Os adversários atacam. Cruzam a bola de um lado para o outro sem sucesso. Tentam entrar pelo meio tabelando e são desarmados. Chutam de longe e lá está o goleiro. Ah, mas se tentam um passe mais ousado... O desarme é rápido o lançamento sai no minuto exato para o velocista do outro lado que vem com ela carregada e marca o gol.
A cena acima retrata o jogo dos sonhos e que também na realidade é o jogo efetivo do Libertad do Paraguai. Tanto no campeonato nacional, quanto na Copa Sul-Americana os Gumarelos mostram a cada rodada a sua vocação de ser o tal do time chato, que é agredido o tempo todo, mas termina com a vitória. Nas últimas três semanas foram quatro mostras de tais predicados.
Morumbi, São Paulo, 19 de outubro. Um abalado São Paulo tentava se recuperar do baque da derrota por 3 a 0 para o Atlético Goianiense e a consequente queda do treinador Adílson Batista. Empurrado por alguns poucos torcedores o tricolor paulista tentava mostrar fibra e força ofensiva... Um qualquer coisa que desse alento ao time. Inútil. "Que fiquem com a bola", dizia o Libertad, fechado em suas duas linhas de quatro sem se expor. No segundo tempo o São Paulo foi pro tudo ou nada. Atacou e foi atacado. Chegou ao gol com Luis Fabiano, mas o estrago (não) estava feito. Dentro de sua proposta o Libertad foi vencedor: perdeu por apenas 1 a 0.
Estádio Nicolás Leoz, Asunción, 26 de outubro. A pressão do Libertad e o gol aos dez de jogo mostram ao São Paulo que o 1 a 0 foi pouco. O Libertad deixa o tricolor de Leão jogar e sai com velocidade nos contra-ataques. Nada adianta contra os Gumarelos. Chutes, cruzamentos, bola na trave, dribles aqui e pracolá... Posse de bola pra nada. Quando o jogo parecia se encaminhar para a inalteração, Núñez acerta um tirambaço. Caprichosa, a bola bate na trave, nas costas de Rogério e entra. São mais 20 minutos de defesa que culminam na vitória e classificação do Libertad.
Defensores del Chaco, Asunción, 30 de outubro. O Olimpia começa em cima; precisa da vitória para voltar à briga pelo título. O Libertad não se importa. Inabalável cria suas chances e toma um ou dois chutes contra sua meta. O Olimpia melhora no meio campo e ameaça fazer o 1 a 0, mas o primeiro tempo termina com o Gumarelo Gamarra frustrado com a defesa milagrosa de Martín Silva. A segunda etapa foi mais do mesmo. Até que o Olimpia cansou e foi às cordas. O Libertad baixou a guarda e armou o golpe. O primeiro aos 41 com Canuto, o segundo aos 43, com Robín Ramírez. E não, ninguém anotou a placa... Muito embora todos tenham olhado para cima, para o mais novo líder; o Libertad.
Casa Blanca, Quito, 3 de novembro. Nos 2.800 metros da capital equatoriana a LDU quis resolver sua vida. Havia o Libertad no caminho. O time chato. O time do atrapalho. E não adiantou a LDU querer ser o time do atropelo. O Libertad se aguentava e até criava. Foi golpeado uma, duas, três vezes, mas golpeou de volta. No segundo tempo manteve o fôlego. Por incrível que pareça manteve o fôlego na altitude. Jogou sem riscos, dono do jogo. Mas no último minuto um cruzamento errado de Bolaños caiu em cima de Medina e entrou. O Libertad, foi vencedor de novo... Perdeu por apenas 1 a 0 e depende apenas de uma vitória em seus domínios para avançar às semifinais da Copa Sul-Americana.
Se a chatice será o bastante para vencer o Clausura paraguaio ou a Sul-Americana só o tempo dirá, mas que os méritos sejam dados inteiramente aos chatos Medina, Bonet, Benegas, Canuto, Samudio; Ayala, Aquino, Cáceres, Civeli (Pouso); Maciel (Gamarra) e Ramírez. E, claro, ao atual técnico Burruchaga e ao antecessor Gregorio Perez que, tirando o máximo da aplicação tática e da inteligência de seus jogadores, conseguiram colocar um time apenas mediano como um dos mais competitivos do continente.
Copa Sul-Americana
Foram realizados neste meio de semana os primeiros confrontos das quartas de final da Copa Sul-Americana.Confira os resultados:
Santa Fe 1x1 Vélez Sarsfield (segundo jogo na Argentina)
LDU 1x0 Libertad (segundo jogo no Paraguai)
Arsenal 1x2 Universidad de Chile (segundo jogo na Argentina)
Universitario-PER 2x0 Vasco da Gama (segundo jogo no Rio)
Mais paraguaias
- Além da vitória por 2 a 0 sobre o Olimpia fora de casa, o Libertad contou com o tropeço do Nacional para assumir a liderança. O Tricolor perdeu para o Sol de América por 1 a 0 em casa. O Cerro Porteño fez 3 a 1 no Independiente e também está na briga pelo título do Clausura. A tabela tem agora um triplo empate na primeira posição. Libertad, Cerro e Nacional têm 26 pontos em 14 jogos, mas o Gumarelo tem mais saldo que os adversários. O Olimpia vem em quarto lugar, com 24 pontos.
- A rodada ainda teve uma péssima notícia. O jogo entre Sportivo Luqueño e Rubio Ñu foi encerrado aos 58 minutos depois que torcedores do Sportivo atiraram pedras contra os próprios jogadores quando eles perdiam por 2 a 0. A partida findou com 2 a 0 para o Rubio Ñu.
Chilenas
- A Universidad de Chile segue mostrando porque lidera com certa folga o Clausura e porque é o único time invicto do campeonato. No clásisico contra o Colo Colo, no fim de semana, os azules se superaram. Depois de sair ganhando o jogo, La U teve dois jogadores expulsos. Tomou a virada com dois gols de Paredes e só teve certo alívio na pressão faltando 15 minutos para o final, quando o goleiro Castillo foi expulso dos colocolinos. Com nove contra dez a Universidad de Chile foi pra cima e, no último lance do jogo, conseguiu um empate, depois de um gol contra de Molinas.
- Com o resultado, La U segue na liderança com a mesma vantagem em relação ao segundo colocado. Faltando três jogos para o final da fase classificatória, a Universidad de Chile tem 34 pontos em 14 jogos, seguida pelo Colo Colo, com 26, e por Cobreloa, Audax e La Serena, todos com 25 pontos. Universidad Católica, que fez 2 a 1 na U. de Concepción, Unión Española e Ñublense completam os que hoje seriam os oito classificados.
- Na próxima quarta-feira será disputado o primeiro jogo da final da Copa do Chile entre Magallanes e Universidad Católica. A partida será no San Carlos de Apoquindo, em Santiago. O jogo da volta acontece no dia 13, no estádio Santa Laura, com mando de jogo do Magallanes.
Colombianas
- No maluco e disputadíssimo Finalizacion da Colômbia segue a diferença de apenas seis pontos entre o líder e o décimo quarto colocado. O Junior empatou em 2 a 2 com o Cúcuta, mas manteve a liderança, agora dividida com o Boyaca Chicó, que bateu La Equidad por 1 a 0, e pelo Quindío, que fez 2 a 1 no Tolima. A tabela tem agora Junior, Boyacá e Quindío com 21 pontos em 13 jogos. Itagüí, Envigado, Millonarios, Santa Fe e América completam os oito que estariam classificados para os playoffs.
- A rodada ainda teve o ótimo resultado do Millonarios, que fez 2 a 0 no Atletico Nacional e quebrou um jejum de 15 anos sem vitória sobre o adversário em Medellín.
Equatorianas
Na abertura da 17ª rodada o Deportivo Quito venceu nesta quinta-feira a LDU Loja por 3 a 0 e mantém sua vantagem na liderança. No fim de semana a equipe empatou por 2 a 2 com o Olmedo. Também no final de semana o Emelec, em uma constante ascensão, fez 4 a 1 na LDU Loja, enquanto a LDU fez 4 a 1 no Cuenca. O Deportivo Quito lidera com 38 pontos em 17 jogos. O Emelec é o segundo com 29 pontos em 16 partidas, seguido pela LDU com 29 pontos em 16 partidas e pelo Barcelona, com 28 também em 16 jogos.
Peruanas
Pelo Descentralizado o Alianza Lima empatou em 0 a 0 com o Universitario San Martín, mas garantiu sua vaga na decisão do campeonato com quatro rodadas de antecedência. A segunda vaga na final está entre Juan Aurich, que venceu o Sporting Cristal e tem 49 pontos, León de Huánuco, que empatou em 1 a 1 com o Sport Boys e tem 42 pontos, e o Sport Huancayo, que igualou com o Melgar em 2 a 2, e está com 41 pontos, na quarta posição.
Venezuelanas
- No Apertura venezuelano segue o duelo "pessoal" entre Caracas e CD Lara pelo título. O Caracas fez 2 a 1 no Monagas e o CD Lara 3 a 1 no Trujillanos, de maneira que a diferença entre os dois times segue em apenas um ponto; 28 a 27 pontos respectivamente. O AC Mineros é o terceiro, com 22 pontos. Todos os times tem 11 jogos realizados de um total de 17.
- Pela Copa Venezuela foram realizados os jogos decisivos das quartas de final. Em casa o Atletico El Vigía fez 4 a 0 no Carabobo, subvertendo a vantagem de 1 a 0 dos visitantes e carimbando vaga na semifinal. O Trujillanos, que já tinha vencido o Zamora fora de casa, fez 2 a 1 em seus domínios. Já o Mineros, que tinha vencido o Aragua por 1 a 0 fez 3 a 1 em casa, enquanto o Caracas bateu o Tucanes por 1 a 0, somando 3 a 1 no agregado.
- Nas semifinais teremos Trujillanos x El Vigía e Caracas x Mineros
Bolivianas
- No maior clássico do futebol boliviano o Bolívar venceu o The Strongest por 3 a 1. Os Tigres foram melhores durante o cotejo, mas o Bolívar foi mais efetivo. A derrota custou o emprego do treinador Mauricio Soria, mas a direção do The Strongest voltou atrás e o manteve no cargo.
- Após a realização da oitava rodada do Apertura a chave A tem o Universitario de Sucre na liderança, com 15 pontos após vitória por 2 a 0 ante o La Paz. Em segundo está o Real Potosí, que ficou no 0 a 0 com o Nacional Potosí e tem 13 pontos. Em terceiro, também com 13 pontos, está o Guabirá, que fez 2 a 0 no Real Mamoré. Na chave B, o Oriente Petrolero é líder após derrotar o Blooming por 2 a 1 e chegar aos 17 pontos. Em segundo está o Aurora, que perdeu do San Jose e tem 15 pontos e em terceiro está o The Strongest, com 11 pontos.
- Hoje os classificados para a segunda fase seriam: Grupo A-Universitario, Real Potosí e Guabirá / Grupo B-Oriente, Aurora e The Strongest.
Uruguaias
- Após o recesso durante o Pan-Americano, o Apertura uruguaio recomeça neste fim de semana. O Peñarol lidera com 24 pontos em dez jogos. O Cerro é o segundo com 23 pontos, seguido pelo River Plate com 20 e por Nacional e Danubio com 19.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Herói outra vez!
O Arsenal terá que esperar pelo mais um pouco para desentalar da garganta o título de é campeão. Mesmo dominando boa parte do jogo, os Gunners não foram capazes de vencer o Birmingham e ficaram com o vice da League Cup.
Difícil não falar da trapalhada que Laurent Kolscieny fez aos 43 minutos do segundo tempo e que deu o gol de presente para Obafemi Martins fazer a festa da torcida, mas o nome da decisão sem sombra de dúvida foi Ben Foster.
O goleiro do Birmigham fez pelo menos 5 defesas importantíssimas na partida e garantiu que a equipe azul e branca fosse vazada apenas uma vez na final, mesmo com o grande volume de jogo do Arsenal.
Aliás, é a segunda vez que Foster é herói em um título da League Cup. Na temporada 2008-09, quando atuava pelo Manchester United, Ben foi o titular dos Red Devils na decisão contra o Tottenham. Naquele jogo, após 120 minutos disputadíssimos, o goleiro do Manchester pegou dois pênaltis e garantiu o título à sua equipe.
Foi o célebre jogo em que Foster usou o Ipod para ver como os batedores do Tottenham efetuavam suas cobranças. Deu certo.
E hoje deu certo novamente.
Um golpe duro para o Arsenal, um triunfo heroico para o Birmingham e para os amantes do futebol!
Difícil não falar da trapalhada que Laurent Kolscieny fez aos 43 minutos do segundo tempo e que deu o gol de presente para Obafemi Martins fazer a festa da torcida, mas o nome da decisão sem sombra de dúvida foi Ben Foster.
O goleiro do Birmigham fez pelo menos 5 defesas importantíssimas na partida e garantiu que a equipe azul e branca fosse vazada apenas uma vez na final, mesmo com o grande volume de jogo do Arsenal.
Aliás, é a segunda vez que Foster é herói em um título da League Cup. Na temporada 2008-09, quando atuava pelo Manchester United, Ben foi o titular dos Red Devils na decisão contra o Tottenham. Naquele jogo, após 120 minutos disputadíssimos, o goleiro do Manchester pegou dois pênaltis e garantiu o título à sua equipe.
Foi o célebre jogo em que Foster usou o Ipod para ver como os batedores do Tottenham efetuavam suas cobranças. Deu certo.
E hoje deu certo novamente.
Um golpe duro para o Arsenal, um triunfo heroico para o Birmingham e para os amantes do futebol!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Análise: França 1 x 0 Brasil - 09/02/2011
Brasil e França se enfrentaram na última quarta-feira no Stade de France com ares de revanche e afirmação. Diferentemente das outras oportunidades, Mano Menezes decidiu abrir mão do seu tradicional 4-2-3-1 para formar uma equipe mais concisa no meio campo e sem um armador de ofício.
Assim, o Brasil foi a campo com um 4-1-3-2.
Lucas fazia a função de volante preso à frente da zaga, com Elias indo e voltando, como um box-to-box, entre o auxílio ao primeiro volante e chegada à frente para armar. Dos lados, Renato Augusto, pela direita, e Hernanes, pela esquerda, alinhavam no centro do campo sem a bola e abriam pelos cantos para fazer jogadas com os alas e chegar nos dois atacantes, Robinho aberto à esquerda, mas também se movimentando, e Pato mais centralizado e caindo pela direita.
A França veio com o 4-2-3-1.
Menez pela direita e Malouda pela esquerda buscavam as jogadas pelos flancos, com M'Villa e Gourcuff trabalhando a bola pela faixa central. Lá na frente, Benzema fazia o melhor para tentar se desvincilhar da marcação dos dois zagueiros brasileiros e colocar os companheiros no jogo.
O Brasil era melhor... Até que Hernanes fez uma besteira que pode lhe custar muito caro. O pontapé dado em Benzema no centro do campo mudou a partida e o meia/volante, que vinha fazendo boa partida tanto defensiva, quanto ofensivamente, saiu queimado com Mano e os torcedores. A solução brasileira foi aguentar as pontas até o intervalo, com Robinho fazendo as vezes de Hernanes pela esquerda e Pato isolado.
O camisa 7 do Brasil, aliás, merece uma citação à parte. Com braçadeira de capitão e tudo o mais, Robinho foi omisso durante toda a primeira etapa. A todo o tempo os microfones da transmissão televisiva captavam Mano Menezes lhe chamando a atenção. Na frente, Róbson pouco se apresentava e atrás não formava a linha de marcação que o treinador imaginava.
O intervalo veio e eu imaginei que Mano Menezes mexeria no time. Formar o meio de campo com Robinho parecia uma decisão equivocada. Anderson, no banco, poderia muito bem entrar no lugar do camisa 7 e fazer a função que Hernanes fazia, já que é um carregador de bola e tem poder de marcação também.
No entanto, seja por julgamento ou omissão, o técnico brasileiro voltou com o mesmo time, só atentando para Robinho formar melhor a linha defensiva do Brasil. A seleção, no entanto, começou a segunda etapa muito recuada.
O Brasil não pegava na bola e Menez, apagado no primeiro tempo graças à boa marcação de Hernanes e André Santos, resolveu dar as caras. Na segunda vez em que desceu em velocidade pela direita, o meia francês foi decisivo.
Robinho, como era de se esperar - não por incompetência, mas por falta de característica para tanto - não fechou o espaço por aquele lado.
Com a subida de Sagna ao ataque, André Santos ficou com dois para marcar e Menez se aproveitou, passando no meio da marcação brasileira

e cruzando para Benzema - sem acompanhamento de Thiago Silva ou de Dani Alves - só completar para as redes.
Depois do gol o Brasil continuou o mesmo, apostando em eventuais saídas com Robinho pela esquerda ou em alguma enfiada de bola para Pato. No entanto, a França não correu grandes riscos - exceção feito à bola enfiada para Hulk, que não conseguiu o domínio.
Fim de jogo, França 1 a 0 Brasil. Não é o fim do mundo, mas são as primeiras críticas ao trabalho de Mano Menezes, que não mexeu quando devia e foi cauteloso demais quando não podia.
Assim, o Brasil foi a campo com um 4-1-3-2.
Lucas fazia a função de volante preso à frente da zaga, com Elias indo e voltando, como um box-to-box, entre o auxílio ao primeiro volante e chegada à frente para armar. Dos lados, Renato Augusto, pela direita, e Hernanes, pela esquerda, alinhavam no centro do campo sem a bola e abriam pelos cantos para fazer jogadas com os alas e chegar nos dois atacantes, Robinho aberto à esquerda, mas também se movimentando, e Pato mais centralizado e caindo pela direita.A França veio com o 4-2-3-1.
Menez pela direita e Malouda pela esquerda buscavam as jogadas pelos flancos, com M'Villa e Gourcuff trabalhando a bola pela faixa central. Lá na frente, Benzema fazia o melhor para tentar se desvincilhar da marcação dos dois zagueiros brasileiros e colocar os companheiros no jogo.O Brasil era melhor... Até que Hernanes fez uma besteira que pode lhe custar muito caro. O pontapé dado em Benzema no centro do campo mudou a partida e o meia/volante, que vinha fazendo boa partida tanto defensiva, quanto ofensivamente, saiu queimado com Mano e os torcedores. A solução brasileira foi aguentar as pontas até o intervalo, com Robinho fazendo as vezes de Hernanes pela esquerda e Pato isolado.
O camisa 7 do Brasil, aliás, merece uma citação à parte. Com braçadeira de capitão e tudo o mais, Robinho foi omisso durante toda a primeira etapa. A todo o tempo os microfones da transmissão televisiva captavam Mano Menezes lhe chamando a atenção. Na frente, Róbson pouco se apresentava e atrás não formava a linha de marcação que o treinador imaginava.
O intervalo veio e eu imaginei que Mano Menezes mexeria no time. Formar o meio de campo com Robinho parecia uma decisão equivocada. Anderson, no banco, poderia muito bem entrar no lugar do camisa 7 e fazer a função que Hernanes fazia, já que é um carregador de bola e tem poder de marcação também.
No entanto, seja por julgamento ou omissão, o técnico brasileiro voltou com o mesmo time, só atentando para Robinho formar melhor a linha defensiva do Brasil. A seleção, no entanto, começou a segunda etapa muito recuada.
O Brasil não pegava na bola e Menez, apagado no primeiro tempo graças à boa marcação de Hernanes e André Santos, resolveu dar as caras. Na segunda vez em que desceu em velocidade pela direita, o meia francês foi decisivo.Robinho, como era de se esperar - não por incompetência, mas por falta de característica para tanto - não fechou o espaço por aquele lado.
Com a subida de Sagna ao ataque, André Santos ficou com dois para marcar e Menez se aproveitou, passando no meio da marcação brasileira
e cruzando para Benzema - sem acompanhamento de Thiago Silva ou de Dani Alves - só completar para as redes.
Depois do gol o Brasil continuou o mesmo, apostando em eventuais saídas com Robinho pela esquerda ou em alguma enfiada de bola para Pato. No entanto, a França não correu grandes riscos - exceção feito à bola enfiada para Hulk, que não conseguiu o domínio.Fim de jogo, França 1 a 0 Brasil. Não é o fim do mundo, mas são as primeiras críticas ao trabalho de Mano Menezes, que não mexeu quando devia e foi cauteloso demais quando não podia.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Palmeiras foi melhor quase o tempo todo...
Palmeiras e Corinthians disputram um belo clássico neste domingo no ensolarado e quente Pacaembu. O Timão tinha toda a pressão do resultado na Libertadores e o Palmeiras, livre e solto, só tinha a confirmar.
Com a bola rolando o Verdão foi melhor. As duas equipes se postaram no 4-2-3-1, mas o Palmeiras era mais eficiente. Dinei e Kléber trocavam de posição a todo o momento, enquanto Tinga contava com o apoio de Cicinho para causar o terror na defesa corintiana pelo lado direito do ataque.
Do lado corintiano, Luis Ramírez sumiu na marcação adversária, enquanto Jorge Henrique e Danilo pouco fizeram para tentar fugir dos laterais palmeirenses. O primeiro tempo terminou empatado, mas o Palmeiras é que saiu por cima.
Na segunda etapa o Corinthians melhorou. Marcelo Oliveira deu jeito na esquerda da defesa alvinegra, enquanto Cachito, um pouco mais recuado e centralizado, passou a distribuir o jogo. Chances de um lado e de outro, Júlio César foi quem se consagrou, com ótimas defesas.
Antes de seu maior milagre na partida, no entanto, o Corinthians chegou ao gol. Em bola lançada na direita, Willian, então atuando como centroavante, puxou a marcação da zaga alviverde... Notem que três palmeirenses, incluindo o zagueiro Thiago Heleno, foram pra cima do corintiano sem dar o bote.

Alessandro, livre, recebeu, colocou na frente e Thiago Heleno foi ao combate. O lateral direito então tocou para Morais, que marcado à distância por Márcio Araújo fez a assistência.

Alessandro então ganhou na corrida para fazer o gol decisivo.

No finzinho, Júlio César operou outro milagre e contou com a sorte para dar a vitória ao Corinthians. O Palmeiras foi melhor, mas se desconcentrou justamente quando não podia. E, claro, não fez o gol quando devia.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Eficiência na vitória
Santos e São Paulo duelaram neste domingo e o Peixe se deu melhor. Apesar da derrota, o tricolor foi melhor em boa parte do jogo. Longe do chocolate que Rogério Ceni disse ter visto, mas ainda assim melhor.
Armado no 4-2-2-2, o São Paulo novamente se ressentiu de mais pegada no meio de campo. Mesmo com a entrada de Zé Vitor no lugar de Cléber Santana, os volantes são-paulinos acabaram sendo envolvidos pela ótima jornada de Elano.
No primeiro gol, Róbson, que fazia o lado esquerdo do 4-2-3-1 manco de Adílson - já que o próprio Róbson afunilava o jogo demais pelo meio - aproveitou confusão de posicionamento da defesa são-paulina e cruzou na medida para Elano cabecear livre de marcação. Xandão olhou a bola, Miranda estava em Robson e Rodrigo Souto e Zé Vitor ficaram no vai-não-vai no lado do campo.

Daí em diante só deu São Paulo, que com a boa movimentação de Carlinhos Paraíba, Juan e Fernandinho pela esquerda e de Jean, Fernandão e Dagoberto pela direita, envolveu o Santos. Mesmo assim a equipe tricolor não conseguiu chegar ao gol.
No segundo tempo, Carpegiani passou a jogar no 4-3-3, com Fernandão, Fernandinho e Dagoberto na frente e Carlinhos Paraíba mais recuado. O Santos foi o mesmo até o São Paulo colocar Marlos no jogo e ir para o 4-2-4.
Aí Adílson Batista mexeu. Colocou Bruno Rodrigo no lugar de Adriano, formou 3 zagueiros, recuou Elano para a volância e deixou Maikon Leite e Robson na criação para Keirrison segurar os zagueiros. E foi vindo de trás que Elano dominou, avançou, sem marcação de Rodrigo Souto ou Carlinhos Paraíba...

e chutou uma bomba. Rogério Ceni defendeu, mas deu rebote. Maikon Leite, sozinho... Sem ser acompanhado por Jean ou pela cobertura de Carlinhos Paraíba - ou mesmo de um zagueiro - chutou e fez o segundo do Santos.

Daí em diante o São Paulo desistiu do jogo e perdeu mais um clássico...
Armado no 4-2-2-2, o São Paulo novamente se ressentiu de mais pegada no meio de campo. Mesmo com a entrada de Zé Vitor no lugar de Cléber Santana, os volantes são-paulinos acabaram sendo envolvidos pela ótima jornada de Elano.
No primeiro gol, Róbson, que fazia o lado esquerdo do 4-2-3-1 manco de Adílson - já que o próprio Róbson afunilava o jogo demais pelo meio - aproveitou confusão de posicionamento da defesa são-paulina e cruzou na medida para Elano cabecear livre de marcação. Xandão olhou a bola, Miranda estava em Robson e Rodrigo Souto e Zé Vitor ficaram no vai-não-vai no lado do campo.

Daí em diante só deu São Paulo, que com a boa movimentação de Carlinhos Paraíba, Juan e Fernandinho pela esquerda e de Jean, Fernandão e Dagoberto pela direita, envolveu o Santos. Mesmo assim a equipe tricolor não conseguiu chegar ao gol.
No segundo tempo, Carpegiani passou a jogar no 4-3-3, com Fernandão, Fernandinho e Dagoberto na frente e Carlinhos Paraíba mais recuado. O Santos foi o mesmo até o São Paulo colocar Marlos no jogo e ir para o 4-2-4.
Aí Adílson Batista mexeu. Colocou Bruno Rodrigo no lugar de Adriano, formou 3 zagueiros, recuou Elano para a volância e deixou Maikon Leite e Robson na criação para Keirrison segurar os zagueiros. E foi vindo de trás que Elano dominou, avançou, sem marcação de Rodrigo Souto ou Carlinhos Paraíba...

e chutou uma bomba. Rogério Ceni defendeu, mas deu rebote. Maikon Leite, sozinho... Sem ser acompanhado por Jean ou pela cobertura de Carlinhos Paraíba - ou mesmo de um zagueiro - chutou e fez o segundo do Santos.

Daí em diante o São Paulo desistiu do jogo e perdeu mais um clássico...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Sobre ingenuidade e vexames
A exemplo do que ocorreu nas últimas quatro edições do Mundial de Clubes da FIFA, o posicionamento geral de quem acompanha o futebol e a disputa foi o mesmo de sempre: teremos uma final do europeu contra o sul-americano e vamos nessa.
De fato. Quem está envolvido com o futebol e vê o nível do esporte no mundo sabe que esse sempre foi o prognóstico mais aceito e real. No entanto, esse ano vi e ouvi críticas um bocado mais ácidas quanto ao formato adotado pela FIFA para o seu torneio de fim de ano.
Se antes os times campeões continentais da Ásia, África, Oceania e América Central eram tratados com um quê de coitadinhos, dessa vez eles foram achincalhados por um bocado de gente da imprensa. "É uma palhaçada ter esses times na disputa", "não tem o menor cabimento esse pessoal participar" e "deveriam fazer um Mundial à parte com esses timecos" foram apenas algumas das opiniões que ouvi em tempos recentes.
Obviamente que não há como comparar os níveis das equipes dessas regiões com europeus e sul-americanos. Obviamente que o fator mercadológico pesa muito mais para a FIFA do que prezar pela chance igual de todos os times do mundo. Mas, pessoalmente, sou a favor de que se dê essa oportunidade a esses times e, acima de tudo, a seus torcedores.
Divagações à parte, tão logo o Mazembe foi confirmado como adversário do Internacional nas semifinais mais clichês e estereótipos vieram à tona. "Os congoleses tem um futebol ingênuo", "só sabem atacar", "têm muita alegria" e por aí vai...
Ingênuos são os que ainda analisam futebol com a mentalidade de dez, 15 ou 20 anos atrás. Longe de mim dizer que apostava no Mazembe. É claro que não... Mas quem acompanhou o primeiro jogo contra o Pachuca viu que os estereótipos do futebol africano não se aplicam a essa equipe, assim como não se aplicaram a Gana na Copa do Mundo, por exemplo.
No "lugar" do suposto time insubordinado, que não está aí com pragmatismo, etc o que se viu foi uma equipe com uma consistência tática e técnica invejável. Armada num 4-1-4-1 sólido o Mazembe aguentou a pressão do Inter e se aproveitou das falhas para sair com uma vitória histórica e revigorante para o futebol mundial.
Claro que o Inter foi incompetente. Claro que Celso Roth mexeu mal no time. Claro que o Inter se desesperou depois de levar o primeiro gol, mas não foram os deméritos do Colorado que fizeram esse resultado. Foram sim os méritos do Mazembe. E quem não acreditar nisso está sendo muito, muito ingênuo...
Um viva ao Mazembe e a todas as coisas mutáveis da vida.
De fato. Quem está envolvido com o futebol e vê o nível do esporte no mundo sabe que esse sempre foi o prognóstico mais aceito e real. No entanto, esse ano vi e ouvi críticas um bocado mais ácidas quanto ao formato adotado pela FIFA para o seu torneio de fim de ano.
Se antes os times campeões continentais da Ásia, África, Oceania e América Central eram tratados com um quê de coitadinhos, dessa vez eles foram achincalhados por um bocado de gente da imprensa. "É uma palhaçada ter esses times na disputa", "não tem o menor cabimento esse pessoal participar" e "deveriam fazer um Mundial à parte com esses timecos" foram apenas algumas das opiniões que ouvi em tempos recentes.
Obviamente que não há como comparar os níveis das equipes dessas regiões com europeus e sul-americanos. Obviamente que o fator mercadológico pesa muito mais para a FIFA do que prezar pela chance igual de todos os times do mundo. Mas, pessoalmente, sou a favor de que se dê essa oportunidade a esses times e, acima de tudo, a seus torcedores.
Divagações à parte, tão logo o Mazembe foi confirmado como adversário do Internacional nas semifinais mais clichês e estereótipos vieram à tona. "Os congoleses tem um futebol ingênuo", "só sabem atacar", "têm muita alegria" e por aí vai...
Ingênuos são os que ainda analisam futebol com a mentalidade de dez, 15 ou 20 anos atrás. Longe de mim dizer que apostava no Mazembe. É claro que não... Mas quem acompanhou o primeiro jogo contra o Pachuca viu que os estereótipos do futebol africano não se aplicam a essa equipe, assim como não se aplicaram a Gana na Copa do Mundo, por exemplo.
No "lugar" do suposto time insubordinado, que não está aí com pragmatismo, etc o que se viu foi uma equipe com uma consistência tática e técnica invejável. Armada num 4-1-4-1 sólido o Mazembe aguentou a pressão do Inter e se aproveitou das falhas para sair com uma vitória histórica e revigorante para o futebol mundial.
Claro que o Inter foi incompetente. Claro que Celso Roth mexeu mal no time. Claro que o Inter se desesperou depois de levar o primeiro gol, mas não foram os deméritos do Colorado que fizeram esse resultado. Foram sim os méritos do Mazembe. E quem não acreditar nisso está sendo muito, muito ingênuo...
Um viva ao Mazembe e a todas as coisas mutáveis da vida.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
A torcida que tem um time
"Os outros times têm uma torcida. O Corinthians é uma torcida que tem um time".
Conhecida nacionalmente, a frase - motivo de orgulho para grande parte dos corintianos - nunca fez tanto sentido quanto nesta última semana. A Gaviões da Fiel simplesmente decidiu que era ela a encarregada de cuidar para que o clube não se desviasse do caminho do título. Eo "diferenciado" presidente Andrés Sanchez deixou.
Não que ele tivesse muita opção. Afinal de contas, desde que chegou ao comando do Timão o dirigente só joga para a torcida e capitaliza sua reputação e feitos essencialmente por causa dela. O problema é que a coisa virou uma palhaçada sem tamanho, digna de vergonha para qualquer torcedor um pouco mais crítico do time do povo.
O que começou de maneira civilizada - embora com motivação e praticidade bastante torpes -, com a torcida cobrando atitude de seus jogadores em meio ao treinamento, cresceu para a absurda demissão do treinador Adílson Batista e teve ápice hoje, com o pedido do atacante Souza de desligamento do clube. Tudo porque a torcida elegeu que esses eram os vilões da vez.
E nisso tudo onde estava o presidente Andrés Sanchez, responsável pelo maior patrocínio da história do futebol brasileiro, da sensacional aquisição de Ronaldo Fenômeno, da volta das glórias à equipe de Pq. São Jorge e em breve do sonho do estádio próprio? Não se sabe... Uma vez mais se isentou de proteger seus atletas e a instituição porque, afinal de contas, a instituição nada representa perto dos donos dela, os torcedores "organizados".
Em uma semana a torcida que tem um time - e nesse caso a torcida organizada e não a torcida do Corinthians - acabou com seu próprio time.
De volta às notícias, Tite deve chegar segunda-feira... Pra quê?
Conhecida nacionalmente, a frase - motivo de orgulho para grande parte dos corintianos - nunca fez tanto sentido quanto nesta última semana. A Gaviões da Fiel simplesmente decidiu que era ela a encarregada de cuidar para que o clube não se desviasse do caminho do título. Eo "diferenciado" presidente Andrés Sanchez deixou.
Não que ele tivesse muita opção. Afinal de contas, desde que chegou ao comando do Timão o dirigente só joga para a torcida e capitaliza sua reputação e feitos essencialmente por causa dela. O problema é que a coisa virou uma palhaçada sem tamanho, digna de vergonha para qualquer torcedor um pouco mais crítico do time do povo.
O que começou de maneira civilizada - embora com motivação e praticidade bastante torpes -, com a torcida cobrando atitude de seus jogadores em meio ao treinamento, cresceu para a absurda demissão do treinador Adílson Batista e teve ápice hoje, com o pedido do atacante Souza de desligamento do clube. Tudo porque a torcida elegeu que esses eram os vilões da vez.
E nisso tudo onde estava o presidente Andrés Sanchez, responsável pelo maior patrocínio da história do futebol brasileiro, da sensacional aquisição de Ronaldo Fenômeno, da volta das glórias à equipe de Pq. São Jorge e em breve do sonho do estádio próprio? Não se sabe... Uma vez mais se isentou de proteger seus atletas e a instituição porque, afinal de contas, a instituição nada representa perto dos donos dela, os torcedores "organizados".
Em uma semana a torcida que tem um time - e nesse caso a torcida organizada e não a torcida do Corinthians - acabou com seu próprio time.
De volta às notícias, Tite deve chegar segunda-feira... Pra quê?
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