sábado, 6 de abril de 2019

Sobre o uso de emoções nos debates de futebol


Há algum tempo venho pensando nos formatos, oratórias e argumentações utilizadas na cobertura jornalística do futebol brasileiro. Não sei bem se conseguirei desenvolver o tema com a profundidade necessária, mas prefiro tentar compartilhar a ideia do que guardá-la comigo.

Não sei se isso é coisa antiga ou recente, mas tem me chamado demais a atenção como não só os programas de debate, mas também as matérias teoricamente informativas têm usado as emoções como fio condutor dos temas e das discussões. 

Exemplifico com as vitórias e derrotas. É óbvio que elas são a razão de ser do esporte e elemento central da construção dos textos e debates, mas  têm sido cada vez mais raras as coberturas que se esmeram em de fato abordar o que houve nos jogos.  Não falo de análises táticas elaboradas ou discussões sobre posicionamentos, técnicas de chute, de marcação, etc, mas sim de discutir o que aconteceu.  


O que tenho visto é que um revés puxa discussões sobre elementos que não puderam ser observados. Coisas como "derrota expõe falta de planejamento", "está faltando comando?", "o elenco do time x é ruim?".  Da mesma maneira, nesses programas e nessas matérias uma vitória é evidência suficiente de "deu a volta por cima",  "planejamento acertado leva a equipe a.."  e "técnico y é o diferencial nesse momento".  Claro, alguns fazem isso depois de dois jogos ou quem sabe cinco, mas quase sempre jogam os holofotes para elementos extra-campo a fim de concluir algo. Me parece que o mote hoje é esse: é preciso concluir algo sempre.  Nenhuma derrota, empate ou vitória se enseja em si. Sempre há um bigger picture a ser observado.

O formato dos programas de TV e rádio e a busca incessante pelos cliques nas matérias dos portais configuram o principal motivador. Como as televisões - e algumas rádios - precisam estar o tempo todo com algo no ar e nem sempre há jogos interessantes, elas optam por promover infindáveis programas de debate com durações que variam entre duas a  quatro horas. É fácil, não custa direitos de transmissão e você só precisa de uns dois câmeras e três debatedores para preencher parcelas importantes de tempo.  Como analisar os jogos não demora tanto assim - ao menos no formato mais abrangente e superficial característico da comunicação de massa - então torna-se essencial criar debates e temas que não foram mostrados no jogo. Assim, é quase mandatório concluir coisas, do contrário não há tese e antítese e, portanto, "não há o que ser discutido".  E se não há o que ser discutido, o que raios eu coloco aqui na tela pela próxima meia hora??! 


Como não há substância na maioria das vezes - seja pela falta de espaço amostral para observar algo maior, pela própria natureza equivocada dessa promoção de debates ou desconhecimento - a essência das discussões se torna simplesmente a percepção do debatedor sobre aquele tema. Utilizo aqui percepção como antônimo de conclusão, na medida em que uma depende de sensações, sentimentos e de uma olhada não tão detida sobre algo, enquanto a outra teoricamente seria fruto de estudo, método, prova e contraprova.

Meu ponto é: a percepção sobre algo é um caminho ainda mais subjetivo, que cai facilmente nas emoções de quem assiste e de quem debate - seja de propósito ou pela falta de propósito na discussão. Daí derivam as ilações como: "planejamento patético", "não sabem gerir um clube", "fulano não serve pra jogar futebol", "siclano está completamente perdido", "foi um vexame", "sinal de alerta ligado", etc.  Quanto disso tem de razão e quanto disso tem de emoção?  Nesse caso parti do pressuposto de que há boas intenções ou desconhecimento na gênese do processo, mas obviamente há empresas e profissionais que sabem disso quando o fazem. 


Me falta o conhecimento necessário para aprofundar o tema, mas as métricas e procedimentos das redes sociais parecem estar dando o tom dos programas e matérias esportivas. No excelente "10 motivos para você deletar suas redes sociais agora" o autor Jaron Lanier traz a ideia de que Twitter, Facebook, Youtube e derivados medem a relevância de um conteúdo a partir de curtidas, compartilhamentos e comentários, o chamado engajamento. O que você faz para chegar a isso, no entanto, não tem importância para os algoritmos dessas empresas, de forma que conteúdos que mexem com as emoções (normalmente as negativas) são os que têm "melhor desempenho" nessas métricas. 

Nos programas de futebol está acontecendo a mesma coisa. As infindáveis e inúteis discussões sobre Messi x Pelé, Zico x Messi, Carille pode ser o novo Guardiola, Palmeiras x Real Madrid e outras têm apelo não pela discussão e sim pelas emoções envolvidas. Pense bem: essas simples perguntas despertam qual tipo de reação? Não te dá vontade de tuitar sobre? De falar mal sobre? De ir até a TV e pegar pelo colarinho quem bolou essa ideia?  Pois é...  Sabe o que isso significa para os executivos de tevê? Audiência e engajamento. Então mexer com as emoções é "bom". 

As perguntinhas bobas são o exemplo extremo, mas meu ponto é que a utilização de emoções nas "análises" vem tendo o mesmo objetivo. Se você discute bom ou mau planejamento após uma derrota você tem um debate sobre a percepção sobre aquele clube e se ele é "bom" ou "ruim". Isso gera repercussão e engajamento. Se você vê uma vitória como prova de que "voltou a garra e entrega", você mexe com os sentimentos das torcidas que se veem representadas nessa afirmação.  Se você vende a ideia de que contratar um jogador renomado soluciona problemas, você mexe com o otimismo do torcedor, mesmo que esse atleta não se prove na prática há alguns anos. Se você está debatendo porque o jogador de 90 milhões ficou no banco, você está vocalizando o que a torcida pensa.  Está usando aquele sentimento de raiva e revolta de quem assiste para que você seja escutado e repercutido.

O método tem sido extremamente bem sucedido no que se refere à audiência, mas - a meu ver - tem repercussões péssimas para o nosso entendimento do jogo. Os desdobramentos desse fenômeno são vastos e de difícil compreensão. O imediatismo das análises contamina a avaliação dos dirigentes sobre os treinadores e jogadores?  A falta de entendimento de que equipes vão sendo construídas e que treinos são processos advêm daí também? Os incentivos aos comunicadores é maior que aos jornalistas?  São várias dúvidas, mas podemos ao menos refletir sobre... 







sábado, 23 de fevereiro de 2019

Saga FM: Rio Ave/Celta/Everton - Capítulo 9



Apesar do bom desempenho na temporada 2021-22, alguns jogadores não renderam tudo o que poderiam e outros já estavam infelizes no clube antes mesmo da nova temporada. Sendo assim vendemos vários jogadores - Dérlis González, Sigurdsson e Gotze entre eles - e trouxemos peças pontuais para fazer alguns papéis como o de líbero, primeiro volante e ponteiros.

Dessa maneira compramos o chileno Enzo Roco do Hannover por 11 milhões e 750 mil euros para jogar como líbero.


Para primeiro - e único - volante decidimos trazer de volta para a Inglaterra o sérvio Marko Grujic, que passou pelo nosso rival Liverpool e que chega da Lazio por 14 milhões de  euros.



Além disso aproveitamos o mau momento do Manchester City para trazer dois pontas dribladores


    
Sané veio por 22 milhões e meio de euros, enquanto Zaha chegou por 4 milhões de euros. 

Outros atletas também vieram para compor o elenco 


Aos jogos!  Lembrando que alternamos entre dois esquemas táticos. Dois 3-3-1-3, mas um com alas e outro com volantes. Uma importante mudança em relação ao ano anterior foi o fato de que investimos no treinamento de atletas pelos lados com pés trocados, o que permitiu o uso efetivo da função Inverted Wingback. Dessa maneira os alas trazem a bola para dentro e os atacantes jogam por fora.

Na temporada passada fizemos isso também, mas poucas vezes, VALE VER! 


O começo de temporada foi assim:



Tirando nosso desempenho horrível na fase de grupos da Champions, foi um bom início! Em vários momentos jogamos um futebol agradável, como mostra esse vídeo:


Fomos para a Liga Europa, mas estávamos nas cabeças da Premier League, quando eis que... 



Sim... Conseguimos a proeza de perder de 6 a 1 para o nosso rival Liverpool... Foi um daqueles jogos em que tudo dá errado e o treinador avança até o final da partida (?!). Bom, quase tudo o que sofremos foi por jogadas pelo lado, de forma que fizemos alguns ajustes, priorizando o sistema com alas recuados e não com volantes fazendo individual.

Os resultados melhoraram na parte seguinte:



Tirando essa derrota na final da Copa da Liga né?!  ¬¬ 


Na Premier League a luta era palmo a palmo pela liderança, mas tivemos jogos muito bons, inclusive contra os adversários mais próximos. 






 Mesmo com essa sequência de dois empates e uma derrota na reta final...





Conseguimos! Conquistamos a Premier League!  Foi o primeiro título do Everton desde a temporada 86-87!

O ano, no entanto, não havia terminado! Tínhamos a final da Liga Europa a disputar! O adversário era o Shakhtar Donetsk, clube que não tinha liga carregada no jogo. Vitória fácil, certo?




Errado.

Bom, o time da temporada foi esse:

E dito isso: renunciei ao cargo! Já tinha tirado tudo e mais um pouco desse time. Era hora de ir atrás de um novo desafio! 

sábado, 8 de setembro de 2018

O que queremos do nosso futebol?

As últimas semanas têm sido de grande reflexão para mim... 
A cada jogo que vejo no futebol brasileiro cresce um sentimento de desgosto com o que temos praticado por aqui.

Jogadores simulando lesões, atletas (e dirigentes) pedindo pênalti em qualquer bola que bate em um adversário, atacantes que desistem do lance para cair na área, rodinhas em torno de juízes - mesmo quando eles acertam - árbitros que param o jogo em qualquer contato, gandulas que somem com a bola para que não haja jogo, goleiros que caem "lesionados" para que a partida não siga... 

E pra piorar tudo uma parte da imprensa - considerável - tem avalizado o "ganhar a qualquer custo" e a cultura do "ganhou é bom, perdeu é ruim". Mais: os "profissionais" da imprensa tem disseminado desconhecimento e ódio com seus comentários engraçadinhos e fazedores de média.  Ou seja... Uma lástima! Mas destes não vou falar aqui... Quero voltar ao tema do JOGO de futebol. Afinal de contas, o que queremos do JOGO de futebol? 

Se é bem verdade que uma competição visa ao triunfo, também é verdade que o ESPORTE - e aqui falo sobre qualquer esporte - tem preceitos que vão além de ganhar. Parece loucura falar isso, mas não, o esporte não é só ganhar ou perder! Quem pratica o esporte não está lutando pela sobrevivência, ao menos não literalmente. Diferentemente de uma guerra ou de um confronto pela vida, perder não significa morrer! Quem entra numa disputa esportiva não está literalmente brigando por um prato de comida - embora muita gente adore essa metáfora. Jogos de futebol, basquete, tênis, vôlei, futebol americano e rugby, apresentações de ginástica artística, provas de natação, atletismo, arremesso de dardo, lutas de boxe, judô, etc não são situações limites que causarão danos permanentes a alguém em caso de revés.  

E isso não é algo moderno ou "nutella" como os parvos que nada sabem e tudo acham que sabem tendem a dizer... Os Jogos Olímpicos da Grécia, 700 anos do nascimento de Cristo, já previam a suspensão de todos os confrontos militares que pudessem colocar em risco a chegada dos atletas em Olímpia, onde aconteceriam  as disputas. Ou seja... O esporte valia mais do que a chance de se aproveitar de uma situação em um ambiente de guerra! 

Se admitirmos que essas premissas são verdadeiras, então temos que sim ponderar até onde é aceitável ir contra os preceitos do esporte para ganhar. 

Não se trata aqui de lançar um manifesto para que os atletas comecem a ter condutas exemplares, mas sim para abrir os olhos de quem observa o que eles fazem. Se o atleta faz isso e ganha uma vantagem esportiva, ele certamente entendeu que tinha razões para fazê-lo... Mas se nós olhamos para ele fazendo isso e elogiamos esse ato, então estamos indo contra as premissas acima listadas. Há que se reprovar quando isso é feito! 

No futebol inglês, por exemplo, um dos maiores pecados que um atleta pode fazer é simular uma falta! Por quê? Por que os ingleses gostam de futebol bem jogado?  Não, porque eles entendem que simular é enganar o público, enganar o juiz e receber uma vantagem por meios que ultrapassam a própria competência . Outro exemplo: no tênis, quando um competidor faz um ponto mediante uma bola que bateu na fita e caiu na quadra do adversário, ele se desculpa! Por quê? Por que é um tonto? Não, porque também aí o tenista entende que ganhou uma vantagem fora da sua competência. Há outros exemplos menos claros de respeito ao adversário, ao público e aos árbitros, mas não é esse objetivo desse texto. Quero falar sobre a ideia da prática esportiva.


Qual é a ideia? Em linhas gerais - e me perdoem por não usar uma bibliografia mais aprofundada para explicar essa ideia - a premissa básica de qualquer jogo é a de que competidores se enfrentarão em igualdade de condições e quem for o melhor vai vencer. Quando um competidor se utiliza de fingimento, de violência, de subterfúgios para prejudicar o adversário, então ele está ganhando uma vantagem que não estava prevista, logo o cerne do esporte se perde. 

É claro, que o dinheiro no esporte em âmbito profissional criou grandes distorções sobre a questão da igualdade de condições, mas o espírito do esporte - malemal -  ainda continua. Atletas podem ser melhores ou piores, mas continuam concordando em seguir regras e comportamentos para determinar quem vence. 

É verdade também que o futebol brasileiro tem sido um mundo à parte com os torcedores intolerantes, dirigentes que não entendem nada de esporte, árbitros e técnicos extremamente pressionados e atletas que sabem que com a própria competência não vão conseguir chegar ao êxito. De forma alguma ignoro o contexto... O que me incomoda muito é vermos tudo isso e naturalizarmos a situação. 

Será que o ganhar a qualquer custo é aceitável? Foi por isso que nos apaixonamos pelo esporte? Quando brincamos com os amigos, com nossos parentes, ou com desconhecidos, vale tudo para vencer?  Então por que no esporte de alto rendimento achamos isso normal? Afinal de contas são eles, os profissionais, os mais bem preparados para conseguir vencer por suas próprias competências.

Por que queremos isso?  Ganhar enganando o adversário, não querendo jogar, sem nos valermos da própria competência,  tem o mesmo sabor?  E pra quê? Para fazer pouco  do amigo, se divertir com os memes da internet ou descontar uma frustração que vem de outras áreas da nossa vida?  Qual o problema de perder um jogo? Qual o problema de ser rebaixado em um campeonato?  É triste, sem dúvida, que é... Mas não é uma doença terminal, a morte de um parente, a nossa própria morte... Nada que justifique fazer tudo que é aceitável e inaceitável para ganhar. É esporte, não é sobrevivência.  

Meu pai sempre me disse uma frase que segue me incomodando muito e que é extremamente verdadeira. "Hoje o que importa não é ganhar e sim derrotar".  

Pode parecer um jogo de palavras, mas não é... Vale pensar a respeito. 









quinta-feira, 19 de julho de 2018

Saga FM: Rio Ave/Celta/Everton - Capítulo 8


De volta após um longo inverno para trazer mais um capítulo da nossa saga.  Sinto que é meio que uma obrigação fechar essa história para que o registro fique na internet. Não, não é o último capítulo e não, não sei quando vem o próximo... Mas vamos lá! 

Depois de salvar o Everton do rebaixamento na temporada 20-21, tratamos de iniciar a reformulação do time para buscar coisas maiores no ano seguinte. A diretoria falava em meio de tabela, mas eu me propus a buscar uma classificação para a Liga Europa. O caixa estava em ordem e por isso fomos às compras. 

Era primordial achar um goleiro, já que Mandanda foi um quebra galho para seis meses. Assim, após muita pesquisa e muitos e muitos nãos, conseguimos trazer 


Jack Butland! Goleiro que na vida real foi para a Copa do Mundo de 2018 com o English Team e que no FM estava no Manchester United. Custou uma grana: 27 milhões de euros

Já para a zaga o escolhido foi Antonio Rüdiger, que nessa realidade paralela nunca foi comprado pela Roma e que voltou para o Stuttgart, ficando por lá até nós o comprarmos por 14 milhões de euros. Para a posição de volante chegou Victor Wanyama por 6 milhões e 750 mil euros e que no FM estava no Barcelona (!).  Enquanto a criação de jogadas ficou a cargo de Callum Slattery, jogador promissor na vida real e no FM, mas que ainda assim veio por apenas 6 milhões de euros do Southampton! 

A minha barganha, no entanto, não foi essa e sim....


                            Mario Gotze! Sem contrato após anos e anos de Bayern no jogo, o meia                                             alemão - de 29 para 30 anos no jogo - chegou de graça!  

Bom, ao campo!  Como eu disse em outro episódio, queria fazer dar certo o meu 3-3-1-3 e 3-3-3-1. Então recriei uma vez mais o desenho tático.  Ficou algo assim: 

                                                  Butland (Sweeper Keeper - Atk) 

                                                    Wanyama  (Libero - Atk) 
      Stefan Bell (Central Defender - Stopper)     Antonio Rüdiger (Central Defender- Stopper)


Seamus Coleman (Wingback- Support) Camacho (Ball Winning Midfielder) Masuaku (Wingback- Support) 

                                          Slattery (Advanced Playmaker - Support) 

Podence (Winger- Support)                           Derlis González (Inside Forward- Attack) 


                                        Luciano Vietto (Poacher- Attack) 

Os resultados iniciais foram esses: 



Vejam como demorou para perdermos a primeira! Mas... Derrota justamente para o rival e eliminação na Copa da Liga! 

Com o passar do tempo fui fazendo uma outra formação tática em paralelo, sem os alas e acabei tendo bons resultados também!  Preciso dizer que Mario Gotze foi uma decepção e que o regen Josh Overson parece promissor!  

Na janela de inverno trouxe por empréstimo o zagueiro Dória, os pontas Malcom (!) e Sané (!!!) e ainda o enganche Pablo Hernández, o chileno.  Tudo para tentar afinar algumas lacunas do meu time. Até que deu resultado:



Fomos eliminados das Copas, mas estávamos bem no campeonato inglês, brigando forte não por Liga Europa, mas sim por Liga dos Campeões!  E foi justamente o que conseguimos! 


Embora esse final tenha sido extremamente sofrido!  4 a 2 pro Hull?!  Enfim!  A tabela:


Nada mal para quem estava brigando contra o rebaixamento na temporada passada não é mesmo?  Mas vejam a defesa.... 51 gols sofridos em 38 jogos!  O time da temporada teve como esquema o 3-3-3-1  sem alas! Parece muito estranho, mas até que funcionou a contento!  Ora com volantes marcando os pontas em individual, ora deixando que os ponteiros chegassem ao fundo para lidar com os meus zagueiros:



Será que conseguimos melhorar na temporada 22-23?  Em breve eu conto! 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Segunda instância

— Isso não existe! Não pode acontecer! É contra a lei! Não existe pena máxima em segunda instância!

— Como assim? Você está defendendo a impunidade?

— Estou querendo saber se essa regra vale pra todo mundo!

— Sim, ela vale...

— Vale nada! Só vale contra um!

— Você está dizendo o quê? Tem um acordo contra só um lado? 

— Claro que tem! Você não viu e ouviu tudo que foi dito?


 — Não é assim também... Cada caso é um caso.

— É? Por que o outro caso não tem pena máxima em segunda instância e esse tem?

— Não sei te responder...

— Porque é ilegal! É por isso que você não consegue me responder!

— Você está muito exaltado. É algo difícil de provar.

— As evidências são claras! Elas estão aí! Todas!

— Não é tão simples assim. A gente tem que confiar nas nossas instituições.

— Não é tão simples porque você é partidário de um dos lados!

— Isso não me impede de ter bom senso.

— Impede sim! Você tem raiva da gente! Tem raiva do que a gente fez.

— Não é verdade.

— Você e a mídia estão contra a gente desde o início!

— Tem um complô da mídia também? 

— Não faça pouco do que eu estou dizendo! Você sabe! A mídia defende abertamente o seu lado.


— Há profissionais e profissionais. Não acho que seja assim.

— A maioria...
 

— Pode ser...

— ...

— ...

— Enfim, eu mantenho o que eu disse! As provas são irrefutáveis! 

— Eu concord.... Pera! O quê?! 


— As provas são irrefutáveis! Obviamente teve interferência externa na arbitragem!
Repito:  NÃO EXISTE PÊNALTI ANULADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA! 




quinta-feira, 30 de novembro de 2017

As razões do fracasso de Bielsa no Lille

Embora ainda esteja cercado de mistérios, tudo nos leva a crer que o casamento entre Lille e Marcelo Bielsa acabou. A enigmática "suspensão temporária" do treinador pelo clube francês talvez nunca seja explicada e as especulações neste momento de pouco nos ajudam. Fato é que se o time estivesse bem na tabela dificilmente os desentendimentos gerariam demissão, desquite ou qualquer coisa do tipo.

O que nos cabe aqui é tentar contextualizar e analisar o porquê de as coisas não terem caminhado como o esperado.  Vamos lá:

O projeto

O início do projeto do Lille começa com o desejo do empresário hispano-luxemburguês Gerard López de adquirir um clube de futebol na França. López que foi dono da equipe Lotus de Fórmula-1 escolheu o Lille e em janeiro de 2017 se tornou o novo proprietário do clube. O empresário, no entanto, não estava sozinho nessa: ao lado dele se encontravam o ex-treinador e professor de educação física Luis Campos, que funcionava como uma espécie de conselheiro esportivo, e Marc Ingla, que foi vice-presidente de marketing do Barcelona entre 2003 e 2007.

No que se refere ao futebol, López queria um estilo atraente e ofensivo de jogar, com atletas jovens e com potencial de revenda. Por isso, Marcelo Bielsa, amigo pessoal de Gerard López, foi cotado como primeiro nome da lista de treinadores desde o início. Houve o acerto, mas apenas para a temporada 2017-18, o que fez com que  Franck Passi, ex-auxiliar do argentino no Marseille, tocasse o Lille de fevereiro até o fim daquele campeonato. O time do Norte da França foi o 11º colocado e a expectativa para a nova temporada era de desempenhos melhores, com o clube lutando, quem sabe, por uma vaga na próxima Liga Europa ao menos.  

As chegadas e saídas

Com dinheiro para investir, Gerard López foi às compras na janela de transferências. Os alvos? Jogadores jovens observados e indicados em conjunto por Luis Campos, conselheiro esportivo do presidente, e Marcelo Bielsa. Ficou famosa inclusive a coletiva de Bielsa na qual ele disse ter analisado 15 partidas de 120 jogadores a fim de conformar o plantel do Lille para a nova temporada. Por meio desse trabalho chegaram:

- O goleiro Hervé Koffi, de 21 anos
- O goleiro Adam Jakubech, de 20 anos 
- O zagueiro português Edgar Ié, de 23 anos 
- O lateral-direito Kevin Malcuit, de 26 anos
- O lateral-esquerdo Fode Ballo-Touré, de 20 anos
- O volante Thiago Maia, de 20 anos
- O volante Thiago Mendes, de 25 anos
- O volante Soumaré, de 18 anos
- O atacante Nicolás Pepe, de 22 anos
- O atacante Luiz Araújo, de 21 anos
- O atacante Ezequiel Ponce, de 20 anos

Foram 11 chegadas de novos jogadores para o elenco principal, enquanto 11 atletas foram afastados por Marcelo Bielsa por não se enquadrarem no estilo de jogo que ele imaginava para o novo Lille: time intenso, veloz, com atacantes dribladores pelo lado, criadores pelo meio e atletas capazes de marcar individualmente por grandes períodos. Deixaram o clube:

- O goleiro Vincent Eneyeama, de 35 anos
- Os zagueiro Marko Baša, de 34 anos, e Stoppila Sunzu, de 28 anos 
- Os meio-campistas Palmieri, de 30 anos, Rio Mavuba, de 33 anos, Marvin Martin, de 29 anos, Éric Bauthéac, de 30 anos e Naim Sliti, de 25 anos
- Os atacantes Éder, de 29 anos, Junior Tallo, de 24 anos e Nangis, de 23 anos

Além desses, também foram negociados, em um misto de falta de vontade de mantê-los e necessidade de recursos financeiros para equilibrar o caixa, os seguintes atletas:

- O meia Xeka, de 23 anos, o lateral-direito Corchia, de 27 anos, e o atacante Nicolás De Preville, de 26 anos. 

Com as chegadas e saídas o Lille se tornou dono do elenco mais jovem das cinco ligas mais importantes da Europa:


Ou seja... Em linhas gerais, Bielsa rejuvenesceu o grupo com atletas de potencial muito maior do que os que lá estavam, mas que tinham um desafio gigante: chegar e jogar. 

Além de Luiz Araújo, Thiago Mendes e Thiago Maia estarem no primeiro ano de futebol europeu, Ballo-Touré veio do Paris St. Germain B, Edgar Ié estreava na liga francesa após passagem pela Espanha e Portugal e Ezequiel Ponce também tinha a primeira chance no país depois de trajetória apagada na Roma e no Granada.


O time inicial e o grupo de trabalho

Não bastassem as profundas mexidas no elenco e inexperiência no futebol francês dos recém-chegados, os remanescentes também teriam que se provar como titulares, já que a maioria foi banco no ano anterior. Logo na pré-temporada o time base foi mais ou menos definido da seguinte forma em um misto de 3-3-3-1 e 4-2-3-1:


Maignan
 (goleiro de 22 anos com 12 partidas na temporada 16-17)

Ié 
 (23, recém-chegado)   Amadou  (24, 41J em 16-17)   Alonso (24, 18J em 16-17)

Malcuit (26, recém-chegado)Thiago Mendes (25, recém-chegado) e Kouamé (20, veio do Lille B)


Benzia (23, 29 J em 16-17)

El Ghazi (22, 13 J em 16-17)    De Preville (26, 33 J em 16-17)  e Luiz Araújo (21, recém-chegado) 

No banco, a situação também não era muito diferente.  Entre os que mais entraram no time estavam:

- Ballo-Touré, 20 anos e recém-chegado
- Yves Bissouma, 21 anos e com 27 partidas na temporada anterior
- Faraj, 18 anos, recém-promovido
- Bahlouli, 22 anos e com cinco jogos na temporada anterior
-  Ponce, 20 anos e recém-chegado


Bom, com esse grupo, tendo De Preville, posteriormente negociado, o Lille obteve três vitórias, um empate e uma derrota (para a Atalanta) na pré-temporada. O time mostrou bom futebol em quase todas as partidas e por isso a confiança estava em alta para o Francês. 

Jogo a jogo: o que houve? 
(com vídeos do @pizarrabielsa)

- O primeiro jogo da temporada foi um delírio coletivo.  Escalado com Maignan; Ié, Amadou, Alonso;  Malcuit, Thiago Mendes e Ballo-Touré;  El-Ghazi, Benzia e Luiz Araújo; De Preville  o Lille fez 3 a 0 no Nantes de Cláudio Ranieri, com gols de Alonso, De Preville e El-Ghazi. O time ganhou a primeira página dos portais pelo grande futebol apresentado e Bielsa foi eleito o melhor técnico da rodada. Havia a expectativa por dias ainda melhores e bem....  Isso não ocorreu.

- Na segunda rodada o Lille pegou o modesto Strasbourg fora de casa. Aos 12 minutos Thiago Mendes se lesionou e teve que ser substituído por Bissouma, enquanto aos 19 minutos Malcuit, também lesionado, deu lugar a Thiago Maia.  O Strasbourg jogava melhor, principalmente pela direita do ataque, dando pesadelos para Ballo-Touré, que já tinha cartão amarelo. Bielsa então foi ousado: tirou o lateral ainda no primeiro tempo e colocou Kouamé, tendo feito as três substituições em 45 minutos de jogo. 

O zero permanecia no placar, mas aos 18 minutos do tempo complementar veio o duro golpe na ousadia do treinador: de maneira bem estúpida, o goleiro Mike Maignan atirou a bola na cabeça do atacante Strasbourg e foi expulso de forma direta.  Com um a menos e sem mais substituições, Bielsa mandou o atacante De Preville para o gol.  Ele até ia bem, mas aos 29 minutos um escanteio gerou o 1 a 0 para o Strasbourg. Precisando ir ao ataque, De Preville voltou para a dele como centroavante, enquanto Amadou foi para o gol. O Strasbourg fez mais dois e o Lille perdeu por 3 a 0.

- Na terceira rodada contra o Caen, um Lille, sem Thiago Mendes e Malcuit, foi muito mal e perdeu a segunda seguida: 2 a 0 para o adversário.

- Na quarta rodada, com o Angers, fora de casa, o desempenho foi ligeiramente melhor, mas depois de sair atrás no placar, o Lille foi buscar o empate com De Preville: 1 a 1. Foi o último gol do atacante com a camisa do clube, já que ele foi negociado com o Bordeaux no fechamento da janela de transferências. Ninguém veio para o lugar dele, o que provocou a instalação de Nicolás Pepe como novo comandante de ataque.

- Na quinta rodada, o adversário foi o Bordeaux, o time mais forte enfrentado pelo Lille até aquele momento. Thiago Maia, escalado como lateral-esquerdo, tomou dois amarelos em 32 minutos e foi expulso. Com um a menos, o Lille só se defendeu e até ficou feliz com o 0 a 0 ao apito final.

- Na sexta rodada, ainda sem Thiago Mendes, mas já com Malcuit, o Lille fez uma partida equilibrada e de poucas chances contra o Guigamp. O jogo caminhava para mais um 0 a 0, quando aos 47 minutos do segundo tempo Didot deu a vitória ao Guigamp em finalização desviada por Amadou no meio do caminho. Uma mostra de um entendimento do modelo de jogo veio nesse lance, por exemplo:

- Na sétima rodada, o Lille, com Thiago Mendes no banco, recebeu o poderoso Monaco, que nem sequer tomou conhecimento dos comandados de Bielsa:  4 a 0. A se destacar alguns bons momentos de construção ofensiva, como esse:
- Na oitava rodada o Lille viajou para pegar o Amiens e abriu o marcador antes dos 20 minutos, com Ballo-Touré. A queda da arquibancada onde estavam os fãs dos Dogues, no entanto, paralisou o jogo e a partida foi cancelada sem o resultado definido. 

- Na nona rodada o Lille fez diante do Troyes uma partida do nível daquela contra o Nantes, ou até melhor! Isso depois de sair atrás no placar aos 3 minutos de jogo. Subindo a ladeira, o time de Bielsa, empatou aos 12 minutos com Luiz Araújo

.....e virou o placar aos 29 do tempo complementar, com Thiago Mendes. 



A vitória parecia garantida, mas aos 47 do segundo tempo - de novo - o Lille cometeu um pênalti e o Troyes igualou por 2 a 2.

- Na décima rodada, um gol do Stade Rennais aos seis minutos de jogo condicionou o Lille a buscar mais um resultado e a equipe voltou a atuar muito mal. O 1 a 0 permaneceu e Bielsa e seus comandados entraram na zona de rebaixamento. 

- Quatro dias depois o Lille voltou a campo para estrear na Copa da Liga da França. Diante do Vallenciennes da segunda divisão a equipe fez uma partida de mediana para boa e desta vez abriu o placar! O adversário, no entanto, empatou.  Thiago Mendes recolocou o time em vantagem, mas - outra vez - um pênalti no último lance do jogo determinou a igualdade do Vallenciennes. A partida foi para a decisão por pênaltis e o Lille avançou.

- Na décima primeira rodada o adversário dos Dogues foi o Olympique de Marseille, justamente o ex-clube de Marcelo Bielsa. Aos cinco minutos de jogo, bola parada pra área e Sanson faz o 1 a 0 para o Marseille. O Lille mais uma vez passa uma partida buscando o empate. O jogo é bom, mas o gol não vem e os Dogues perdem de novo. 

- Na décima segunda rodada do Francês, o Lille enfrenta o lanterna Metz e enfim consegue a segunda vitória no campeonato. Pepé, duas vezes, e Bahlouli fazem os gols do time em uma partida de mediana para boa.

- Na rodada seguinte a reação segue: 3 a 1 contra o St. Etienne, com partida mediana e gols de Pepé, Thiago Mendes e Ponce. O Lille respira fora da zona de rebaixamento, mas acaba voltando pela combinação de resultados.

- Três dias depois a partida contra o Amiens é retomada, mas não com o 1 a 0 a favor dos Dogues que estava no placar na hora da suspensão e sim com um 0 a 0. Os dois times faziam um jogo equilibrado até que aos 36 minutos o Amiens abriu o placar. De novo o Lille teria que buscar um resultado.... De novo o time não conseguiu, perdendo por 3 a 0. Foi o último jogo de Bielsa comandando os Dogues.

Os erros

De uma maneira geral os erros do Lille sob o comando de Marcelo Bielsa foram erros de execução do modelo de jogo. Como visto nos vídeos acima, a equipe sabia o que fazer com a bola, se movimentava nesse sentido, mas quase sempre pecava na escolha do último passe ou na hora de finalizar para gol.

Já na hora de defender os atletas entendiam que deveriam fazer a marcação individual e não largar do adversário na fase defensiva, mas muitas e muitas vezes ou perdiam os duelos com os atacantes rivais ou se desligavam do jogo.

Pior: como o time saiu em desvantagem no placar em nove dos quinze jogos feitos com Bielsa - sofrendo gols nos primeiros SEIS minutos contra Caen, Troyes, Rennais, Marseille - os Dogues quase sempre tinham que quebrar defesas postadas muito atrás, já que após abrir o placar ninguém queria mais sair para o jogo. Isso resultou em um Lille que tinha uma das maiores posses de bola da Europa, mas que, por conta das dificuldades e erros no terço final, tinha pouquíssimas finalizações de qualidade e gols. 

Quando ainda conseguia se manter em igualdade ou em vantagem no placar, gols nos acréscimos vitimaram a equipe contra Guingamp, Troyes e Valenciennes...

Em suma: sistema de marcação deficitário, posse de bola inócua e vantagens cedidas ou nos primeiros ou nos últimos minutos de cada jogo. Dá pra notar como a zona de rebaixamento é justa para esse time. 

As causas


Primeiramente, há que se esclarecer o seguinte: Bielsa não muda e não se adapta. É sua maior qualidade e seu maior defeito. Por isso não há como debatermos se o técnico argentino poderia ou deveria adotar um estilo de jogo diferente, uma marcação por zona ou uma ideia mais pragmática de bola. Ele não o faria e não fará.

Ponto dois: se os atletas não executaram bem o modelo de jogo, os treinos foram ruins?  Pode ser, mas é difícil de acreditar. Na Argentina, no Chile, no Bilbao e no Marseille as ideias e os métodos de treinamento foram sempre os mesmos e com bons resultados de uma maneira geral. No Lille, El Loco repetiu isso, mas não obteve os êxitos de outrora. Vale ainda dizer que na pré-temporada a equipe foi bem e que a estreia contra o Nantes mostrou um time muito perto do imaginado.

Por tudo isso, a questão fica sobre os jogadores e as escolhas do treinador. Vale dizer que Bielsa referendou TODAS as contratações, ou pelo menos disse isso, então não estamos aqui para tirar a responsabilidade dele. Pelo contrário, a responsabilidade é toda dele de achar que atletas jovens, atletas recém-chegados e reservas do time da temporada passada poderiam fazer exatamente o que ele queria em alto nível. Por mais que os treinos fossem bons e Bielsa tenha se notabilizado por melhorar muitos jogadores, achar que Luiz Araújo estaria pronto para decidir no terço final no futebol europeu, que Benzia - atacante a carreira inteira - poderia ser camisa 10 de uma hora para outra e que o jovem Ballo-Touré sairia do time B do Paris St. Germain para ser titular absoluto do time é trabalhar com uma margem de erro gigantesca.

Da mesma maneira, escalar Thiago Maia como lateral-esquerdo (embora possamos entender que as áreas centrais estivessem com Amadou, Mendes e Benzia) e Pepe como centroavante é apostar demais em adaptações rápidas de jogadores jovens.

Com as derrotas a confiança cai, principalmente no grupo mais jovem das cinco principais ligas da Europa e não ter nenhum jogador já comprovado na carreira atrapalhou a remota possibilidade de alguém carregar o time nas costas em momentos difíceis. Talvez isso explique em parte porque tantos gols sofridos no começo e no final das partidas, mas esse é um chute no escuro...

De Preville, 26 anos e artilheiro do time, poderia ser esse cara, mas a diretoria o negociou com o Bordeaux na quinta rodada em condições bem estranhas; alegaram que o clube precisava de dinheiro, mas isso depois de gastos exorbitantes com Mendes, Maia e cia.  Thiago Mendes, aliás, foi o melhor jogador do período Bielsa, e o time teve seus piores jogos sem ele e Malcuit, outro atleta um pouco mais experiente.

A demissão e o climão

Se por um lado a demissão de Marcelo Bielsa não pode ser considerada injusta, por outro há que se ponderar se os motivos foram meramente esportivos. A história de que Bielsa viajou para a Argentina para ver o amigo que estava morrendo não se confirmou e por isso a versão mais aceita é de que houve um grande desentendimento de Bielsa com Luis Campos, consultor esportivo do dono do clube, Gerard López.  Campos já foi treinador e teria uma série de divergências com Bielsa em relação às escolhas de esquema tático, sistema de jogo e posicionamento de jogadores. Ou seja: briga de egos e vitória do homem mais próximo do presidente.

Como dito, essa não é uma versão confirmada, mas o fato de que João Sacramento, contratado antes da chegada de Bielsa e dispensado de suas funções pelo argentino no início da temporada, tenha se tornado um dos integrantes do corpo técnico temporário pode reforçar essa tese.

Teorias à parte, o Lille poderia ter insistido um pouco mais com Bielsa. Talvez dar a ele ao menos seis meses de competições, ou reforços mais parrudos na janela de janeiro. Digo isso não por consideração pessoal, mas sim porque o próximo treinador vai ter que assumir um grupo montado por Bielsa e para Bielsa com um estilo de jogo provavelmente bem distinto.