quarta-feira, 19 de julho de 2017

Saga FM: Rio Ave - Capítulo 1


Aqui estamos novamente para falar do aniquilador de horas, tempo livre e paciência Football Manager 2016! Entender os porquês de ainda jogar esse negócio está nas minhas prioridades na sessão de terapia, mas por ora vamos nos ater ao concreto: depois de um save relâmpago com Swansea e Leicester, de um duradouro com o Marseille (no qual ganhamos a Champions League, mas só depois de um reload pra ver o efeito do maldito team talk), de um save de quatro temporadas com passagens por Heidenheim e Torino, decidi voltar.  

Prometi que não ia me estressar quando as coisas não viessem pro meu lado, mas será que consigo? 

Bom! A ideia era fazer um save com um time pequeno/médio. Um sem tradição, mas que também não tivesse dívidas, a fim de termos espaço para contratar e desenvolver jogadores. Escolhi Inglaterra, França, Espanha, Itália, Alemanha e Portugal para este save e dei random na escolha dos times até achar um que cumprisse os requisitos e me animasse. Eis que me deram o....

RIO AVE FUTEBOL CLUBE!

O clube português da pequena Vila do Conde, cidade de menos de 80 mil habitantes, abrigou o técnico Gabriel Dudziak, que balizou sua experiência e atributos de acordo com o clube (algo que não foi feito no meu save do Heidenheim e que ajudou a me arrebentar, imagino).

Na reunião com os diretores estabelecemos que o objetivo para a temporada 2015-16 era seguir mais ou menos a previsão da mídia e chegar na parte de cima da tabela. Além disso, pedimos para que fôssemos julgados com base em um estilo ofensivo de futebol!

Sem grandes recursos, entendemos que o melhor era mexer pouco no time e por isso definimos um perfil de jogadores para seguir conosco. A ideia era ter atletas rápidos, que trabalhassem para o time e que tivessem bons atributos para desarmar e jogar imediatamente. Assim, na nossa peneira, estabelecemos como critérios definidores: Workrate, Teamwork, Agression, Agility e Pace (perdão, pois não sei os nomes em português). Dessa peneira ficamos, surpreendentemente, com muitos atletas, de forma que fizemos apenas três contratações, todas por empréstimo sem custos:

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Fabrício Bruno, zagueiro de 19 anos, que veio do Cruzeiro

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Rodrigo Bentancur, meia de 18 anos que foi emprestado pelo Boca Juniors



Joris Kayembe, lateral e ponta-esquerda de 20 anos que veio do Porto e que na vida real também foi emprestado ao Rio Ave


Os três inicialmente começaram no banco de reservas do time, que alinhou com um 4-3-3 com um volante mais à frente da zaga, dois meias, um ponta, um atacante por dentro e um centroavante.

O time era o seguinte:

Cássio no gol

Lionn na lateral-direita
Aníbal Capela e Marcelo na zaga
Edimar (que está agora no São Paulo) na esquerda

Wakaso como volante de contenção
Tarantini como Ball Winning Midfielder (o cara pra roubar bolas)
Pedro Moreira como meia armador de mobilidade (Roaming Playmaker)

Ukra como ponta direita
Héldon como atacante pela esquerda

Hélder Postiga como centroavante


Instruí a equipe a ser direta! Roubar a bola logo e assim que possível bater pra gol!  E a primeira metade da temporada não foi tão ruim!


Não é nada, não é nada, perdemos apenas para o Benfica nos jogos contra os gigantes, o que nos colocou na quarta posição no campeonato na virada do ano. Mesmo assim estava insatisfeito com a produção dos homens de frente. Hélder Postiga já vive o ocaso da carreira e Héldon e Ukra não têm um reserva que preste!

Bom, tivemos que ir ao mercado e fizemos duas aquisições surpreendentes para o nosso tamanho! A primeira....

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O DEUS GREGO GIORGOS SAMARAS! De graça após ficar sem contrato, o atacante/ponta adicionou qualidade e variação para o setor de frente

E a segunda...

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ANDRÉ SILVA! Hoje no Milan, mas em janeiro de 2016 estava sem chances de jogar no nosso parceiro Porto!

A mudança com ambos no time foi sensível e empilhamos a seguinte sequência, com destaque para as copas nacionais!


E então veio a primeira final!  A da Copa da Liga de Portugal:


Nada mal hein?!  Foi o primeiro título de elite dos vilacondenses na história do clube!

Mas ainda havia mais! Depois de um triunfo em casa contra o Nacional da Ilha da Madeira, tendo perdido a ida por 1 a 0, eis que me surge o Chaves na final da Taça de Portugal. Sorte a minha e méritos do meu centroavante!

Pra quem não tinha título algum na história, dois no mesmo ano e com um técnico brasileiro novato está de ótimo tamanho não?!  Confesso que fiquei muito surpreso com o início promissor. Não esperava esse nível de desempenho, mas creio que o acerto do estilo de jogo com os atletas escolhidos e as barganhas de mercado tenham nos levado a isso!

No Campeonato Português ainda fizemos muito bonito!



E o time da temporada ficou assim (sei lá porque Wakaso e André Silva não ficaram no 11 ideal)



Impressionante o Tarantini como Ball Winning Midfielder ser o artilheiro da temporada! Uma das sortes que demos nesse primeiro ano!

Na próxima temporada vamos voar além! Temos Liga Europa e briga por algo maior no campeonato!

terça-feira, 4 de julho de 2017

O M1T0 do desmanche

A saída de Rogério Ceni do comando técnico do São Paulo vem acompanhada de uma série de avaliações sobre o trabalho do iniciante treinador. Aqui mesmo no blog debatemos os seis primeiros meses do comandante, enquanto outras duas boas análises podem ser encontradas nos blogs dos companheiros Renato Rodrigues e Caio Gondo

As avaliações obviamente devem se estender para o além-campo, mas desde que sejam feitas com critério. Que o São Paulo está há muitos anos sem saber o que quer é inegável. Que as constantes trocas sem critério para os treinadores impactam o clube não há dúvida. Que as dívidas contraídas por gestões anteriores atrapalharam é óbvio. Que a impaciência da torcida e perseguição a jogadores prejudicam o trabalho é nítido, assim como o constante entra e sai de atletas é muito nocivo.


O que não é possível falar, no entanto, é que o São Paulo sofreu um desmanche no meio de trabalho de Ceni.

No afã de achar culpados ou até para eximir de responsabilidade quem tanto fez pelo clube, muitos começaram a reproduzir a história de que o tricolor se desmanchou no meio da temporada e que por isso Ceni deu errado. Para tanto, enchem a boca para falar que mais de 20 jogadores saíram esse ano. Verdade, mas é preciso dizer também quem, como, quando e por que!  

No total, de dezembro de 2016 até julho de 2017, são na verdade 27 saídas do time de cima. Vamos a elas:

Goleiro


Léo: emprestado ao Paraná no início do ano pois Rogério Ceni pediu a contratação de Sidão

Zagueiros

Lyanco: Não participou da pré-temporada do clube e fez apenas um jogo com Ceni. Foi vendido ao Torino por 20 milhões de reais, em uma época na qual o time já tinha seis zagueiros

Lucas Kal: Emprestado ao Paraná, pois na época o São Paulo tinha zagueiros demais no elenco

Breno: Emprestado ao Vasco da Gama com anuência da comissão técnica, já que não vinha ganhando chances entre os titulares

Maicon: Vendido ao Galatasaray da Turquia por 25,7 milhões de reais. Era titular do time, mas vivia sua pior fase com a camisa tricolor

Lucão:  Afastado do elenco por decisão da diretoria após atacar a torcida. Era titular no esquema com três zagueiros e nas ausências de Rodrigo Caio


Laterais-direitos

Auro: emprestado ao América-MG no início do ano, pois Ceni sequer o levou para a Flórida

Foguete: emprestado ao Vila Nova depois de ficar fora da lista de Ceni para o Paulistão


Laterais-esquerdos


Carlinhos: emprestado ao Internacional no início do ano, pois Ceni não o considerava parte de seus planos

Mena: o clube não quis comprar os direitos econômicos do então titular da lateral-esquerda em 2016

Reinaldo: emprestado para a Chapecoense pois não fazia parte dos planos da comissão técnica

Matheus Reis: emprestado para o Bahia pois não fazia parte dos planos. A decisão veio antes mesmo da chegada de Ceni, segundo o Globoesporte.com

Volantes

Hudson: Emprestado ao Cruzeiro para "respirar novos ares" em negociação que envolveu a chegada de Neílton

Wellington: Demorou a ter chances no time que disputou o Paulistão e foi emprestado para o Vasco da Gama depois de se ver sem perspectivas de utilização no Brasileiro

João Schmidt: Deixou o São Paulo no dia 30 de junho em saída que estava anunciada desde antes da chegada de Ceni. Era o reserva imediato da posição de primeiro volante quando saiu.

Thiago Mendes:  Vendido ao Lille da França por 34 milhões de reais. Em coletiva, disse que queria deixar o clube. Era titular absoluto e importante peça do time de Ceni 


Meias


Kelvin: Retornou ao Porto depois de a diretoria não querer renovar o contrato de empréstimo dele com o São Paulo

Michel Bastos: Deixou o São Paulo em comum acordo com a diretoria. Antes, treinava afastado dos demais por decisão de Ricardo Gomes. 

Jean Carlos:  Fora dos planos de Rogério, teve seu empréstimo rescindido antes do final. Sequer fez a pré-temporada

Daniel: Sem espaço no elenco, foi emprestado para o Coritiba. Sequer viajou para os EUA

David Neres:  Vendido ao Ajax por 40 milhões de reais. Sequer fez a pré-temporada com Ceni, pois estava com a seleção sub-20. 

Atacantes

Róbson:  Não teve nenhuma chance em 2017 e foi emprestado para o Paraná 

Neílton:  Contratado por empréstimo a pedido de Rogério Ceni, foi dispensado depois de ser pouco utilizado pelo treinador. 

Ytalo: Devolvido ao Audax depois de passar lesionado a maior parte de seu empréstimo ao São Paulo 

Pedro Bortoluzzo: Emprestado ao Paraná por decisão da comissão técnica, pois o time já contava com Chávez e Gilberto. 

Chávez: Virou banco de Gilberto, que já é banco, e não teve o empréstimo com o Boca Juniors renovado. Era uma saída anunciada

Luiz Araújo: Oscilava entre o banco e a titularidade e foi vendido para o Lille da França por 38 milhões de reais. Quando saiu brigava por posição com Morato, que se lesionou, e com Marcinho 

* Ainda pode-se incluir Arthur, Banguelê, Maidana e Matheus Queiroz, mas nenhum deles faia parte dos planos do ex-treinador 

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Vejam que o número engana. Dos 27, podemos dizer que seis saíram à revelia do treinador, que provavelmente queria, mas que nada podia fazer para mantê-los: Lyanco, David Neres, Luiz Araújo, Maicon, Schmidt e Thiago Mendes. 

Destes, David Neres e Lyanco fizeram um jogo (somados) com o treinador, que provavelmente não montou o planejamento para o Brasileiro contando com eles. Já Schmidt era banco absoluto quando o contrato venceu e Luiz Araújo oscilava entre titularidade e banco com desempenhos sofríveis na reta final do Paulistão e com partidas discretas no Brasileiro, exceção feita ao clássico contra o Palmeiras.  

Maicon e Thiago Mendes eram os únicos titulares absolutos com o treinador, mas o primeiro vinha pedindo uma reserva há tempos, com falhas bisonhas contra Cruzeiro e Corinthians, por exemplo.  

Ou seja... Desmanche?  Não consigo ver. Consigo ver um clube que teve saídas por opção do treinador e que vendeu três jogadores no meio do ano; um deles porque foi contratado a peso de ouro por um preço que não valia e outro porque pediu para sair. 

Nesses dias também se tornou usual falar que muitas chegadas é algo ruim. Sem dúvida que é. Ainda mais aquelas do meio do ano... Mas seria pior se saíssem jogadores e ninguém chegasse não? Aliás, vamos lembrar quais foram as chegadas de 2017? 

Goleiro



Sidão: Pedido de Rogério Ceni, pois o arqueiro sabia atuar com os pés. Tal característica parecia importante lá atrás, mas sequer foi utilizada com constância de abril para cá. Renan, que era a terceira opção, foi a melhor opção


Lateral-esquerdo


Edimar: Trazido para ser banco de Junior Tavares depois da aposta por Buffarini na esquerda se mostrar equivocada. Sequer estreou 


Zagueiro


Arboleda: Veio às pressas quando o "planejamento" da diretoria fez 7 zagueiros virarem 3. Sequer estreou

Volante

Jucilei: Grande acerto das contratações de 2017 até agora. Titular absoluto e com bons desempenhos 

Cícero: Pedido expresso do técnico e amigo Rogério Ceni. Foi tido como importante pela qualidade técnica e gols marcados, mas até julho só foi às redes quatro vezes; três no mesmo jogo. 

Petros: Acabou de chegar e atuou apenas uma vez com Rogério Ceni. 


Meias


Thomaz: Veio às pressas para substituir Cueva. Foi observado pela comissão técnica e departamento de análise de desempenho e até agora tem nível razoável no ano

Jonathan Gomez: Veio na "reformulação" de meio de ano da diretoria. Sequer atuou com Ceni

Atacantes

Wellington Nem: Cotado para ser o principal reforço do ano, luta para ser titular. Jogou pouco com Ceni

Maicosuel: Negócio de ocasião feito pela diretoria.  Tal qual Petros, chegou num dia e estreou no outro, mas não conseguiu jogar mais desde então

Morato:  Um jogo bom e uma lesão feia abreviaram a sequência de jogos do reforço pinçado por Rogério e pelo departamento de análise de desempenho

Marcinho:  Tem sido uma grata surpresa, jogando pela ala direita ou como ponta direita. Grande acerto de observação do treinador e departamento de scouting

Denílson: Negócio de ocasião nos mesmos moldes de Marcinho e Morato. Ainda briga pela titularidade

Lucas Pratto: O maior investimento do ano começou arrebentando, mas tem oscilado nas últimas rodadas. Parece ser um grande acerto, mesmo com o time em má fase 

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Notem que nenhuma dessas contratações veio à revelia do treinador pelo que sabemos... Sendo assim, é difícil falar que chegadas tenham atrapalhado Rogério Ceni na sua trajetória no clube. 

Pra finalizar... As 27 saídas parecem muita coisa?  E são... Mas sabem quantos atletas deixaram o Corinthians?  20 (contando com a turma da base que subiu, mas quase não jogou e com Cristian).  Do Palmeiras?  17. 

Os números explicam e ajudam, mas não explicam tudo. Então devagar com o "desmanche inflacionado".

PS: Se eu esqueci de algum nome, por favor me digam

PS2: De maneira alguma este é um post elogioso à diretoria do São Paulo. O planejamento durante o ano foi ruim (vide a questão dos zagueiros, dos laterais e a atabalhoada renovação de Lugano)  e a falta de convicção com Ceni e processo de demissão foram dignos de pena 


PS3: O elenco do São Paulo é bom!  É o sexto ou sétimo melhor do país. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O preço da falta de experiência

Quando decidiu voltar ao futebol como treinador, Rogério Ceni provavelmente não sabia de fato com o que iria lidar. Sem nenhuma experiência como técnico ou auxiliar de nenhuma categoria, o ídolo são-paulino apostou desde o início que os conhecimentos aprendidos como jogador, a influência de alguns treinadores com os quais trabalhou e três meses de curso na Federação Inglesa de Futebol lhe dariam a base teórica necessária para desempenhar sua função. Na parte prática, por outro lado, o inglês Michael Beale daria o suporte necessário para que ideias se tornassem realidade. E quais eram essas ideias?  Em sua coletiva de apresentação, Ceni disse:

"Minha intenção é jogar ofensivamente, pressionando, buscando o gol. É claro que em alguns jogos podemos fazer ajustes diferentes. Mas vou me adaptar ao que tiver à disposição."

Depois, ao vencer o Santos afirmou:

"A proposta que eu sempre tive na minha cabeça é de jogar para ganhar. Você corre risco, sofre, mas jogando para frente. Jogar para trás, aí abro mão da profissão. Porque gosto de desafios, já fiquei muito tempo atrás"

E ainda adicionou:

"Passa sustos, sim, sofre gols, sim, mas é uma filosofia que eu acredito. Acho que os jogadores e os torcedores têm muito mais prazer com o jogo dessa maneira".



A ideia estava clara, restava a aplicação e o São Paulo falhou nesse segundo quesito. Nas primeiras rodadas do Paulistão ficou nítido que o time montado no 4-3-3, que construía com sete no campo de ataque, que abria laterais para amplitude, subia os três de meio e tinha três na frente, não executava um plano definido quando perdia a bola. Ao ficar sem o domínio da mesma, poucos atletas corriam rapidamente em direção à bola, alguns retornavam para suas posições e os zagueiros quase sempre corriam para trás, convidando os atacantes a carregarem a bola e definirem as jogadas. Ou seja: cada setor do campo fazia uma coisa distinta e com atletas espaçados entre si a defesa foi consagrando os ataques adversários. 


Não foram raras as vezes em que o São Paulo perdeu partidas por causa desse momento do jogo, algo que foi mitigado pela entrada de Jucilei na vaga de João Schmidt. O problema é que, aos poucos, seja por uma postura ligeiramente mais cautelosa com a bola, seja pelo desfalque de Cueva, ou pelos erros mais frequentes na tomada de decisão no ataque, o tricolor parou de ser o time perigoso de outrora e se tornou a equipe do cruzamento para área. 


Foram dezenas contra Corinthians nas duas semifinais do Paulista e no primeiro jogo contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil o que, aliado aos erros de transição defensiva, resultaram em eliminações seguidas. Vale dizer: Ceni procurou os cruzamentos de propósito ao colocar Gilberto e Pratto juntos em todos os momentos de aperto e ao insistir com Cícero e Jucilei juntos, montando um time de pouca mobilidade e muita ligação direta. Há que se ressaltar, no entanto, a grande partida feita pelo tricolor no Mineirão contra o Cruzeiro. Ali o São Paulo esteve muito próximo de ser o time que Rogério Ceni imaginava e talvez um Cueva ligeiramente mais inspirado pudesse ter dado a vaga à equipe do Morumbi.




Fora das duas competições e com mais tempo para treinar, era esperada uma evolução coletiva do São Paulo na execução das ideias imaginadas pelo técnico, ou seja, um time que criasse com movimentação de seu trio de volantes, com o meia aberto pelo lado centralizando  as jogadas e com os laterais passando em projeção para chegar ao fundo e cruzar com qualidade. Era esperado também um time que defendesse pressionando imediatamente após a perda da bola, que subisse as linhas para sufocar o adversário fazendo linha de impedimento para ter todos os setores sempre juntos e que soubesse se portar quando a pressão inicial não desse resultado.


Contra o Defensa y Justicia, no entanto, os erros foram os mesmos. Muitos cruzamentos, nenhuma ideia com a bola no pé a terceira eliminação, desta vez em casa com um empate por 1 a 1.  


O duro golpe fez Rogério ser amplamente contestado pela imprensa, o que parece ter levado o treinador a rever conceitos. Assim, em vez de tentar fazer o time acertar a execução do que estava errado, Ceni deu dois passos para trás. Na estreia no Brasileirão contra o Cruzeiro o São Paulo alinhou com três zagueiros e deu a bola para os mineiros. Depois de um primeiro tempo razoável, Maicon errou lá atrás e o tricolor não teve força alguma para buscar a igualdade. Contra o Avaí voltou o esquema com dois zagueiros e voltou a vitória, desta vez com lançamento de Cícero da intermediária que achou Marcinho e que serviu Pratto e com Luiz Araújo aos trancos e barrancos empurrando para as redes. Diante do Palmeiras, mesmo em casa, o tricolor deu a bola para o adversário e venceu nos contragolpes, enquanto contra a Ponte Preta o erro defensivo que deu o 1 a 0 ao adversário foi fatal, com o time novamente inofensivo ao sair em desvantagem. 




Diante do Vitória, o tricolor teve três zagueiros de novo, mas só chegou ao gol quando voltou ao 4-2-3-1 e apertou o time baiano lá em cima. E então chegamos ao clássico do último domingo, o jogo que marca o passo mais distante daquele modelo de jogo que Ceni queria implementar. Contra o Corinthians o treinador do São Paulo colocou três zagueiros, três volantes (Militão, Jucilei e Cícero) e dois centroavantes de área. Ou seja... Um time pesado, alto e talhado para jogar na bola parada e chutão pra longe. O próprio treinador revelou que a ideia era ganhar com jogadores altos. 




O resultado foi desastroso: o São Paulo tomou um vareio do Corinthians em 15 minutos. Com zagueiros lentos longe do próprio gol, sem pegada, com inferioridade numérica no meio e com dois centroavantes, o tricolor saiu perdendo com menos de dez minutos, jogando por terra toda a estratégia do treinador, que teve que mudar o esquema tático com bola rolando e que foi para o intervalo com o revés por 2 a 1. 



No segundo tempo o time melhorou um pouco, mas seguiu dando brechas na defesa e a derrota por 3 a 2 acabou sendo um bocado mentirosa: era pra ter sido mais para o Corinthians.  






Com três meses de estudo e seis de experiência, Ceni tateia no escuro em uma área que não domina ainda e na qual não tem bagagem para saber o que deve ser abandonado e o que pode ser mantido. Também por isso  o técnico do São Paulo vai vendo na prática o que consegue e o que não consegue fazer. O mais grave, no entanto, parece ser o fato de que o treinador tem dúvidas sobre o que quer do seu time. E quando sabe o que quer, ainda tem dificuldades para alinhar a ideia às características de seus jogadores. 

Um exemplo claro dessa falta de visão sobre quais são bons e maus intérpretes na execução das ideias é o caso Cícero. Lento, sem pegada no meio e com passes burocráticos o segundo, ora terceiro, volante do tricolor não tem nenhuma das características que poderiam fazer o São Paulo fluir ofensivamente e ser intenso defensivamente. Outro aparente julgamento equivocado do treinador foi a constante mudança de posicionamento de Thiago Mendes, que rende muito mais vindo de trás com a bola carregada, mas que foi por diversas vezes escalado como meia centralizado ou aberto pela direita, onde não tinha espaço para progredir. Da mesma maneira as inúmeras tentativas com Gilberto e Pratto, que apesar de voluntariosos não conseguem funcionar juntos. 

Alguns dirão que o motivo é o elenco ruim, algo que eu discordo visceralmente. 

Embora não tenha o melhor elenco do país, o São Paulo certamente tem o sexto ou sétimo melhor. Ou alguém aqui consegue cravar indubitavelmente que o Santos tem melhor elenco? Ou que a diferença do Corinthians para o São Paulo é muito grande? Quem tem melhores jogadores? Fluminense? Botafogo? Chapecoense? Ponte Preta? Coritiba?  


Tais times jogam mais porque estão mais versados no modelo de jogo empregado. O São Paulo após seis meses ainda erra demais e executa mal as ideias tanto do projeto inicial quanto da versão adaptada.  Há que se dizer: adaptar-se é algo bom e necessário em qualquer clube de futebol, mas executar melhor também é essencial. 

Ceni provavelmente vai aprender com o tempo como executar, o que abandonar e o que manter, mas é necessário pontuar: não é questão de jogador! O São Paulo está pagando e pagará o preço de ter um técnico em fase de aprendizado dirigindo o time.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Uma prévia de São Paulo x Vitória

São Paulo e Vitória se enfrentam logo mais no estádio do Morumbi em jogo importante para os dois times. De um lado os baianos precisam vencer para se afastar da incômoda posição de candidatos ao rebaixamento, enquanto do outro, o tricolor quer um triunfo para atestar  que busca algo mais no Campeonato Brasileiro de 2017 além de um meio de tabela.  De acordo com as prováveis escalações os dois times alinharão dessa maneira:



(Na vaga de Maicosuel pode entrar Thomaz, enquanto na zaga há dúvidas sobre Lugano ou Militão e há dúvidas sobre o posicionamento de Mendes. Vale dizer que a numeração do Vitória é outra, salvo engano)


Caso os times entrem em campo dessa maneira o São Paulo terá novamente o desafio de fazer a bola chegar a Lucas Pratto.  Contra a Ponte Preta o argentino só recebeu uma com condições de finalização, enquanto contra o Avaí, apesar dos dois gols, só a ligação longa funcionou.  O problema todo reside nas características dos jogadores escalados por Rogério Ceni, sobretudo Cícero e Jucilei. Ambos são volantes "posicionais", ou seja, guardam a posição e raramente infiltram. Assim, toda a movimentação ofensiva e ligação entre os setores ficam nas costas do meia (Cueva, em péssima fase, Thomaz ou Maicosuel) e nas investidas pelos lados. O problema é que pelo lado o São Paulo não vai bem e ou cruza de qualquer jeito ou termina sendo desarmado.  São raras as jogadas que terminam em finalizações por ali. 


(O São Paulo raramente trabalha pelo centro para chegar ao gol adversário, o que força o jogo a ir para os lados, quase sempre sem sucesso) 

Por isso a outra alternativa do São Paulo para hoje me parece mais adequada; o sistema 4-3-3 com Thiago Mendes na dele, sendo o "infiltrador". 

(Com Cícero e Jucilei posicionados, cabe a Thiago Mendes levar a bola para o ataque, dando uma jogada central ao time ao menos. O problema é o contragolpe do Vitória, já que com a subida dos laterais e posicionamento dos volantes para momento ofensivo o time pode ficar desguarnecido com Maicon, Lucão e os laterais, que não vivem boa fase) 

Penso ainda que o ideal seria o São Paulo jogar com dois ou três atletas "rompedores", mas essa ideia parece estar longe de ser a do técnico Rogério Ceni. Aliás, há que se dizer... O discurso de que tinha inspirações em Osorio, Sampaoli e Guardiola parece cada vez mais distante da prática.  Sempre que confrontado com uma desvantagem o treinador são-paulino opta por aumentar a distância dos setores com Gilberto e Pratto aguardando bolas longas e Jucilei e Cícero presos à frente da zaga. Isso de nenhuma forma coincide com os pensamentos dos três estrangeiros supracitados.

Sobre a desculpa de que não tem jogadores para fazer o time envolvente e pressionando alto que deseja, coloco um campinho com o trabalho de Jorge Sampaoli:




(Vejam o time da Universidad de Chile em 2013. Diaz é o único "posicional" e do meio pra frente apenas jogadores de mediano pra baixo. Foi o jeito e as ideias que deram cara e ofensividade à equipe campeã da Copa Sul-Americana 2012 e que nesta foto já estava remontada) 



Fora a seleção do Chile na Copa 2014, que teve do meio para frente: Diaz, Aránguiz e Vidal - dois de ruptura e um de posição - e Valdívia, Sanchez e Vargas.  Não querem ficar no Chile e em Sampaoli? Sem problemas.  O Real Madrid tem o trio Casemiro, Modric e Kroos, enquanto no 3-4-3 do Chelsea os dois do centro são Matic e Kanté. Ou seja, sempre com jogadores de ruptura e infiltração juntando com algum mais de posição.

Quem seria os do São Paulo para fazer isso?  Thiago Mendes, Araruna, Wesley e até mesmo Cueva e Thomaz mediante algumas compensações para segurar a bronca sem a bola.


Enfim! Vamos ver logo mais!










quarta-feira, 10 de maio de 2017

"Você sabe com quem está falando?"

No último domingo três treinadores jovens da região Sudeste do Brasil puderam comemorar pela primeira vez a conquista de títulos como técnicos. As trajetórias de Roger Machado no Atlético Mineiro, Fábio Carille no Corinthians e Zé Ricardo no Flamengo até as respectivas taças, no entanto, foram de altos e baixos e nenhum deles se safou do famoso "está pressionado", mesmo que, de fato, não estivessem. 

Há contextos específicos para explicar a oscilação de humor de torcedores, dirigentes e segmentos da imprensa, mas um traço é comum aos três: a desconfiança. Desconfiança motivada principalmente pela ausência de títulos no currículo e que levou a conclusões pueris como "não tem tamanho para o clube" ou "peca pela inexperiência". São aforismos completamente subjetivos e que carecem de dados e fatos que os justifiquem, mas que mesmo assim são amplamente utilizados mediante os resultados obtidos. 

Por isso, Roger, Carille e Zé Ricardo "precisavam" tanto de um título; para terem a calma e a confiança necessárias para desenvolver um trabalho. É um raciocínio que contraria a lógica. A calma e a confiança necessárias para gerar um trabalho bem feito é que levam ao resultado e não o contrário. "Futebol é assim", dizem... Até é, mas cabe a cada um de nós refletir sobre isso e mudar o panorama se acharmos necessário.

Enfim, os três agora contam com o carimbo do campeão e terão uma resposta à cruel e ridícula pergunta: "ganhou o quê?".  Eu pergunto ao nobre leitor e aos partidários dessa ideia: "E você, ganhou o quê na sua vida?". Alguma taça? Prêmio por sua atuação profissional em algum lugar? Pois é... Nem por isso você não merece respeito e crédito no seu trabalho não é mesmo? 

Infelizmente é uma pergunta que segue sendo feita quando alguém não gosta do trabalho ou dos resultados - principalmente dos resultados - de algum treinador. É um fenômeno decorrente da incapacidade geral de analisar o jogo e de vários impulsos extra-futebol, mas sobre esse raciocínio específico faço a seguinte comparação: 

O "ganhou o quê?" é muito semelhante ao "você sabe com quem está falando?".

No texto "Sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil", o antropólogo Roberto Damatta entende que essa é uma construção social muito brasileira.  

Escreve ele: "No caso do Brasil, tudo indica que a expressão permite passar de um estado a outro: do anonimato (que revela a igualdade e o individualismo) a uma posição bem definida e conhecida (que expressa a hierarquia e a pessoalização); de uma situação ambígua e, em princípio, igualitária, a uma situação hierarquizada, onde uma pessoa deve ter precedência sobre a outra. Em outras palavras, o "sabe com quem está falando?" permite estabelecer a pessoa onde antes só havia um indivíduo".

O título faz o mesmo com o treinador de futebol, com a diferenciação de que na maioria das vezes não é o profissional que fala isso, mas sim quem quer analisá-lo (jogadores, dirigentes, torcida e imprensa). Seria mais correto dizer nesse caso: 

"Você sabe de quem está falando?"  
Do cinco vezes campeão brasileiro, do bicampeão da Copa do Brasil, do pentamundial e assim por diante...

O título confere distinção a um profissional que poderia, e deveria, ser avaliado pelo trabalho e pelas possibilidades que tem em seu clube. Essa diferenciação cria a desigualdade reclamada lá em cima: todos são treinadores, mas quem já ganhou algo merece paciência, compreensão e análise, enquanto quem nunca venceu título merece ironias e afirmações carentes de provas como "não tem tamanho", "é inexperiente" e assim por diante. 

Corroborando essa ideia, mas em um contexto de sociedade, Damatta escreve em seu ensaio: "Preferimos utilizar o domínio das relações pessoais - essa área não atingida pelas leis - como local privilegiado para o preconceito que, entre nós, como têm observado muitos pesquisadores, tem um forte componente estético (ou moral) e nunca legal".  

Se relevarmos o sentido de legal aqui (afinal não vamos prender ninguém por ser preconceituoso com o trabalho de um treinador)  temos exatamente a nossa realidade futebolística. 

Pessoalmente não tenho dúvida de que o futebol reflete a nossa sociedade. 
Da mesma maneira, estou convicto de que podemos fazer algo além de lamentar e dizer: "Futebol é assim..."

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Evolução e ruptura

"Não atingimos a evolução esperada".

Assim o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, "justificou" a demissão de Eduardo Baptista do clube. 

Me pergunto aqui: Qual seria a evolução esperada pelo presidente? Um Palmeiras que desse show e vencesse "time boliviano" sem problema algum?  Um Palmeiras que nadasse de braçada no Paulistão goleando rivais e empilhando mais um título?  Certamente ele não estava falando de resultados, já que foram apenas cinco derrotas em 23 jogos, sendo que apenas o revés para a Ponte Preta representou alguma consequência séria para o ano do clube. Será que esperava uma sequência do excelente trabalho de Cuca?  Impossível! Qualquer um sabe que Eduardo Baptista não era o nome para manter o que o campeão brasileiro fazia! Ele era o nome para mudar e - quem sabe - evoluir o time. 

"Mas como?!?!  Evoluir um time campeão nacional?! Com o melhor aproveitamento dos pontos corridos?  Melhor ataque, melhor defesa, melhor saldo, melhor bola aérea??!?!"

Sim. Eduardo era o nome para evoluir o time; evoluir o DESEMPENHO do time. 

Apesar dos méritos de Cuca serem inegáveis, também é difícil refutar a ideia de que o jeito de jogar dava claras mostras de esgotamento. A estratégia de pressão média/alta, lançamentos para ganhar a segunda bola e jogadas ensaiadas estava sendo aprendida pelos rivais e não foram poucos os jogos nos quais o Palmeiras poderia (pelo grande elenco que tinha) ter atropelado os rivais com atuação e resultado e não o fez. Cito de cabeça e muito brevemente as partidas contra Internacional, Santa Cruz, Figueirense e América Mineiro, além da precoce eliminação na Copa do Brasil. "Ah, mas ganhou!". Sim, a conversa aqui é DESEMPENHO, o "como" jogou, o quanto foi bem e o de que maneira venceu. 

Achar que se Cuca tivesse ficado o time seguiria crescendo é mexer com o imponderável. É mais uma crença do que um fato e o fato é que Cuca não ficou e o Palmeiras reforçou o elenco de modo a ter mais opções de jogo.  Cuca seria capaz de dá-las? Não o fez no Atlético Mineiro e o clube seguiu até 2017 refém (pelo bem e pelo mal) do que ele construiu em 2013, emendando Levir Culpi e Marcelo Oliveira para tentar "manter o que vinha dando certo" e fritando os "táticos e calmos" Autuori e Diego Aguirre. Nem Levir, nem Marcelo ficaram no Galo. Por que será?! 

Da mesma maneira, o trabalho de Eduardo Baptista ganhou desde o primeiro dia a má vontade da torcida e parte da imprensa. Afinal de contas ele, tal qual Aguirre e Autuori no Galo, representava uma ruptura com a sequência Marcelo Oliveira e Cuca, "um jogo chato" de posse de bola e paciência, que teve no duelo contra o Corinthians o auge da mediocridade. Mas... Era justo cobrar algo ali? Em 22 de fevereiro?! Enfim... Essa ruptura demanda tempo e o Palmeiras estava no caminho até o apagão e derrota para a Ponte Preta em Campinas. 

Contra o São Paulo o alviverde fez uma partida de manual, contra o Santos dividiu protagonismo no primeiro tempo, caiu muito na etapa complementar, mas teve forças para - mediante mudanças do treinador - conseguir a vitória. Se teve dificuldades contra o Tucumán, com um a menos, teve espírito e garra para arrancar uma vitória contra o muito bem organizado Jorge Wilstermann, enquanto diante do Novorizontino deu baile nos dois jogos. "Ah, mas quem é Novorizontino?"  Era o time que estava na semifinal. 

O primeiro tempo ruim diante do Peñarol foi obscurecido pela gigante atuação na segunda etapa, com o Palmeiras saindo atrás, mas criando para fazer seis e não só três gols (Borja perdeu pênalti, Tche Tchê teve bola tirada em cima da linha e Willian perdeu gol sem goleiro). Veio então a Ponte Preta e um primeiro tempo ridículo...

Felipe Melo perdeu todas, Prass falhou em dois gols, Zé Roberto foi de boca no chão... 

Bom, falou-se em ressaca e falta de concentração e acho que nesse caso específico se aplica. No jogo da volta, na Arena, Eduardo Baptista fez a primeira experimentação com os três zagueiros e apesar de o resultado necessário não ter vindo, o Palmeiras teve uma atuação boa. 

Eduardo então quis manter  os três zagueiros contra o Peñarol, mas fez duas mudanças em relação ao time que bateu a Ponte Preta: colocou Felipe Melo no meio e tirou Tche Tchê do time.  Não deu certo. Ambos nas posições daquele sábado eram a sustentação do esquema... Vitor Hugo foi um desastre, Egídio ficou totalmente perdido e a distância entre os setores foi um negócio absurdo... Baptista ERROU. Errou, mas corrigiu, e no segundo tempo o Palmeiras fez três gols com até certa facilidade. 

Bom, e aí chegamos no jogo contra o Jorge Wilstermann. Sem Melo, sem Dracena e sem gramado adequado para jogo de posse de bola, o Palmeiras abusou dos lançamentos e viu a equipe boliviana se aproveitar de erros absurdos de Vitor Hugo, Jean e Prass para chegar à vitória. Para mim essa foi a pior atuação do Palmeiras no ano, mas não justificaria demissão alguma. Caberia a Eduardo corrigir a bola parada defensiva, juntar mais os setores do time e esmerar a criação de jogadas com a bola no chão, algo que não pôde ser medido nos últimos três jogos por conta dos cenários enfrentados.

Era para CORRIGIR e não ROMPER.

Eduardo foi demitido pela falta de evolução... Em quatro meses era pro Palmeiras jogar bem e ganhar, segundo os dirigentes. Se fosse para dar sequência no que Cuca vinha fazendo eu acho que poderiam dizer isso sim. Se fosse para criar algo novo e evoluir então não, quatro meses não são suficientes.

Fato é que a tese burra de que Eduardo não tem tamanho para o Palmeiras ganhou cada vez mais adeptos e o contratador Alexandre Mattos não quis segurar a bronca. Eduardo que foi campeão com o Sport, que melhorou muito a Ponte Preta e que não foi bem no Fluminense, onde nos últimos dez anos só Muricy e Abel tiveram sucesso.

Tamanho de treinador se faz com tempo, respaldo e bom trabalho e não com currículo passado (que o digam Muricy, Scolari e Marcelo Oliveira no Palmeiras). O próprio Cuca, aliás, era o "azarado chorão" até chegar ao Atlético Mineiro!

Enfim! Cuca deve voltar e o Palmeiras tentará um revival... Um revival daquele  time do início do Brasileirão 2016, quando o treinador teve tempo para treinar.  Dessa vez, no entanto, os jogadores vêm de quatro meses de estilo Eduardo e não oito de estilo Marcelo Oliveira... O Palmeiras não tem mais Gabriel Jesus e por ora não tem Moisés... Vai dar certo? Por ora é mais uma crença, do que um fato, mas como é bom calar a voz argumentativa e se entregar à fé não é mesmo? 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Saga FM: 04 - Consagração e dilema

Após um título francês e duas copas nacionais o sonho do Olympique de Marseille passou a ser outro. Estávamos em outro patamar e a Champions League era a nossa nova obsessão. Para tanto, o elenco precisava ser melhorado. Não necessariamente aumentado, posto que no FM 16 todos os jogadores estão prontos para reclamar de qualquer sequência sem jogos. Assim, nosso mercado teve inicialmente as seguintes saídas:


Quase todos reservas, exceção feita a Benjamin Mendy. Mas 34 milhões era demais! Decidi realizar o sonho do garoto de jogar no Barça. Notem que a transação foi no último dia da janela de transferências, o que me levou a uma sanha gastadora nos momentos finais do mercado:

- Guillaume para ser nosso pivô quando a bola aérea for solução, posto que Kiessling quis sair do time
- Foulquier para ser um ala que joga nas duas quando houver problemas pelos lados
- Diop é volantão e Vergara uma aposta de zaga pro futuro
- Victor Sánchez foi oferecido pelo empresário e a verstilidade do espanhol me agradou demais. 
- Trémoulinas veio para ser o novo lateral esquerdo após a saída de Mendy
- Imbula era sonho antigo e com o dinheiro de Mendy enfim deu para comprar o rapaz, que retornou ao Marseille
- Luuk de Jong para ser mais um atacante e rotacionar com Batshuayi

Bom, vamos aos jogos!


Passamos com uma boa tranquilidade pela fase de grupos da Champions em uma chave que tinha CSKA, Porto e Steaua, enquanto no francesão houve dois tropeços para times pequenos ali no meio do caminho. 



Avançávamos nas copas nacionais e tivemos sorte no sorteio nas oitavas de final da Champions, posto que pegamos o Napoli. Na primeira fora obtivemos um importante 1 a 1 e na volta fizemos a lição de casa, avançando às quartas para encarar o Sevilla. 


Na semifinal veio a poderosíssima Juventus! Fora de casa conseguimos um 0 a 0 importantíssimo e só nos restava carimbar a vaga no Velodróme. Eis que ocorreu o seguinte.... 

Sem mudar absolutamente nada no time entrei com o seguinte team talk: "Vocês merecem a final!".  Resultado? 5 a 0 Juventus com todos os jogadores do meu time tendo as piores atuações das vidas. 

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Eu fraquejei. Quis a revanche. Era demais um resultado desses. Carreguei o jogo e me prontifiquei a fazer o seguinte: iria testar o team talk e apenas o team talk. O resto seria tudo igual.

Mais: seria tudo igual e eu não mexeria uma vez na tática, nas substituições e nas instruções. O que viesse eu aceitaria, mesmo que alguém terminasse o jogo com condition 40% ou abaixo. Além disso veria tudo em Highlights key para acabar logo com tudo e ver se era essa p*** do team talk. 

Bom... Sabem o que aconteceu? Com o team talk: "espero uma vitória", Marseille e Juventus fizeram um jogo equilibrado que terminou no tempo normal com novo 0 a 0. Ou seja.... um team talk ligeiramente mudado (na minha opinião ambos são parecidos, não sei na visão dos caras do jogo) modificou tudo.

Na prorrogação fiz uma mudança, mandando Baptiste Guillaume a campo. Resultado? 1 a 0 Marseille e estávamos na final.

Eu sei... Você está me julgando. Eu também estou. Ainda hoje estou....
Eu não sou disso, mas não aguento ser sacaneado pelo jogo por causa de um team talk e dos efeitos abissais que ele tem. Enfim.... Eu poderia omitir tudo isso, mas quero ser sincero com todos vocês que estão lendo. 

A decisão foi contra o Real Madrid e eu resolvi jogar à vera. Mexendo, trocando, indo e vindo... Não é que ganhamos? Com gol de Adama Traoré chegamos ao topo!



Depois de 26 anos o Marseille voltou a ser o melhor clube da Europa! Não fosse o bastante, ainda garantimos mais um título francês! Na última rodada!!!



O time da temporada foi esse: