terça-feira, 31 de julho de 2012

Uruguai perde e sonho pode virar pesadelo olímpico

O tal do sonho e sono de Tabárez virou pesadelo nesta segunda-feira. Depois de ter conquistado a duras penas a vitória sobre os Emirados Árabes Unidos e ver seu time bem encaixado no esquema tático, o técnico uruguaio teve que dormir pensando na derrota por 2 a 0 para o Senegal. Desvantagem que aconteceu ainda no primeiro tempo - dois gols de escanteio - e com a qual os uruguaios não souberam lidar, mesmo tendo um jogador a mais desde os 30 minutos. Faltou inteligência e intensidade para a Celeste, que agora precisa de uma vitória para não ser eliminada na primeira fase da competição. 

No domingo Tabárez deu a mão à palmatória e escalou o Uruguai da mesma forma que a equipe havia triunfado no segundo tempo da estreia nos Jogos Olímpicos. Ou seja: com uma linha de quatro atrás e com Lodeiro de enganche e Ramírez a seu lado. O começo do jogo contra Senegal, no entanto, mostrou os uruguaios sem concentração alguma. Com a intensidade física e a velocidade - características marcantes da equipe africana - os senegaleses colocaram o Uruguai contra as cordas e abriram o placar aos nove minutos. Na cobrança de escanteio Gastón Ramírez perdeu o adversário que deveria marcar e no rebote Konate anotou. A sequência do jogo mostrou a Celeste tentando jogar, mas de forma pouco inteligente, com muitas bolas longas, e com dificuldade extrema para ganhar qualquer lance dos altos e fortes defensores de Senegal. 

Um momento que poderia/deveria ser crucial para o jogo veio aos 30 minutos, quando o zagueiro Ba foi expulso depois de somar dois cartões amarelos. A vantagem númerica, porém, não foi traduzida em lances produtivos. Pior: Antes do fim do primeiro tempo Konate, outra vez, marcou de cabeça após cobrança de escanteio. Méritos dos senegaleses e outra vez deméritos da defesa uruguaia, já que Cavani não marcou quem deveria. 


Uruguai no 4-3-1-2, com Lodeiro de enganche, Ramirez apoiando pela esquerda e Suárez e Cavani se movimentando à frente. Depois dos 30 minutos, mesmo com um jogador a mais os uruguaios não foram capazes de furar as duas linhas de quatro senegaleses. A compactação, a intensidade e a força dos marcadores de Senegal minou qualquer esforço dos técnicos Lodeiro e Ramírez e do veloz Suárez.  Vale dizer: Tabárez inverteu os laterais durante a partida por conta da ameaça de Mane pela direita. Vendo que Albin não dava conta, El Maestro mandou Arias para aquele lado.


No segundo tempo o Uruguai voltou com Abel Hernández no lugar de Calzada. A ideia era dar mais opções no setor ofensivo e também aliviar a situação de Gaston Ramírez, dando mais espaço para que o jogador do Bologna pudesse criar. A segunda parte funcionou, mas o camisa 10, apesar de bons lançamentos, não conseguiu o suficiente para o Uruguai diminuir. Muito também por causa da apatia de Cavani e das arrancadas atabalhoadas de Luis Suárez. 

No segundo tempo o Uruguai veio com três atacantes e deixou Ramírez com mais espaço para jogar. Não funcionou. A marcação de Senegal continuou sendo perfeita e as poucas chances da Celeste não lograram êxito. 

Numa última tentativa desesperada, Tabárez colocou o Uruguai numa espécie de 3-4-3 com as entradas de Urretavizcaya no lugar de Albín e de Viudez na vaga de Lodeiro. Mais uma vez não funcionou. 

Nos últimos minutos, Viudez tentou fazer a bola chegar até o trio de frente com velocidade, enquanto Ramírez abusou dos lançamentos. No fim, nem Suárez, nem Cavani, nem Hernández tiveram chances claras de marcar.

Alguns jornalistas contestaram a ideia de Tabárez manter três zagueiros contra somente um atacante senegalês. O problema é que os africanos pareciam não sentir cansaço algum e tanto Mane, quanto Souare continuaram sendo ameaças até o fim da partida. 

Enfim... Nesta quarta-feira o Uruguai precisa vencer e o técnico da Celeste já anunciou mudanças. A equipe deverá vir a campo num 4-3-3 com: Campaña; Arias, Coates, Rolín e Aguirregaray; Arévalo, Torito Rodríguez e Ramírez; Viudez, Suárez e Cavani. 

Essa é a formação hipotética, uma vez que Tabárez pode armar, com os mesmos jogadores, um 3-4-3, um 4-4-2 ou um 3-5-2, dependendo do posicionamento de Aguirregaray, Arias, Cavani e Viudez. É mais uma tentativa de fazer a bola chegar até a dupla de ataque que, infelizmente para os uruguaios, ainda não funcionou nestas Olimpíadas. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O sonho e o sono de Tabárez

Tabárez teve uma noite de sono sofrida de quinta pra sexta. De um lado pôde relaxar com a boa vitória por 2 a 1 sobre os Emirados Árabes Unidos, resultado que dá tranquilidade para o restante da fase de grupos do torneio de futebol das Olimpíadas. Por outro, el Maestro certamente ficou ruminando e remoendo pensamentos sobre o esquema tático da Celeste. 

O 3-4-1-2 que ele tanto tenta colocar em prática na seleção não funcionou de novo, como já não tinha funcionado nas Eliminatórias para 2010, na estreia da Copa e em alguns momentos da preparação para os Jogos. Mesmo assim, Tabárez insiste em ver o time jogando desta maneira. Não é uma questão de desempenho, uma vez que a equipe teve ótimos momentos nos últimos dois anos jogando no 4-3-3, no 4-4-1-1 e no 4-3-1-2, mas de preferência mesmo. Ao virar de um lado pra outro da cama e lembrar do desempenho nos primeiros 45 minutos desta estreia, o técnico da seleção uruguaia pode ter desistido outra vez.

No primeiro tempo o 3-4-1-2 uruguaio foi péssimo. Atuando contra o 4-4-2 emiratense, a Celeste não conseguiu coibir a boa troca de passes entre os meias centrais e os dois atacantes da equipe adversária. O motivo era claro: com o recuo dos jogadores mais avançados, os Emirados Árabes tinham espaço e tranquilidade para tocar a bola e se projetar entre a linha de defesa uruguaia e a dupla de volantes. Como o trio de zaga mantinha sua posição, Arévalo Rios e Calzada tinham que combater quase sempre quatro jogadores por aquela zona e vez ou outra ainda cobrir o avanço dos alas do Uruguai. 

Uruguai no 3-4-1-2, com Ramírez encaixotado pela marcação e zagueiros sem efetividade na faixa intermediária. Trocas de passes entre Abdulrahman, Haman, Matar e Khalil acabaram
com a defesa Celeste.

Quando Coates, Rolín e Arias quiseram avançar o bote, os comandados de Tabárez tiveram problemas. Foi assim que saiu o primeiro gol dos Emirados Árabes, com Matar recebendo um belo passe de Haman. 

As coisas também não funcionaram no âmbito ofensivo. Graças à boa marcação dos emiratenses e, novamente, ao espaço entre as linhas de defesa e meio de campo, o Uruguai só conseguiu chutões pra fente. Cavani e Suárez pouco fizeram porque pouco ficaram com a bola... Ainda assim, Luisito sofreu a falta que originou o gol de Gastón Ramírez na primeira etapa. 

O empate tranquilizou um pouco a situação uruguaia, mas Tabárez sabia que a equipe precisava mudar. Aí entrou a grande diferença do Uruguai para as demais seleções destas Olimpíadas: a preparação. Como a Celeste teve tempo para treinar, o técnico também teve tempo para testar outras formações e aperfeiçoá-las (vale conferir aqui). Desta forma o Uruguai veio para o segundo tempo com Lodeiro no lugar de Aguirregaray e voltou ao 4-3-1-2. 

No segundo tempo o 4-3-1-2 surtiu efeito. Lodeiro teve ótimo desempenho como enganche e Ramírez foi bem na armação e compactação do setor de meio de campo. Atrás, Coates e Rolín 
não tiveram problemas.

Com um jogador "a mais" no meio de campo, os uruguaios diminuíram o espaço à frente da zaga e começaram a conectar melhor os ataques. Foi assim que Suárez recebeu na esquerda, passou pela marcação e deixou Lodeiro chutar para marcar o 2 a 1. Daí em diante só deu Uruguai. 

Ciente do problema, os Emirados Árabes passaram a atuar com um a mais no meio... A solução deu  segurança defensiva à equipe árabe, mas não foi bem sucedida no quesito ataque. No final a vitória foi justa. 

Resta a dúvida sobre o que Tabárez fará para o confronto contra Senegal. Vai manter o esquema vitorioso? Ou vai insistir com seu conceito de como o time deveria atuar?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Uruguai: favorito à medalha de ouro nas Olimpíadas


Os discursos e os momentos dos dois representantes sul-americanos nas Olimpíadas de Londres são bastante distintos. Enquanto o Brasil está em baixa e sofre com cobranças públicas de torcedores e até mesmo do presidente da confederação de futebol, o Uruguai vive grande momento e seu técnico fala que a ideia é preparar jogadores para o futuro. 

Discursos e motivações à parte, o fato é que as equipes brasileira e uruguaia - ao lado da espanhola - estão entre as favoritas para a conquista do ouro. Não à toa; a qualidade individual e cancha dos atletas - muitos já são titulares na Europa - coloca os sul-americanos em grande posição para pleitear o título, inédito para o Brasil e que representaria o tricampeonato da Celeste. O Uruguai, no entanto, vem melhor, não só pela falta de pressão, mas pelo fato de grande parte da equipe estar treinando há quase dois meses junta. 

O primeiro teste com os veteranos foi feito nesta quarta-feira, contra o Chile Sub-23. A partida teve o extraordinário placar de 6 a 4 para os uruguaios, o que representou bem a peleja: grande qualidade do meio pra frente e indolência no trabalho defensivo. Ainda assim o jogo serviu para Tabárez colocar os seus três "sobre-23" para jogar com os moleques. E há que se dizer: Arévalo Rios, Suárez e Cavani parecem desde já escolhas acertadíssimas de el Maestro. 

Uruguai no 4-3-3 com Arévalo marcando, e Ramirez e Calzada ajudando também no trabalho defensivo. O objetivo é um só: fazer a bola chegar com qualidade para Suárez e Cavani. 

Diferentemente do usual 4-3-3 do time principal, que conta com dois marcadores implacáveis (Pérez e Arévalo) e um homem de saída de bola, mas também marcação (Palito Pereira), Tabárez mandou o time a campo com um volante pegador (Arévalo), um de saída (Calzada) e um meia autêntico (Gastón Ramírez). O motivo é claro: o terceiro homem de frente do Uruguai é Urretavizcaya, que ajuda demais no combate na linha de meio de campo, ao contrário de Forlán, Cavani e Suárez. Assim os camisas 7 e 9 devem ter mais liberdade com a seleção olímpica, e também devem receber mais bolas durante os jogos, uma vez que, apesar da boa experiência na Copa, Forlán não tem conseguido fazer com correção o recuo para a armação de jogadas. É importante ficar de olho no desempenho da equipe desta maneira, porque pode significar uma mudança no pós-Olimpíada para a equipe principal, por mais doloroso que seja tirar Forlán, Cavani ou Suárez do time titular. 

O início da partida contra os chilenos foi terrível. O Uruguai levou dois gols em 10 minutos e deixou péssima impressão, sobretudo no setor defensivo, onde Coates destoou demais. De toda maneira, a partir dos 20 do primeiro tempo a equipe reagiu. Arévalo tomou conta do meio de campo e até lançamentos começou a acertar. Suárez (2x) e Cavani deram a virada aos uruguaios ainda na etapa inicial. 

Com a vitória parcial e bom momento psicológico do time, Tabárez decidiu testar variações para os Jogos Olímpicos e mandou a equipe em um 3-4-1-2 bastante assimétrico, com Ramirez flutuando muito entre o centro e o lado esquerdo do campo e com Urretavizcaya fazendo um ala direito bastante avançado.

No segundo tempo o lateral-direito Arias passou a jogar como terceiro zagueiro, enquanto Albin avançou um pouco e Urretavizcaya atuou mais recuado. 

Jogando desta maneira o Uruguai fez mais dois gols: um de Suárez, com ótima enfiada de bola de Ramirez, e outro de Cavani, quando Rodríguez e Aguirregaray já estavam em campo. As substituições que resultaram no 5 a 2 foram as primeiras de uma série de testes do técnico uruguaio, que ainda viu sua equipe fazer mais um gol e tomar dois. 

Após diversas mudanças, Tabárez testou um 5-3-2 para testar uma nova formação e dar cancha aos jogadores considerados reservas.

Em suma: o primeiro grande teste foi satisfatório, mas o Uruguai precisa urgentemente tratar do setor defensivo. Coates não pode continuar como titular com atuações deste nível, enquanto Rolín ainda peca pela inexperiência. Os laterais foram bem e Campaña mostrou que pode ser titular sem sustos. Do meio pra frente nada a retocar, só a aprimorar. É assim que o Uruguai vai em busca da medalha. A dourada. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Não falta elenco ao São Paulo

Após o anúncio da queda do técnico Emerson Leão, um bocado de torcedores são-paulinos e analistas do futebol cravaram que a atitude da diretoria não ia resolver nada e que o problema do tricolor paulista era não somente o técnico, mas o elenco... É bem verdade que o São Paulo não tem uma gama de atletas capaz de formar o melhor grupo do país, mas se olharmos para os rivais é difícil cravar que o time da capital tem menos opções do que os demais concorrentes ao título do Campeonato Brasileiro.


Para ficarmos em dois exemplos paulistas que chegaram às semifinais do maior torneio de clubes do continente: o Corinthians é tão melhor que o São Paulo nos valores de seus atletas? Posso admitir que Cássio seja melhor que Dênis, mas não que Alessandro e Fábio Santos sejam superiores a Douglas e Cortêz, por exemplo. Da mesma forma, se Castán está acima da concorrência, Rhodolfo tem o mesmo nível do Chicão de hoje, ao menos. No meio Paulinho, Ralf e Sheik ganham fácil, mas Lucas, Jádson e Luís Fabiano venceriam a parada contra Alex, Danilo (em que se pese o poder de decisão) e Jorge Henrique. A diferença não é tanta assim.

O mesmo se aplica ao multicampeão Santos. Rafael e Dênis se equivalem. Durval e Dracena vencem a briga  contra Paulo Miranda, mas ficam no mesmo nível de Rhodolfo. Cortêz é melhor que Léo e Douglas equivale com o improvisado Henrique. No meio os dois volantes dão um banho nos dois do São Paulo, enquanto Lucas ganha de Elano, o Ganso deste ano se equivale a Jádson, Neymar vence de lavada qualquer concorrente e Luís Fabiano é melhor do que Borges ou Alan Kardec. Novamente... O elenco do São Paulo é tão inferior? 

Por isso desde fevereiro fui favorável à queda de Emerson Leão. O agora ex-treinador são-paulino não foi capaz de construir um time com peças, no mínimo, boas como as que ele tem. Nenhum time da primeira divisão tem um elenco com onze bons jogadores. Cabe então ao treinador apostar nos pontos fortes e mitigar os pontos fracos. Leão em nenhum momento sequer montou um time, razão pela qual o São Paulo  procura agora um técnico capaz de formar um com as peças que tem. A ausência de Wellington e de Fabrício serão empecilhos, mas não é impossível armar uma equipe competitiva e de qualidade. Como por exemplo esta: 


Se o novo treinador são-paulino se atentar às características dos jogadores que tem, verá que o São Paulo tem dois ótimos alas nas figuras de Cortêz e Douglas e fraquezas defensivas na dupla de zaga. Uma forma de resolver isso seria apelar para os três zagueiros em um primeiro momento, com Rodrigo Caio sendo o volante marcador no lugar de Denílson, que deve voltar à Inglaterra. Esta sim é a posição do garoto são-paulino, que foi o melhor primeiro volante da Copa São Paulo de Juniores em 2010. Ao seu lado poderia estar Casemiro, com obrigação de marcar, e vez ou outra subindo ao ataque. Jádson orquestraria o time e os avaços dos alas, com Lucas pela esquerda - o que favorecia cortes para o meio e chutes com a direita - e Fabuloso no comando de ataque. 

Se não for um entusiasta do esquema com três zagueiros, o novo maestro do São Paulo pode apostar em um 4-3-1-2: 

Nesse caso a equipe apostaria na força e qualidade de Maicon e Casemiro para saírem para o jogo. Lucas poderia fazer grande parceria com Cortêz, novamente na esquerda, enquanto Rodrigo Caio seguraria a bronca no meio e Píris (com o número errado na figura) faria a marcação lá atrás. Cabe atentar que o grande mérito de Píris é sim a marcação. Fazer dele um lateral "à brasileira" não é certo. 

Por fim, há sempre a possibilidade de manter o time atual no 4-2-3-1, mas treinar com afinco o posicionamento dos jogadores para que não haja espaço entre as linhas de defesa, meio e ataque. Também vale orientar melhor os atletas são-paulinos na questão da marcação desde o ataque. No Corinthians, Émerson e Jorge Henrique acompanham os laterais desde o campo de ataque. Por que no São Paulo isso seria diferente? 

No 4-2-3-1 de sempre, Rodrigo Caio seria o volante mais preso, com Cícero compondo e fazendo a saída. Osvaldo marcaria o lateral direito adversário e Lucas o esquerdo. Na zaga Bruno Uvini no lugar de Paulo Miranda para mostrar que há opções, mesmo que de nível mediano. 

Resumindo: o São Paulo tem um bom time. Talvez não o suficiente para ganhar o Brasileirão, mas certamente bom o bastante para concorrer por uma vaga na Libertadores e para evitar que qualquer treinador fique dando desculpas em vez de treinar os atletas e bolar saídas para os problemas que são e vão ser enfrentados. Nada de chute depois de cambalhota e polichinelo... O novo São Paulo tem que treinar futebol. Tem que treinar tática... Sim, tática faz parte. Não é coisa de quem nunca chutou uma bola... 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Universidad de Chile busca seu maior feito


A Universidad de Chile entra logo mais no gramado do Estadio Nacional, em Santiago, buscando o maior feito da Era Sampaoli. Maior feito do ponto de vista simbólico - a chegada à decisão da Libertadores da América - e do ponto de vista pragmático, uma vez que terá que reverter um 2 a 0 sofrido para o Boca em La Bombonera. Nem a vitória sobre a LDU na altitude de Quito em uma decisão de Sul-Americana, nem o triunfo por 6 a 0 sobre o Deportivo Quito quando a equipe precisava de três gols... Nenhuma dessas façanhas irá se comparar ao que La U aspira para esta quinta-feira. 

Para alcançar esta meta, Jorge Sampaoli está até mesmo disposto a abdicar do seu tradicional esquema tático para uma formação mais equilibrada. Com as ausências de Lorenzetti e Acevedo por contusão, o treinador argentino anunciou que mandará à campo o atacante Francisco Castro e o meiocampista Guillermo Marino. Mais do que escolher substitutos, a opção do comandante dos azules é tática. Na Argentina, La U sofreu demais com as descidas de Riquelme e a constante flutuação de Mouche pelos cantos do campo. A linha de três zagueiros em nenhum momento conseguiu se antecipar aos avanços do Boca, enquanto o meio de campo com dois homens - Aránguiz e Díaz - ficou perdido em meio aos recuos do 10 xeneize e avanços de Erviti e dos laterais. 



Após o segundo gol do Boca, Sampaoli mandou Paulo Magalhaes a campo no lugar de Mathías Rodríguez, que fez péssima jornada. Com uma linha de quatro defensores La U melhorou a marcação, mas pouco criou. Muito também porque nenhuma das peças azules rendeu o que se esperava. Os erros de passe foram muitos e as tradicionais marcação sob pressão e intensidade no ataque passaram longe da partida... 


Embora não tenha anunciado como a equipe vai jogar nesta quinta, é possível imaginar La U em um 4-3-3 variável para 4-2-3-1, como mostra a figura abaixo: 



Esse esquema foi utilizado contra o Deportivo Quito também em Santiago e rendeu frutos à equipe, como ficou nítido pelo placar de 3 a 0 conseguido ainda no primeiro tempo. De maneira alguma é possível esperar esse resultado contra o Boca, mas a linha de quatro atrás deverá dar mais segurança defensiva à equipe chilena, uma vez que sempre haverá um defensor na sobra para bater com o trio Riquelme, Mouche, Silva. Com a bola, Rodríguez e Mena devem avançar de maneira alternada, acionando Marcelo Díaz e contando com a movimentação intensa de Castro, Henríquez e Fernandes no ataque. Vale atentar para a tentativa de La U de jogar pelos lados do campo... Na Bombonera essa forma não deu certo em nenhum momento, mas o desenho tático favorece disputas 2x1 nas laterais. Eventualmente, La U pode ainda partir para um 3-4-3 ou 3-3-4 suicida, com as subidas de Rodríguez ou Mena para uma ou duas linhas "acima". 



Ao Boca resta apostar nos contra-ataques. La U dá muito espaço quando não tem a bola e o fato de atacar sempre com seis ou sete jogadores poderá ser uma grande vantagem para a equipe xeneize. O desfalque de Insaurralde na zaga será sentido, mas a volta de Clemente Rodríguez à lateral esquerda deverá manter a segurança defensiva. 

Será um jogão de bola. La U vai atacar. O Boca vai contra-atacar. A vantagem é argentina, mas ninguém pode duvidar desta Universidad de Chile. 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dano irreparável

A seleção sub-23 do Brasil enfrenta neste sábado a equipe principal da Argentina. O confronto será o último, e mais difícil, teste dos meninos brasileiros antes das Olimpíadas deste ano. Meninos de fato, já que as ausências de Thiago Silva e David Luiz por contusão devem resultar na titularidade da dupla Juan, 20 anos, e Bruno Uvini, 21 anos. Os dois já se conhecem da seleção sub-20 de 2011, quando formaram a zaga titular na maior parte do Sul-Americano e do Mundial da categoria, ambos vencidos pelo Brasil. 

E Mano Menezes também conhece os dois... Razão pela qual cogita tirar um atacante para colocar Casemiro em campo contra os argentinos. Embora fale que isso se deve a uma possível alternativa tática frente à formação argentina, está mais do que na cara que o técnico da seleção principal não confia na jovem dupla. E por incrível que pareça esta não é uma situação inédita. Em seus primeiros dias de seleção sub-20 Ney Franco também percebeu que a dupla de zaga era ruim mesmo contra garotos da mesma idade e que seus laterais - um deles Danilo, que também têm feito atuações ruins nesse giro de amistosos - não eram capazes de marcar e apoiar com qualidade no 4-2-3-1, que se tornou padrão em todas as seleções brasileiras. Por isso o treinador mandou às favas aquela história de formar jogadores e um esquema e apelou: decidiu recuar Casemiro para fazer uma função de terceiro zagueiro e liberou Danilo e Alex Sandro pelos lados. 

O Brasil venceu o Sul-Americano e o Mundial da categoria, mas ainda hoje paga o preço da decisão de vencer a todo custo. Em vez de ter dois zagueiros confiáveis, Mano tem dois meninos que só se deram bem quando acompanhados de um terceiro homem... Em vez de ter dois laterais jovens confiáveis, Mano tem em Danilo e Alex Sandro dois alas e nada mais. Em vez de ter um volante pegador ou um camisa 8 de boa saída e pressão, Mano tem em Casemiro uma figura que não dá conta de nenhuma das duas funções e que só rende algo se for "sacrificado" para dar mais segurança na zaga. 

É claro que a culpa não é apenas de Ney Franco ou do próprio Mano; é também, e na verdade mais ainda, dos clubes formadores. No entanto, não há como negar que ambos tiveram pelo menos um ano para resolver esta carência e nada fizeram. Sim, Thiago Silva e David Luiz estão por aí, mas... E o tal do futuro? Ao insistirem no resultado acima da formação, Mano e Ney "mimaram" Uvini, Juan, Danilo, Alex Sandro e Casemiro e não deram espaço para atletas que talvez se adaptassem e crescessem com a camisa amarelinha e o esquema proposto. Ao abrirem mão do esquema com dois zagueiros, os dois técnicos da seleção brasileira de futebol também abriram mão de todo aquele projeto bonito de formar um time para o futuro. 

O Brasil pode golear a Argentina amanhã que nada disso vai mudar. Ou alguém acha que jogar no 3-5-2 é a solução para a vencermos novamente uma Copa do Mundo? 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O time que sabe jogar a Libertadores e que precisa aprender a ganhar a Libertadores


A vitória do Corinthians ainda reverbera pela vida fora do estádio e fora dos círculos de entendidos e torcedores fanáticos. Enquanto o otimismo mais uma vez tomou conta de todos os corintianos, autênticos ou de ocasião, os rivais temem, ainda que não admitam, pela escalada do time alvinegro ao posto mais alto das Américas. 

O argumento corintiano é forte. O time fez um jogo de nervos contra o Vasco e saiu triunfante, mais uma vez sem levar gols. A equipe corintiana sofreu apenas dois tentos em dez jogos na Libertadores, uma marca invejável e digna de registro. É claro que há as alegações vazias e insossas de "aqui é Corinthians" e outras patacoadas para o torcedor se sentir dono do melhor time, mas o fato é que empiricamente há afirmações para justificar o otimismo. Já o argumento dos rivais é... O de sempre: "o Corinthians não sabe jogar a Libertadores", "É piada pronta" e outros clichês. Nada mais longe da realidade.


Esse Corinthians sabe jogar a Libertadores - o que em nenhum momento garante o título da Libertadores, diga-se. É bem verdade que os destemperos de Jorge Henrique e, em menor escala, descontrole emocional do restante do time, se tornam evidentes nos momentos de nervos à flor da pele. Mesmo assim a equipe corintiana tem muita força dentro das quatro linhas. Força defensiva, principalmente. Apesar do gol de Paulinho. sou obrigado a dizer que Leandro Castán, mais uma vez, e Cássio foram os melhores do alvinegro no jogo contra o Vasco. Fábio Santos, por sua vez, fez um jogo consciente, enquanto Ralf e Emerson correram por dois cada um. Nada me faz crer que esses jogadores terão queda de rendimento daqui em diante... 

O problema do Corinthians é outro, razão pela qual uma eventual eliminação ou vice-campeonato não decorrerá destas imbecilidades de que a equipe amarela em Libertadores ou que não tem história. O problema do Corinthians é a falta de opções para jogar. Aquela história de Paulinho ser o homem-surpresa já era. Todos os times sabem que o motor do Timão é o camisa 8 e que marcá-lo é meio caminho para parar o time paulista. 

Também é nítido que Danilo não atua bem na posição mais centralizada da linha de três meias do Corinthians. Assim como é claro e evidente que Alex, além de viver fase ruim, não serve para jogar enfiado dentro da área. Ao escalá-lo por ali, Tite gostaria que seu atleta jogasse à frente da linha de meias, mas que puxasse um zagueiro para fora da área, permitindo a entrada de algum companheiro. Isso não acontece e Alex, seja por incompetência ou falta de cacoete, fica em campo mais pela opção da bola parada do que qualquer coisa. Jorge Henrique cumpre com correção suas tarefas defensivas, mas em geral toma as decisões erradas na hora de avançar com a bola - dificilmente ele entra na área adversária para confundir a marcação. Desta forma, Emerson é o único jogador confiável do "grupo de ataque" do Timão. É pouco para quem quer ganhar a Libertadores... 


E é justamente por isso que Tite precisa aproveitar as três semanas que tem antes das semifinal. Se continuar acreditando que o time foi bem com Alex enfiado entre os zagueiros e que 23 cruzamentos na área sem um jogador cabeceador são um bom negócio, o Corinthians provavelmente cairá diante do próximo adversário. No entanto, se Tite se der conta de que o time precisa de alternativas e que só apostar na sorte não é suficiente, o Timão tem chances muito maiores de avançar e vencer. Tentar Élton como centroavante pode ajudar nos cruzamentos. Testar Willian como falso nove poderia ter o efeito que Alex não teve. Paulinho ficar mais preso para um eventual avanço de um lateral seria outra opção... O que não dá é ver o time ganhar na pressão e na sorte e achar que está tudo certo. 

A torcida pode falar o quanto quiser que "ser Corinthians" é um diferencial. Tite não. Tite tem que trazer o diferencial.