaga, que estava na segundona espanhola estava tudo bonito: seria interessante devolver o time à divisão de cima e usar o grande orçamento para montar um time com jovens de potencial. No entanto, eles é que não quiseram... 

Até que veio o Everton! Enjaulado na zona do rebaixamento da Premier League e que enfrentava dificuldades desde que caiu para a Championship na temporada 16-17 (!!!!). Ainda assim era um clube rico e com as mesmas ideias de futebol que as minhas: 

- Jogar pra frente
- Contratar jovens
- Desenvolver jovens 
- Jogar com a posse de bola

Dessa vez houve acordo!  



Chegamos ao Everton na zona do rebaixamento com a missão de impedir um novo descenso na história do clube. Será que conseguiremos? 




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Uma explicação para o vareio do Galo contra o São Paulo

O vareio do Atlético Mineiro contra o São Paulo no primeiro tempo do jogo no estádio Independência merece atenção especial pela forma como se deu. Embora as teses sobre capacidade de Dorival Júnior, compromisso dos jogadores e outros tanto fatores extra-campo tenham sido reproduzidas, no campo bola, o que fez a diferença foi a intensidade do setor ofensivo do Atlético e as constantes trocas de posições do trio de frente com o apoio dos laterais. 

Em relação ao esquema tático, os dois times entraram da seguinte maneira:

O São Paulo no 4-1-4-1 usual e o AtléticoMineiro no 4-2-3-1. A diferença, no entanto, é que Robinho, apesar de inicialmente ser o meia armador central, caiu demais pela esquerda, enquanto Valdívia também foi por ali. Resultado: dois contra o lateral direito Éder Militão, que até se saiu bem, mas que precisava de auxílio.  Não poderia ser Marcos Guilherme, já que Fábio Santos também deveria ser vigiado, o que nos leva a apontar para Jonathan Gómez.  De fato ele poderia ajudar por ali, mas havia também a necessidade de tirar as subidas de Roger Bernardo. Entendo que o posicionamento de Petros era mais importante nessa questão.

De forma alguma estou falando em marcação individual e perseguições pelo campo fora do setor, mas do jeito que a partida foi sendo construída, Petros ficava entre as duas linhas sem ninguém para marcar. Em tese, seria o meia centralizado, mas Robinho caía para a esquerda quase sempre. Por isso Gómez corria de um lado para o outro sem achar ninguém.  Abaixo um dos melhores lances do Atlético, sempre trabalhando na entrelinha, e deixando o São Paulo perdido. 


Aqui Petros acabou cobrindo Gomez, que tinha ido dar combate no lado do campo.  O problema, é que o espaço entre as linhas ficou vazio e Petros, que normalmente estaria por ali, não estava em Valdívia.  No caso, a bola de Roger Bernardo foi para Robinho, que bateu para o gol obrigando Sidão a grande defesa. No rebote, Fred perdeu.



Já aqui, Cazares veio jogar junto com Robinho. Dois pelo mesmo lado, com Valdívia entrando nas costas da zaga e Robinho metendo bola primorosa. 

Aqui o contrário... Robinho cai para a direita e a bola vem no segundo pau para Valdívia chegar batendo.  

Houve muitas outras situações de dois meias pelo mesmo lado e inversão rápida de jogo, mas os melhores momentos do Globo Esporte.com nos limitam um pouco para chegar a frames táticos melhores. O ponto é: dupla pelos lados quebraram a marcação do São Paulo e inversões rápidas de jogo deixaram o sistema defensivo em parafuso. Não foi uma boa atuação do tricolor, mas os méritos do Galo para que isso ocorresse são inegáveis, bem como a intensidade e a "fome" colocada pelos atletas de Oswaldo de Oliveira no confronto em casa.

Por incrível que pareça, no entanto, o gol do Galo sai de uma cobrança de lateral. No entanto, mesmo neste lance é possível notar Cazares e Robinho próximos e Valdívia fazendo a diagonal.  



Difícil apontar como deveria ser a marcação neste lance, posto que não há impedimento no lateral. Acredito que o maior erro tenha sido a precipitação de Bruno Alves. Valdívia sem ângulo tinha muito menos chances de anotar, do que Fábio Santos na marca da cal

Depois do gol o São Paulo passou a trabalhar mais a bola - também com permissão do Galo, que baixou as suas linhas - e até teve chances de empatar. Pratto duas vezes parou em Victor e Jucilei no último lance demorou demais para girar e chutar.  É verdade também que o Atlético poderia ter feito o segundo, mas são riscos que o São Paulo precisava correr naquele momento.



sábado, 30 de setembro de 2017

A chuva ajudou Palmeiras e Santos


A chuva torrencial que caiu na zona oeste de São Paulo na noite deste sábado ajudou Palmeiras e Santos no clássico disputado na arena do alviverde. 

Graças ao grande volume de água e à drenagem ruim de um gramado recém-trocado, os dois times puderam assumir sem constrangimentos a prática de um jogo medíocre. Como a bola "não rolava", ninguém precisou se preocupar em tocá-la e desde o primeiro minuto os lançamentos foram aplaudidos com furor pela torcida única. 



Apostando no bicão pra frente e na gritaria por falta em qualquer escorregão, o Palmeiras tentou, mas não conseguiu fazer o fator casa valer na primeira etapa. No segundo tempo, porém, a pressão contra o Santos foi aumentando e o time alviverde passou também a apostar nos pedidos de pênalti em bolas cruzadas para a área.

Do outro lado, o Santos também fazia frente, queimando bolas para os lados do campo, mesmo sem possibilidades de Bruno Henrique chegar em nenhuma delas e reclamando muito do juiz. Ao todo foram 45 lançamentos e 42 cruzamentos (todos errados) do Palmeiras, contra 48 lançamentos e 9 cruzamentos do Santos, números que mostram a boa produção ofensiva dos dois times dentro de suas ideias. 



Há que se destacar também o grande desempenho do árbitro Marcelo Aparecido de Souza. Em meio ao risco de erros, choques e escorregões no gramado molhado, o juiz pensou na preservação dos atletas e controlou muito bem o jogo, apitando sempre que alguém caía no campo.Ao todo foram 40 faltas apitadas, o que permitiu que o jogo continuasse sem percalços. 

A vitória de 1 a 0 acabou punindo o Santos, que vê a distância para o Corinthians cair para sete pontos e que agora torce para o Cruzeiro não fazer frente ao rival. Do contrário, Levir Culpi e seus comandados serão cobrados para que disputem o campeonato e tentem o título.