segunda-feira, 12 de junho de 2017

O preço da falta de experiência

Quando decidiu voltar ao futebol como treinador, Rogério Ceni provavelmente não sabia de fato com o que iria lidar. Sem nenhuma experiência como técnico ou auxiliar de nenhuma categoria, o ídolo são-paulino apostou desde o início que os conhecimentos aprendidos como jogador, a influência de alguns treinadores com os quais trabalhou e três meses de curso na Federação Inglesa de Futebol lhe dariam a base teórica necessária para desempenhar sua função. Na parte prática, por outro lado, o inglês Michael Beale daria o suporte necessário para que ideias se tornassem realidade. E quais eram essas ideias?  Em sua coletiva de apresentação, Ceni disse:

"Minha intenção é jogar ofensivamente, pressionando, buscando o gol. É claro que em alguns jogos podemos fazer ajustes diferentes. Mas vou me adaptar ao que tiver à disposição."

Depois, ao vencer o Santos afirmou:

"A proposta que eu sempre tive na minha cabeça é de jogar para ganhar. Você corre risco, sofre, mas jogando para frente. Jogar para trás, aí abro mão da profissão. Porque gosto de desafios, já fiquei muito tempo atrás"

E ainda adicionou:

"Passa sustos, sim, sofre gols, sim, mas é uma filosofia que eu acredito. Acho que os jogadores e os torcedores têm muito mais prazer com o jogo dessa maneira".



A ideia estava clara, restava a aplicação e o São Paulo falhou nesse segundo quesito. Nas primeiras rodadas do Paulistão ficou nítido que o time montado no 4-3-3, que construía com sete no campo de ataque, que abria laterais para amplitude, subia os três de meio e tinha três na frente, não executava um plano definido quando perdia a bola. Ao ficar sem o domínio da mesma, poucos atletas corriam rapidamente em direção à bola, alguns retornavam para suas posições e os zagueiros quase sempre corriam para trás, convidando os atacantes a carregarem a bola e definirem as jogadas. Ou seja: cada setor do campo fazia uma coisa distinta e com atletas espaçados entre si a defesa foi consagrando os ataques adversários. 


Não foram raras as vezes em que o São Paulo perdeu partidas por causa desse momento do jogo, algo que foi mitigado pela entrada de Jucilei na vaga de João Schmidt. O problema é que, aos poucos, seja por uma postura ligeiramente mais cautelosa com a bola, seja pelo desfalque de Cueva, ou pelos erros mais frequentes na tomada de decisão no ataque, o tricolor parou de ser o time perigoso de outrora e se tornou a equipe do cruzamento para área. 


Foram dezenas contra Corinthians nas duas semifinais do Paulista e no primeiro jogo contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil o que, aliado aos erros de transição defensiva, resultaram em eliminações seguidas. Vale dizer: Ceni procurou os cruzamentos de propósito ao colocar Gilberto e Pratto juntos em todos os momentos de aperto e ao insistir com Cícero e Jucilei juntos, montando um time de pouca mobilidade e muita ligação direta. Há que se ressaltar, no entanto, a grande partida feita pelo tricolor no Mineirão contra o Cruzeiro. Ali o São Paulo esteve muito próximo de ser o time que Rogério Ceni imaginava e talvez um Cueva ligeiramente mais inspirado pudesse ter dado a vaga à equipe do Morumbi.




Fora das duas competições e com mais tempo para treinar, era esperada uma evolução coletiva do São Paulo na execução das ideias imaginadas pelo técnico, ou seja, um time que criasse com movimentação de seu trio de volantes, com o meia aberto pelo lado centralizando  as jogadas e com os laterais passando em projeção para chegar ao fundo e cruzar com qualidade. Era esperado também um time que defendesse pressionando imediatamente após a perda da bola, que subisse as linhas para sufocar o adversário fazendo linha de impedimento para ter todos os setores sempre juntos e que soubesse se portar quando a pressão inicial não desse resultado.


Contra o Defensa y Justicia, no entanto, os erros foram os mesmos. Muitos cruzamentos, nenhuma ideia com a bola no pé a terceira eliminação, desta vez em casa com um empate por 1 a 1.  


O duro golpe fez Rogério ser amplamente contestado pela imprensa, o que parece ter levado o treinador a rever conceitos. Assim, em vez de tentar fazer o time acertar a execução do que estava errado, Ceni deu dois passos para trás. Na estreia no Brasileirão contra o Cruzeiro o São Paulo alinhou com três zagueiros e deu a bola para os mineiros. Depois de um primeiro tempo razoável, Maicon errou lá atrás e o tricolor não teve força alguma para buscar a igualdade. Contra o Avaí voltou o esquema com dois zagueiros e voltou a vitória, desta vez com lançamento de Cícero da intermediária que achou Marcinho e que serviu Pratto e com Luiz Araújo aos trancos e barrancos empurrando para as redes. Diante do Palmeiras, mesmo em casa, o tricolor deu a bola para o adversário e venceu nos contragolpes, enquanto contra a Ponte Preta o erro defensivo que deu o 1 a 0 ao adversário foi fatal, com o time novamente inofensivo ao sair em desvantagem. 




Diante do Vitória, o tricolor teve três zagueiros de novo, mas só chegou ao gol quando voltou ao 4-2-3-1 e apertou o time baiano lá em cima. E então chegamos ao clássico do último domingo, o jogo que marca o passo mais distante daquele modelo de jogo que Ceni queria implementar. Contra o Corinthians o treinador do São Paulo colocou três zagueiros, três volantes (Militão, Jucilei e Cícero) e dois centroavantes de área. Ou seja... Um time pesado, alto e talhado para jogar na bola parada e chutão pra longe. O próprio treinador revelou que a ideia era ganhar com jogadores altos. 




O resultado foi desastroso: o São Paulo tomou um vareio do Corinthians em 15 minutos. Com zagueiros lentos longe do próprio gol, sem pegada, com inferioridade numérica no meio e com dois centroavantes, o tricolor saiu perdendo com menos de dez minutos, jogando por terra toda a estratégia do treinador, que teve que mudar o esquema tático com bola rolando e que foi para o intervalo com o revés por 2 a 1. 



No segundo tempo o time melhorou um pouco, mas seguiu dando brechas na defesa e a derrota por 3 a 2 acabou sendo um bocado mentirosa: era pra ter sido mais para o Corinthians.  






Com três meses de estudo e seis de experiência, Ceni tateia no escuro em uma área que não domina ainda e na qual não tem bagagem para saber o que deve ser abandonado e o que pode ser mantido. Também por isso  o técnico do São Paulo vai vendo na prática o que consegue e o que não consegue fazer. O mais grave, no entanto, parece ser o fato de que o treinador tem dúvidas sobre o que quer do seu time. E quando sabe o que quer, ainda tem dificuldades para alinhar a ideia às características de seus jogadores. 

Um exemplo claro dessa falta de visão sobre quais são bons e maus intérpretes na execução das ideias é o caso Cícero. Lento, sem pegada no meio e com passes burocráticos o segundo, ora terceiro, volante do tricolor não tem nenhuma das características que poderiam fazer o São Paulo fluir ofensivamente e ser intenso defensivamente. Outro aparente julgamento equivocado do treinador foi a constante mudança de posicionamento de Thiago Mendes, que rende muito mais vindo de trás com a bola carregada, mas que foi por diversas vezes escalado como meia centralizado ou aberto pela direita, onde não tinha espaço para progredir. Da mesma maneira as inúmeras tentativas com Gilberto e Pratto, que apesar de voluntariosos não conseguem funcionar juntos. 

Alguns dirão que o motivo é o elenco ruim, algo que eu discordo visceralmente. 

Embora não tenha o melhor elenco do país, o São Paulo certamente tem o sexto ou sétimo melhor. Ou alguém aqui consegue cravar indubitavelmente que o Santos tem melhor elenco? Ou que a diferença do Corinthians para o São Paulo é muito grande? Quem tem melhores jogadores? Fluminense? Botafogo? Chapecoense? Ponte Preta? Coritiba?  


Tais times jogam mais porque estão mais versados no modelo de jogo empregado. O São Paulo após seis meses ainda erra demais e executa mal as ideias tanto do projeto inicial quanto da versão adaptada.  Há que se dizer: adaptar-se é algo bom e necessário em qualquer clube de futebol, mas executar melhor também é essencial. 

Ceni provavelmente vai aprender com o tempo como executar, o que abandonar e o que manter, mas é necessário pontuar: não é questão de jogador! O São Paulo está pagando e pagará o preço de ter um técnico em fase de aprendizado dirigindo o time.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Uma prévia de São Paulo x Vitória

São Paulo e Vitória se enfrentam logo mais no estádio do Morumbi em jogo importante para os dois times. De um lado os baianos precisam vencer para se afastar da incômoda posição de candidatos ao rebaixamento, enquanto do outro, o tricolor quer um triunfo para atestar  que busca algo mais no Campeonato Brasileiro de 2017 além de um meio de tabela.  De acordo com as prováveis escalações os dois times alinharão dessa maneira:



(Na vaga de Maicosuel pode entrar Thomaz, enquanto na zaga há dúvidas sobre Lugano ou Militão e há dúvidas sobre o posicionamento de Mendes. Vale dizer que a numeração do Vitória é outra, salvo engano)


Caso os times entrem em campo dessa maneira o São Paulo terá novamente o desafio de fazer a bola chegar a Lucas Pratto.  Contra a Ponte Preta o argentino só recebeu uma com condições de finalização, enquanto contra o Avaí, apesar dos dois gols, só a ligação longa funcionou.  O problema todo reside nas características dos jogadores escalados por Rogério Ceni, sobretudo Cícero e Jucilei. Ambos são volantes "posicionais", ou seja, guardam a posição e raramente infiltram. Assim, toda a movimentação ofensiva e ligação entre os setores ficam nas costas do meia (Cueva, em péssima fase, Thomaz ou Maicosuel) e nas investidas pelos lados. O problema é que pelo lado o São Paulo não vai bem e ou cruza de qualquer jeito ou termina sendo desarmado.  São raras as jogadas que terminam em finalizações por ali. 


(O São Paulo raramente trabalha pelo centro para chegar ao gol adversário, o que força o jogo a ir para os lados, quase sempre sem sucesso) 

Por isso a outra alternativa do São Paulo para hoje me parece mais adequada; o sistema 4-3-3 com Thiago Mendes na dele, sendo o "infiltrador". 

(Com Cícero e Jucilei posicionados, cabe a Thiago Mendes levar a bola para o ataque, dando uma jogada central ao time ao menos. O problema é o contragolpe do Vitória, já que com a subida dos laterais e posicionamento dos volantes para momento ofensivo o time pode ficar desguarnecido com Maicon, Lucão e os laterais, que não vivem boa fase) 

Penso ainda que o ideal seria o São Paulo jogar com dois ou três atletas "rompedores", mas essa ideia parece estar longe de ser a do técnico Rogério Ceni. Aliás, há que se dizer... O discurso de que tinha inspirações em Osorio, Sampaoli e Guardiola parece cada vez mais distante da prática.  Sempre que confrontado com uma desvantagem o treinador são-paulino opta por aumentar a distância dos setores com Gilberto e Pratto aguardando bolas longas e Jucilei e Cícero presos à frente da zaga. Isso de nenhuma forma coincide com os pensamentos dos três estrangeiros supracitados.

Sobre a desculpa de que não tem jogadores para fazer o time envolvente e pressionando alto que deseja, coloco um campinho com o trabalho de Jorge Sampaoli:




(Vejam o time da Universidad de Chile em 2013. Diaz é o único "posicional" e do meio pra frente apenas jogadores de mediano pra baixo. Foi o jeito e as ideias que deram cara e ofensividade à equipe campeã da Copa Sul-Americana 2012 e que nesta foto já estava remontada) 



Fora a seleção do Chile na Copa 2014, que teve do meio para frente: Diaz, Aránguiz e Vidal - dois de ruptura e um de posição - e Valdívia, Sanchez e Vargas.  Não querem ficar no Chile e em Sampaoli? Sem problemas.  O Real Madrid tem o trio Casemiro, Modric e Kroos, enquanto no 3-4-3 do Chelsea os dois do centro são Matic e Kanté. Ou seja, sempre com jogadores de ruptura e infiltração juntando com algum mais de posição.

Quem seria os do São Paulo para fazer isso?  Thiago Mendes, Araruna, Wesley e até mesmo Cueva e Thomaz mediante algumas compensações para segurar a bronca sem a bola.


Enfim! Vamos ver logo mais!










quarta-feira, 10 de maio de 2017

"Você sabe com quem está falando?"

No último domingo três treinadores jovens da região Sudeste do Brasil puderam comemorar pela primeira vez a conquista de títulos como técnicos. As trajetórias de Roger Machado no Atlético Mineiro, Fábio Carille no Corinthians e Zé Ricardo no Flamengo até as respectivas taças, no entanto, foram de altos e baixos e nenhum deles se safou do famoso "está pressionado", mesmo que, de fato, não estivessem. 

Há contextos específicos para explicar a oscilação de humor de torcedores, dirigentes e segmentos da imprensa, mas um traço é comum aos três: a desconfiança. Desconfiança motivada principalmente pela ausência de títulos no currículo e que levou a conclusões pueris como "não tem tamanho para o clube" ou "peca pela inexperiência". São aforismos completamente subjetivos e que carecem de dados e fatos que os justifiquem, mas que mesmo assim são amplamente utilizados mediante os resultados obtidos. 

Por isso, Roger, Carille e Zé Ricardo "precisavam" tanto de um título; para terem a calma e a confiança necessárias para desenvolver um trabalho. É um raciocínio que contraria a lógica. A calma e a confiança necessárias para gerar um trabalho bem feito é que levam ao resultado e não o contrário. "Futebol é assim", dizem... Até é, mas cabe a cada um de nós refletir sobre isso e mudar o panorama se acharmos necessário.

Enfim, os três agora contam com o carimbo do campeão e terão uma resposta à cruel e ridícula pergunta: "ganhou o quê?".  Eu pergunto ao nobre leitor e aos partidários dessa ideia: "E você, ganhou o quê na sua vida?". Alguma taça? Prêmio por sua atuação profissional em algum lugar? Pois é... Nem por isso você não merece respeito e crédito no seu trabalho não é mesmo? 

Infelizmente é uma pergunta que segue sendo feita quando alguém não gosta do trabalho ou dos resultados - principalmente dos resultados - de algum treinador. É um fenômeno decorrente da incapacidade geral de analisar o jogo e de vários impulsos extra-futebol, mas sobre esse raciocínio específico faço a seguinte comparação: 

O "ganhou o quê?" é muito semelhante ao "você sabe com quem está falando?".

No texto "Sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil", o antropólogo Roberto Damatta entende que essa é uma construção social muito brasileira.  

Escreve ele: "No caso do Brasil, tudo indica que a expressão permite passar de um estado a outro: do anonimato (que revela a igualdade e o individualismo) a uma posição bem definida e conhecida (que expressa a hierarquia e a pessoalização); de uma situação ambígua e, em princípio, igualitária, a uma situação hierarquizada, onde uma pessoa deve ter precedência sobre a outra. Em outras palavras, o "sabe com quem está falando?" permite estabelecer a pessoa onde antes só havia um indivíduo".

O título faz o mesmo com o treinador de futebol, com a diferenciação de que na maioria das vezes não é o profissional que fala isso, mas sim quem quer analisá-lo (jogadores, dirigentes, torcida e imprensa). Seria mais correto dizer nesse caso: 

"Você sabe de quem está falando?"  
Do cinco vezes campeão brasileiro, do bicampeão da Copa do Brasil, do pentamundial e assim por diante...

O título confere distinção a um profissional que poderia, e deveria, ser avaliado pelo trabalho e pelas possibilidades que tem em seu clube. Essa diferenciação cria a desigualdade reclamada lá em cima: todos são treinadores, mas quem já ganhou algo merece paciência, compreensão e análise, enquanto quem nunca venceu título merece ironias e afirmações carentes de provas como "não tem tamanho", "é inexperiente" e assim por diante. 

Corroborando essa ideia, mas em um contexto de sociedade, Damatta escreve em seu ensaio: "Preferimos utilizar o domínio das relações pessoais - essa área não atingida pelas leis - como local privilegiado para o preconceito que, entre nós, como têm observado muitos pesquisadores, tem um forte componente estético (ou moral) e nunca legal".  

Se relevarmos o sentido de legal aqui (afinal não vamos prender ninguém por ser preconceituoso com o trabalho de um treinador)  temos exatamente a nossa realidade futebolística. 

Pessoalmente não tenho dúvida de que o futebol reflete a nossa sociedade. 
Da mesma maneira, estou convicto de que podemos fazer algo além de lamentar e dizer: "Futebol é assim..."

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Evolução e ruptura

"Não atingimos a evolução esperada".

Assim o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, "justificou" a demissão de Eduardo Baptista do clube. 

Me pergunto aqui: Qual seria a evolução esperada pelo presidente? Um Palmeiras que desse show e vencesse "time boliviano" sem problema algum?  Um Palmeiras que nadasse de braçada no Paulistão goleando rivais e empilhando mais um título?  Certamente ele não estava falando de resultados, já que foram apenas cinco derrotas em 23 jogos, sendo que apenas o revés para a Ponte Preta representou alguma consequência séria para o ano do clube. Será que esperava uma sequência do excelente trabalho de Cuca?  Impossível! Qualquer um sabe que Eduardo Baptista não era o nome para manter o que o campeão brasileiro fazia! Ele era o nome para mudar e - quem sabe - evoluir o time. 

"Mas como?!?!  Evoluir um time campeão nacional?! Com o melhor aproveitamento dos pontos corridos?  Melhor ataque, melhor defesa, melhor saldo, melhor bola aérea??!?!"

Sim. Eduardo era o nome para evoluir o time; evoluir o DESEMPENHO do time. 

Apesar dos méritos de Cuca serem inegáveis, também é difícil refutar a ideia de que o jeito de jogar dava claras mostras de esgotamento. A estratégia de pressão média/alta, lançamentos para ganhar a segunda bola e jogadas ensaiadas estava sendo aprendida pelos rivais e não foram poucos os jogos nos quais o Palmeiras poderia (pelo grande elenco que tinha) ter atropelado os rivais com atuação e resultado e não o fez. Cito de cabeça e muito brevemente as partidas contra Internacional, Santa Cruz, Figueirense e América Mineiro, além da precoce eliminação na Copa do Brasil. "Ah, mas ganhou!". Sim, a conversa aqui é DESEMPENHO, o "como" jogou, o quanto foi bem e o de que maneira venceu. 

Achar que se Cuca tivesse ficado o time seguiria crescendo é mexer com o imponderável. É mais uma crença do que um fato e o fato é que Cuca não ficou e o Palmeiras reforçou o elenco de modo a ter mais opções de jogo.  Cuca seria capaz de dá-las? Não o fez no Atlético Mineiro e o clube seguiu até 2017 refém (pelo bem e pelo mal) do que ele construiu em 2013, emendando Levir Culpi e Marcelo Oliveira para tentar "manter o que vinha dando certo" e fritando os "táticos e calmos" Autuori e Diego Aguirre. Nem Levir, nem Marcelo ficaram no Galo. Por que será?! 

Da mesma maneira, o trabalho de Eduardo Baptista ganhou desde o primeiro dia a má vontade da torcida e parte da imprensa. Afinal de contas ele, tal qual Aguirre e Autuori no Galo, representava uma ruptura com a sequência Marcelo Oliveira e Cuca, "um jogo chato" de posse de bola e paciência, que teve no duelo contra o Corinthians o auge da mediocridade. Mas... Era justo cobrar algo ali? Em 22 de fevereiro?! Enfim... Essa ruptura demanda tempo e o Palmeiras estava no caminho até o apagão e derrota para a Ponte Preta em Campinas. 

Contra o São Paulo o alviverde fez uma partida de manual, contra o Santos dividiu protagonismo no primeiro tempo, caiu muito na etapa complementar, mas teve forças para - mediante mudanças do treinador - conseguir a vitória. Se teve dificuldades contra o Tucumán, com um a menos, teve espírito e garra para arrancar uma vitória contra o muito bem organizado Jorge Wilstermann, enquanto diante do Novorizontino deu baile nos dois jogos. "Ah, mas quem é Novorizontino?"  Era o time que estava na semifinal. 

O primeiro tempo ruim diante do Peñarol foi obscurecido pela gigante atuação na segunda etapa, com o Palmeiras saindo atrás, mas criando para fazer seis e não só três gols (Borja perdeu pênalti, Tche Tchê teve bola tirada em cima da linha e Willian perdeu gol sem goleiro). Veio então a Ponte Preta e um primeiro tempo ridículo...

Felipe Melo perdeu todas, Prass falhou em dois gols, Zé Roberto foi de boca no chão... 

Bom, falou-se em ressaca e falta de concentração e acho que nesse caso específico se aplica. No jogo da volta, na Arena, Eduardo Baptista fez a primeira experimentação com os três zagueiros e apesar de o resultado necessário não ter vindo, o Palmeiras teve uma atuação boa. 

Eduardo então quis manter  os três zagueiros contra o Peñarol, mas fez duas mudanças em relação ao time que bateu a Ponte Preta: colocou Felipe Melo no meio e tirou Tche Tchê do time.  Não deu certo. Ambos nas posições daquele sábado eram a sustentação do esquema... Vitor Hugo foi um desastre, Egídio ficou totalmente perdido e a distância entre os setores foi um negócio absurdo... Baptista ERROU. Errou, mas corrigiu, e no segundo tempo o Palmeiras fez três gols com até certa facilidade. 

Bom, e aí chegamos no jogo contra o Jorge Wilstermann. Sem Melo, sem Dracena e sem gramado adequado para jogo de posse de bola, o Palmeiras abusou dos lançamentos e viu a equipe boliviana se aproveitar de erros absurdos de Vitor Hugo, Jean e Prass para chegar à vitória. Para mim essa foi a pior atuação do Palmeiras no ano, mas não justificaria demissão alguma. Caberia a Eduardo corrigir a bola parada defensiva, juntar mais os setores do time e esmerar a criação de jogadas com a bola no chão, algo que não pôde ser medido nos últimos três jogos por conta dos cenários enfrentados.

Era para CORRIGIR e não ROMPER.

Eduardo foi demitido pela falta de evolução... Em quatro meses era pro Palmeiras jogar bem e ganhar, segundo os dirigentes. Se fosse para dar sequência no que Cuca vinha fazendo eu acho que poderiam dizer isso sim. Se fosse para criar algo novo e evoluir então não, quatro meses não são suficientes.

Fato é que a tese burra de que Eduardo não tem tamanho para o Palmeiras ganhou cada vez mais adeptos e o contratador Alexandre Mattos não quis segurar a bronca. Eduardo que foi campeão com o Sport, que melhorou muito a Ponte Preta e que não foi bem no Fluminense, onde nos últimos dez anos só Muricy e Abel tiveram sucesso.

Tamanho de treinador se faz com tempo, respaldo e bom trabalho e não com currículo passado (que o digam Muricy, Scolari e Marcelo Oliveira no Palmeiras). O próprio Cuca, aliás, era o "azarado chorão" até chegar ao Atlético Mineiro!

Enfim! Cuca deve voltar e o Palmeiras tentará um revival... Um revival daquele  time do início do Brasileirão 2016, quando o treinador teve tempo para treinar.  Dessa vez, no entanto, os jogadores vêm de quatro meses de estilo Eduardo e não oito de estilo Marcelo Oliveira... O Palmeiras não tem mais Gabriel Jesus e por ora não tem Moisés... Vai dar certo? Por ora é mais uma crença, do que um fato, mas como é bom calar a voz argumentativa e se entregar à fé não é mesmo? 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Dicionário tático do futebol brasileiro!


A trigésima primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2016 terminou cheia de emoções, tal qual preconiza o futebol daqui! 

Além de gols, dribles e cruzamentos, tivemos mais uma jornada pródiga em decisões questionáveis da arbitragem, elevando consideravelmente a imprevisibilidade da competição deste ano. Os dirigentes também passaram a se destacar mais nessa rodada, ao decidirem vestir a camisa e colocar a bola e o regulamento debaixo do braço! 

Tem gente que reclama, mas esses são contrários ao que faz o nosso futebol único! 

Já passou da hora de aceitarmos que somos o país do futebol por causa do charme das nossas competições, dirigentes e times. Faz parte da nossa tradição! 

Criticar uma decisão de campeonato emocionante como essa seria o mesmo que ir contra o o grito de raça, o xingamento no tiro de meta, a desculpa do cansaço da maratona de jogos e o pedido de pênalti em qualquer bola que bata acima da cintura do defensor! Ou seja...Tentativas absurdas de acabar com nossos diferenciais e tradições! 

Enfim... Preocupado com tudo isso, decidi deixar a minha contribuição para que sejamos capazes de manter o alto nível do debate. Assim, compilei aqui uma espécie de dicionário de tática do futebol brasileiro: 



Amplitude: É a classificação dos muitos motivos que levam a um fracasso de gestão ou a um resultado não esperado no futebol brasileiro.  Ex: "É muito complicado fazer futebol no Brasil. O calendário é ruim, a qualidade técnica do jogador é baixa, há as convocações para a seleção, o gramado é um pasto...."

Análise de desempenho: É a discussão sobre a performance do time, o trabalho do treinador e de outros profissionais. Ex: Ganhou? Bom! Perdeu? Ruim.
 
Jogar nas entrelinhas: Trata-se do ato de falar sem dizer - e principalmente sem provar - que o campeonato está armado ou que só um time está sendo prejudicado. 

Jogo apoiado: É o movimento de vender uma imagem simpática e de competência para a imprensa e torcida. Mediante a aprovação e empatia do público-alvo, haverá quase sempre o apoio para que qualquer decisão, por mais absurda que seja, passe a ser razoável e correta.

Pressão: É o movimento de insinuar publicamente que os árbitros não estão preparados para determinado jogo, ou relembrar que seu clube foi prejudicado na rodada passada. A pressão pode variar em:

a) Pressão média: quando o dirigente aparece para dar coletiva ao lado de um jogador ou treinador, mesmo sem ter assunto para tratar.

b) Pressão alta: quando o dirigente convoca uma coletiva de imprensa para falar mal da arbitragem e insinuar manipulação no campeonato.  

Profundidade: É algo a ser evitado a todo custo quando o assunto for futebol. Apenas debates e temas rasos devem ter tempo na televisão ou no boteco. 

Transição: É um momento específico do clube que dura 38 rodadas no campeonato nacional. Os times estão sempre em transição de algo para outra coisa, sem no entanto chegar a lugar nenhum. Trata-se de um expediente muito útil para justificar derrotas ou trabalhos aquém do esperado.


Triangulação: Diz-se da troca de declarações entre três partes. Normalmente ela se dá com o dirigente opositor ligando para um jornalista para plantar uma notícia falsa a fim de desestabilizar quem está no poder. O jornalista então não checa a informação e divulga para o público, que é o vértice final do triângulo e que pode pressionar o mandatário vigente. 

Verticalidade: É a relação do presidente do clube com os demais setores da agremiação, mesmo que o mandatário não tenha experiência ou conhecimento para tomar decisões em outras áreas. Ex: Ao demitir o treinador que teve três resultados ruins o presidente diz: "Essa diretoria peca pela ação e não pela omissão". 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Elencão 2016

Ontem a caminho do Pacaembu eu e os excelentes Guilherme Pradella, Raphael Prates e Roberto Lioi fizemos um exercício de imaginar os elencos brasileiros sem treinadores para prever a posição final das equipes.

Não lembro a opinião específica de todos, mas em linhas gerais (e o que eu ficar na dúvida vai ser da minha cabeça) chegamos a essa tabela.

*Imagine os times como se fossem no Fifa, com atributos dos jogadores e sem esquema tático, momento ou características do treinador e do clube envolvidos na análise


1- Atlético Mineiro
2- Palmeiras
3- Flamengo
4- Cruzeiro
5- Fluminense
6- Santos
7- Corinthians
8- Grêmio
9- Internacional
10- Sport
11- São Paulo
12- Atlético Paranaense
13- Botafogo
14- Ponte Preta
15- Chapecoense
16- Vitória
17- Coritiba
18- Figueirense
19- Santa Cruz
20- América Mineiro

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Saga FM: 03 - Consolidação do OM

Na segunda temporada obtivemos o primeiro título ( a Copa da França) e um jeito de jogar nosso já era uma realidade. Entrando na temporada 17-18 a ideia era alçar voos maiores e para isso a conta bancária seria nosso auxílio! 




- Andrés Guardado para jogar como segundo volante e ala esquerda
- Cerci para desequlíbrio no terço final das jogadas ofensivas
- Diego Alves para rodar com Mandanda entre Champions e Ligue 1
- Santi Mina para ser opção de banco e prospecto para os anos vindouros
- Gary Cahill para a zaga ao lado de Dória e Rekik
- Nampalys Mendy para o banco de Diarra
- Honda para rodar com Cabella como camisa 10
- Kiessling para ser o nosso centroavantão de área no caso de Batshuayi não funcionar.

Os demais foram apostas para o futuro! Vamos aos resultados!



Passamos para o grupo da Champions com Arsenal, Dortmund e Celtic e apesar de alguns tropeços nos demos muito bem nas duas frentes. Em destaque o triunfo contra o rival Paris St. Germain! 


Ignorem aquela derrota de 6 a 2 e o 3 a 1 sofridos para Arsenal e Paris St. Germain!  Foquem na "vingança" de Adrián Ramos aqui do lado direito! Brincadeiras à parte, fomos ao mercado em janeiro atrás de dois meias para dar mais criatividade ao nosso insano e veloz time. Conseguimos excelentes barganhas nas figuras de Adama Traoré e Charles Aránguiz! 

Nem tudo foram flores, no entanto, de forma que na Ligue 1 seguimos bem, mas na Champions não fomos páreos para o City! 




A Copa da França e a Ligue 1, no entanto foram nossas!


E aqui o time da temporada 17-18 para deleite dos nossos scouts e "contratadores"