sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Um diagnóstico sobre o São Paulo 2016

A derrota do São Paulo para o The Strongest no Pacaembu gerou grande debate pelas proporções do fracasso. Afinal de contas o time boliviano nunca havia vencido um brasileiro em território nacional e não triunfava fora de casa desde 1982. Acho válido o alarde, mas não o alarme em relação ao tricolor paulista.

Até aqui Edgardo Bauza só comandou o time em seis partidas oficiais com duas vitórias, dois empates e duas derrotas. É pouco tempo de trabalho e poucos jogos e situações. Podemos depreender do discurso da diretoria e das atividades e falas de Bauza que a ideia é reorganizar o time depois da equipe desorganizada de Muricy Ramalho, inconsequente de Osorio e bagunçada de Doriva e Milton Cruz. Por enquanto é possível dizer que essa parte tem sido até que bem feita...

É verdade que o São Paulo levou cinco gols em seis jogos, mas é necessário notar como eles surgiram:


Red Bull: Pênalti cometido por Lucão
U. César Vallejo: Um chute espetacular de Hohberg de rara felicidade
Corinthians: Erro absurdo de Lucão e erro na bola parada
The Strongest: Erro na bola parada

Exceção feita ao tirambaço de Hohberg, nenhum dos gols veio de desorganização defensiva do São Paulo e a bola parada é algo que normalmente demora um pouco mais pra ser afinado. Só que essa organização lá atrás tem um preço enquanto o entrosamento e entendimento não vem: time preso, sem a fluidez necessária entre os movimentos de defesa, transição defesa-ataque, construção e transição ataque-defesa.

No início do ano o São Paulo tem atuado no 4-2-3-1:



Normalmente equipes que atuam no 4-2-3-1 colocam ênfase na capacidade de os ponteiros acharem espaço e nas subidas do meia central e de um dos volantes para suportar e servir o único atacante. Os pontas muitas vezes tem pés trocados para cortar para o meio e bater, mas mesmo assim as possibilidades desse esquema tem sido cada vez mais limitadas pois o meia central fica encaixotado entre as duas linhas de quatro que quase todas as equipes fazem na fase defensiva, enquanto o centroavante tem que se bater com dois zagueiros. Não à toa, muitos times europeus tem abandonado esse esquema em prol do 4-3-3, do 4-4-2 e do 4-1-4-1, no qual o meia central recua e tem mais espaço para carregar a bola e não ser tão previsível.

Além de os jogadores ainda estarem um pouco parados demais nas posições pré-determinadas, o 4-2-3-1 de Bauza tem ainda o agravante de colocar ponteiros com pés "corretos". Centurión destro joga na direita e Michel, canhoto, na esquerda, induzindo o time a explorar demais as jogadas de cruzamento na área. Olhando os números do Footstats isso fica claro:

São Paulo x Red Bull: 11 cruzamentos (2 certos e 9 errados) 
São Paulo x U. César Vallejo: 31 cruzamentos (5 certos e 26 errados)
São Paulo x Água Santa: 32 cruzamentos (10 certos e 22 errados)
São Paulo x U.César Vallejo: 25 cruzamentos (3 certos e 22 errados)
São Paulo x Corinthians: 36 cruzamentos (6 certos e 30 errados)
São Paulo x The Strongest: 40 cruzamentos (7 certos e 33 errados) 


Mas temos que lembrar também como foram feitos os gols do São Paulo na temporada.

São Paulo x Red Bull: Ganso após cobrança de escanteio
São Paulo x César Vallejo: Lançamento da defesa para Calleri em profundidade
São Paulo x Água Santa: Cruzamentos de Wilder e Caramelo para Calleri, cruzamento errado de Caramelo para Thiago Mendes e Michel Bastos após inversão de jogo.
São Paulo x César Vallejo: Cobrança de escanteio que sobra pra Rogério

Muitos de cruzamentos e bola parada. A bem da verdade não há nada errado com os cruzamentos, mas há formas e formas de fazê-lo. A questão é que o São Paulo muitas vezes cruza lentamente, muito alto ou sem opções suficientes na área, facilitando o trabalho defensivo. Contra o Água Santa o time criou triângulos pelos lados do campo, com lateral entrando pro meio, meia central abrindo ou ponteiro caindo pro centro e meio campistas chegando com a bola. É o que eu imagino que o Bauza queira para poder não depender apenas dos cruzamentos, ou permitir que eles sejam feitos de uma forma mais perigosa:

(Hudson com a bola tem Wilder aberto e Caramelo centralizado. No cruzamento do colombiano, sem marcação pela movimentação de Caramelo, Calleri fez o 1 a 0)

Outro exemplo no primeiro tempo contra o The Strongest:


(Ganso recua e sai da posição centralizada para a direta, achando Centurión que poderia passar pra Bruno, mas que chega com a bola e exige boa defesa de Vaca)

E evidentemente nem toda a jogada precisa ser de cruzamento, mas pelo esquema tático e ideias de Bauza tem que ser construída pelo lado. Esse outro lance contra o The Strongest mostra isso:

(Ganso se mexe pra direita e enfia a bola no espaço para Kardec, recuando e servindo Thiago Mendes)

Movimentação de Ganso (algo que eu critico muito) é essencial pra engrenagem do São Paulo funcionar e é algo que nem ele, nem o time fizeram no segundo tempo do confronto contra os bolivianos. Muito por causa do estático 4-2-4 no qual Bauza apostou. Sobre isso aliás, temos que tentar entender: Contra um monte de zagueiros nem tão altos assim e com um time com dois bons cabeceadores como Calleri e Kardec a ideia era justamente cruzar, mas isso acabou com a movimentação do time. Resultado: São Paulo estático e com quatro homens bem marcados.


(Ganso escondido atrás do marcador, quatro atacantes marcados de perto e Mena abertão... Thiago Mendes arriscou e errou) 


Foi a pior etapa sob o comando de Bauza, mas não vejo motivo para a crise monumental que muitos vendem. Creio que faz parte do início do trabalho. Bauza quis acertar antes a defesa e essa tem funcionado a contento. Passará agora a trabalhar o ataque e as movimentações ofensivas. O time é feito para cruzar bola na área, mas também é feito para que os meias aproveitem a construção de jogada pelo lado para explorar o espaço aberto.

Nesse sentido Paulo Henrique Ganso tem que parar de achar que é um quarterback (com passes longos, arriscados e precisos) e virar um ditador de ritmo, fazendo tabelas curtas, rápidas e se movimentando no espaço mesmo que não seja para receber a bola.

Nesse sentido Michel Bastos tem que centralizar o jogo quando surgir a oportunidade e não sempre correr para a linha de fundo. Fosse esse o único intuito o ex-Lyon não deveria sequer ser titular, posto que para romper defesas há jogadores de mais capacidade como Kelvin e Rogério. A ideia de Bauza é que Michel centralize quando houver a chance para trabalhar junto com Ganso e abrir o corredor para Mena. Michel não tem feito isso.

Nesse sentido Thiago Mendes tem que se projetar como atleta rompedor de linhas (a la Paulinho no Corinthians, que arrastava o time à frente como dizia o querido Mário Marra) e não apenas ser uma opção de passe.

Nesse sentido Kardec e Calleri tem que girar dentro da área para achar espaço e também oferecer opção de passe para criar jogadas.

Nesse sentido Centurión tem que parar de se afobar e jogar com um pouco mais de inteligência...

Uma última ponderação que acho válida sobre os desempenhos do São Paulo até aqui. É necessário também abordar o lado psicológico e de preparação mental. Eu percebi uma equipe extremamente nervosa e frustrada quando as coisas não dão certo.

Na minha modesta impressão vi isso quando o time tomou o empate do Red Bull (muitos atletas foram pra frente de qualquer jeito e quase o time de Campinas virou), no persistente 0 a 0 com a Universidad César Vallejo (quando atletas impulsionados pela torcida perderam a paciência para criar jogadas), na derrota para o Corinthians (quando os são-paulinos perderam o chão após a falha de Lucão - e a própria falha na verdade é um atestado de comprometimento emocional) e na derrota para o The Strongest (com o nervosismo e frustração gerando a patética atuação do segundo tempo).

Mais um aspecto que Bauza tem pra trabalhar. Eu acho que vai dar certo, mas é necessário tempo para desfazer o imobilismo de 2014 e a salada de 2015.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Saga FM 2016: Parte 2

Como vocês viram no outro post, estava apanhando demais no Football Manager e nem mesmo a boa sequência de resultados que me garantiram a manutenção da equipe serviram de alento. Pouco depois já estava eu perdendo de novo com o Swansea... Problemão nas laterais. Sempre as laterais... Tomei gol demais


No jogo contra o Stoke eu me salvei oficialmente do rebaixamento, mas o bode com o Swansea estava tão grande que resolvi testar outras formas de o time jogar na reta final da temporada. Resultado?



É...

O "melhor 11" da temporada foi esse:



Coisa horrível.... Vejam a contribuição de Jeff Montero, Ayew e Hernandez! Não existiu!  Meu time foi Besic (emprestado), Gomis e mais nove...

Pior de tudo é que além das derrotas ficaram me buzinando a orelha por não jogar futebol de posse de bola. Eu não queria seguir essa filosofia, mas a diretoria não arredava pé. O diálogo foi escalando de forma tão vertiginosa que em determinado momento da minha conversa com os dirigentes só havia duas respostas possíveis: "volto atrás' ou "então me demito". Escolhi a segunda...

Sem time e sem reputação, fiquei quatro semanas à espera de um novo convite para dirigir algum clube. Findado esse prazo passei a me candidatar publicamente. Primeiro no Hoffenheim e depois no Leicester City. Os dois times me chamaram para a entrevista de emprego e os Foxes concordaram com tudo o que eu falei: estilo de jogo direto e contratação de jovens com potencial para o futuro

Fui contratado!


Não havia grandes diferenças do elenco do FM após uma temporada em relação ao time do Leicester na atualidade em termos de saídas. Em termos de chegadas dois grandes reforços já estavam lá: o meia Felipe Gutierrez  e o zagueiro Balanta (!!!! o mito do FM).

Bem, tão logo assumi chegou mais um jogador que já estava contratado: o lateral direito Gilberto, ex-Botafogo e Fiorentina!

Com dinheiro no bolso fui ao mercado para enfim fazer dar certo o meu 3-4-3 ou coisa que o valha de alta pressão e intensidade!



Funes Mori pra ser zagueiro de velocidade, Birsa pra ser um meia criativo, Wellington Silva pra jogar aberto pelo lado do campo e outro mito do FM 16 (Mammana) para a zaga. Gomes pela experiência pra ser o reserva de Schmeichel e Radosevic pra jogar como volante junto de Inler e Kanté. A ideia era ter um volante recuperador de bola e de muita velocidade.

O esquema inicialmente escolhido foi um 3-3-3-1 meio tortão. Assim:



E os resultados iniciais foram bons viu?!


sábado, 2 de janeiro de 2016

Saga FM 2016! (estou apanhando!)

Pra começo de conversa uma coisa que vocês precisam saber: eu não joguei nenhum Football Manager desde a versão 2012, na qual, entre outros feitos, conduzi o Instituto de Córdoba até o título do Mundial de Clubes da FIFA. Não joguei porque não tinha computador potente o suficiente para isso, de forma que agora, no final de 2015, obtive o aparato necessário para baixar a demo do FM 16, vindo a adquirir a versão completa uma semana depois.

A ideia para o primeiro save era ter um desafio considerável, mas nada tão drástico quanto o Instituto. Eu gosto bastante de pegar um clube na última divisão e vir subindo com ele até conseguir as taças mais importantes possíveis, mas essa missão demanda muito tempo, de forma que os objetivos só são alcançados quando todos os jogadores que existem atualmente já se aposentaram, restando apenas os regens. Dito isto, escolhi o Swansea da Inglaterra. Ou melhor, o Swansea do País de Gales, mas que disputa a Premier League.Era um time com o qual eu já simpatizava e que tem jogadores de inegável qualidade, em especial Jefferson Montero, André Ayew e Gomis.

Para a nova saga o meu treinador virtual se chama Silvério Sertânia, brasileiro com os meus 27 anos e com pontos de experiência distribuídos a partir do histórico de de ter sido um jogador de pouco destaque nacional, mas com uma licença de treinador continental. Essa configuração, creio, me fez ter um perfil ligeiramente abaixo do necessário para o Swansea, com muitos pontos em capacidades táticas e de avaliação de desempenho e poucos no aspecto de gerenciamento de pessoas, ou seja, o estilão do tracksuit manager.

Apresentações feitas, logo de cara tive que lidar com uma proposta do Chelsea pelo meia Sigurdsson. A oferta inicial era de 25 milhões de euros e eu sabia de uma experiência pregressa na demonstração que, caso recusasse, o jogador ficaria bastante chateado, não rendendo o esperado quando entrasse em campo. Tendo isso em mente, joguei a proposta para 35 milhões de euros, acreditando que o Chelsea a retiraria. Eles, no entanto, aceitaram a contraproposta e fecharam com aquele que, tecnicamente, era o meu melhor jogador.

O Swansea, porém seguia  em frente e agora com o estilo de jogo que eu gostaria para o clube. A ideia era, tal qual na época de Instituto, emular novamente Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli com aquele 3-3-1-3 ou 3-4-3 com meio campo em formato de diamante. A pressão era alta e o time ofensivo, com muito jogo pelos lados do campo e transições velozes, mas… Não deu certo nem na pré-temporada e nem depois:




Bom, ao mercado de transferências para tentarmos o objetivo da metade superior da tabela! Mesmo sabendo ser errado, em muitos movimentos eu deixei de lado os scouts e avaliações do jogo para ir pelo meu conhecimento do futebol mundial, fazendo evidentemente algumas prospecções, mas confiando primeiramente na vida real.


Com os 35 milhões da venda de Sigurdsson trouxe Ashley Cole da Roma por 375 mil, o  atacante João Rojas do Cruz Azul do México por 8 milhões e meio (sim, caro, mas eu queria um outro atacante de lado de campo).  Por empréstimo veio Ángel Correa do Atlético de Madrid de 20 anos, enquanto do Celta de Vigo trouxemos o meia Pablo Hernández por 2 milhões de euros. Já o atacante Jonathan Soriano de 30 anos veio do Red Bull Salzburg por mais 5 milhões…

Mesmo com eles o meu estilo de jogo foi naufragando acredito eu, repito, pelo fato de não jogar o FM desde 2012… Pelo pouco que consegui entender, o game está muito mais calcado nas funções dos jogadores e menos na disposição dentro de campo ou postura assumida pelos atletas. Em outras palavras, de nada adianta um time bonito no papel com as funções erradas dentro de campo e, vocês sabem, são muitas…

Empilhando derrotas, mudei o meu esquema para o 4-2-3-1 e contratei um volante de mais pegada, mandando Shelvey e Ki Sung Yueng para o banco: Muhamed Besic, que chegou por empréstimo do Everton. 


Nem isso adiantou, de forma que a diretoria veio ter AQUELA conversa comigo. Era quase um ultimato: ou ganhava 10 pontos nos próximos cinco jogos ou estaria no olho da rua.



Felizmente vendo o jogo completo (quase uma hora por partida) e entendendo um pouco mais as mudanças da versão 2016 conseguimos reagir. Primeiro batemos o West Ham por 3 a 2. Na sequência veio um 2 a 1 no lanterna Stoke, emendado com uma derrota por 4 a 1 para o City e uma vitória por 2 a 1 contra o West Brom. Ou seja, em quatro jogos tínhamos nove pontos! O problema? O seguinte, o quinto, o último da meta era contra o Liverpool…Eu achei que já era, mas… Surpreendentemente vencemos! 2 a 0! Mantive o meu emprego!




Ainda sobrou um dinheirinho do Sigurdsson, de forma que quando janeiro chegar, o volante Sven Bender virá aí! Quem sabe com ele nós melhoramos…

domingo, 9 de agosto de 2015

Timing errado, decisão nem tanto...

Qualquer análise bem fundamentada exige distância entre o observador e observado. Vou tentar ao máximo fazer isso para falar da saída de Marcelo Bielsa do Olympique de Marseille.

A decisão tomada neste sábado, logo após o primeiro jogo e primeira derrota do clube no campeonato, pegou todos de surpresa. Afinal de contas o treinador argentino fez todo o processo de pré-temporada e disse na quinta-feira que estava tudo certo para que ele seguisse no clube até 2016 e provavelmente até o final da temporada 16-17. No entanto, uma ressalva foi feita: "está tudo acertado, mas não assinado".

Pois é... Segundo Bielsa,  na quarta-feira  houve uma reunião dele com o diretor geral do clube, Philippe Pérez, e o advogado Igor Levin, representante de Margarita Louis-Dreyfus, dona do clube. Na versão do argentino, pontos importantes do que estava acertado foram modificados e por isso a permanência se tornou inviável. Bielsa alega que não seria capaz de confiar mais no projeto do Olympique em meio a esta mudança.

O argentino não quis revelar quais foram os pontos e o presidente da agremiação, Vincent Labrune disse que se tratavam apenas de "questões técnicas". Já no domingo o Olympique de Marseille divulgou uma nota dizendo que "os interesses de um único homem jamais poderiam ficar acima do interesse do clube". Pelo que é possível depreender a decisão foi tomada antes do jogo contra o Caen, de forma que a derrota não deve ter influenciado em nada.

Bom, dito isto... Bielsa está errado no timing. Se havia pontos que poderiam ser passíveis de uma saída do clube, isso deveria ter sido discutido antes da pré-temporada... E se o técnico apenas confiou na palavra do presidente, esperando que nada mudaria, foi ingênuo... O Olympique de Marseille, no entanto, foi mais...

Como pode um clube deixar de assinar um contrato novo e ficar à mercê do treinador desta forma? Durante três meses de preparação?  Resposta: não havia jeito.

A chegada de Bielsa ao clube pode não ter rendido títulos ao Olympique, mas gerou toda uma gama de benefícios que fizeram o treinador ser indispensável. O estilo de jogo ofensivo, a boa fase no início da temporada passada e a própria postura do comandante cativaram o torcedor de tal forma que a média de público do Marseille em casa subiu de 37 mil 842 no campeonato 2013-14 para inacreditáveis 52 mil 917 no último ano!

Mais: a atenção que o time passou a receber tanto pelo estilo quanto pela curiosidade sobre Bielsa fez com que o clube ganhasse páginas de sites, jornais e programas de rádio e televisão em muitas outras partes do mundo, algo que o outrora imenso e hoje grande Marseille recebeu de muito bom grado!

E claro, houve os ganhos financeiros diretos que perpassam venda de ingressos e merchandising. O time que terminou o campeonato francês em sexto na temporada 2013-14 perdeu o seu principal jogador, Mathieu Valbuena, não teve reposição à altura (Barrada, Alessandrini, Batshuayi e Dória foram as contratações, sendo todas apostas pro futuro) e mesmo assim brigou pelo título por 3/4 do torneio, obtendo uma vaga na Liga Europa como consolo. Além disso o clube faturou 40,6 milhões de euros com as vendas de Imbula e Payet nesta janela (tinham sido comprados por 17). Ou seja... o treinador contribuía de tal forma para o planejamento de longo prazo que o Marseille não podia abrir mão de tal profissional, mesmo que a forma de trabalho soasse "ofensiva" pelas exigências e atitudes até certo ponto insubordinadas...

O pior, no entanto, é que o Marseille achou que Marcelo seria o suficiente e aceitaria de novo qualquer coisa. Além de Imbula e Payet, o clube perdeu de graça Ayew, Gignac, Morel e Fanni, ou seja: seis titulares deixaram o time de uma temporada para outra. O efeito negativo poderia ser mitigado por meio da chegada de bons nomes, mas, tal qual no outro mercado de transferências, os grandes reforços não vieram. É bem verdade que desta vez ao menos alguns pedidos do treinador foram respeitados, casos do zagueiro Rekik, do atacante Ocampos e do lateral Manquillo, mas os meias-atacantes Nkoudou (que veio do Nantes e tem 20 anos) e Sarr (23 anos, ex-Metz) não podem ser chamados de substitutos à altura dos que saíram, tampouco Diarra e Diaby, que juntos somaram 67 minutos na última temporada e que foram ideia do presidente....

Em suma: o Olympique apostava em Bielsa e apenas em Bielsa para ter um ano digno. Veio a negociação de contrato e as exigências do argentino.. A torcida o ama, a mídia estrangeira o observa, o estilo de jogo pode render resultados... Tem como dizer não aos termos do contrato? A princípio o clube pensava que não, mas depois achou que sim... Bielsa não queria seguir emprestando carisma, credibilidade e competência a quem não confiava e foi embora.

Timing errado... Decisão não tanto....

O Marseille segue, Bielsa segue, mas foi um triste fim para um casamento que rendeu tantos jogos memoráveis na temporada passada.










terça-feira, 30 de junho de 2015

Geração ruim??!

A bengala da vez foi eleita! Depois da falta de comprometimento em 2006, do excesso de pilha em 2010 e do apagão de 2014 a "análise" agora é de que o Brasil sofre com a "pior geração de atletas da história". Sem esquecer, é claro, do (co)modismo de atribuir tudo a fatores psicológicos, tema que já foi abordado aqui.

Falar em geração ruim é cair em um discurso raso que evita que olhemos para o que realmente importa: o jogo dentro de campo. A seleção brasileira teve na Copa América atletas que atuam como protagonistas nos principais clubes do mundo. Vamos lembrar?

Jefferson está na Série B com o Botafogo, mas Diego Alves (titular do Valencia e um dos melhores goleiros da Europa) poderia seguramente ser o dono da meta, caso Dunga optasse por ele.

Na direita temos Daniel Alves, protagonista do Barcelona na conquista da Liga dos Campeões e teríamos Danilo (ex-destaque do Porto e agora no Real Madrid).

Na zaga Miranda foi essencial no título espanhol do Atlético de Madrid na temporada 13-14. Thiago Silva, David Luiz e Marquinhos atuam no Paris St. Germain, uma das potências em nível continental (quartas da Champions) e o melhor time da França.

Na esquerda, Marcelo do Real Madrid poderia ter feito parte do grupo se estivesse em condições, enquanto Filipe Luís do Chelsea foi o titular.

Volantes? Temos também! Fernandinho foi titular absoluto do Manchester City, Luiz Gustavo, que se lesionou, teve intensa participação no vice-campeonato alemão do Wolfsburg, enquanto Casemiro foi destaque do Porto e volta em alta ao Real Madrid.

Entre os meias/ponteiros tivemos na Copa América Willian (uma das estrelas do Chelsea), Coutinho (para muitos o melhor jogador da Premier League) e Neymar, que dispensa comentários. No banco estavam Douglas Costa (provavelmente novo reforço do Bayern) e Robinho, que apesar da idade, ainda tem nível para ser referência técnica do time.

A posição de centroavante foi a mais carente, mas Firmino foi sucessivamente destaque do Hoffenhein, encerrou a temporada com 10 gols e foi o terceiro em assistências na Bundesliga. Já Tardelli teve seus momentos, mas caiu de desempenho na China. 


Pouco? Vamos comparar com a seleção chilena, indubitavelmente a de melhor desempenho na Copa América: Bravo (Barcelona), Vidal (Juventus) e Sanchez (Arsenal) são os únicos que defendem clubes gigantes da Europa. O lateral direito Isla foi rebaixado na Premier League com o QPR. Os zagueiros são Jara, do Mainz 05, e Medel, que apesar de atuar na Inter de Milão (longe do protagonismo de outrora) joga como volante no clube. Na esquerda está Mena, constantemente criticado no Brasil por suas atuações no Santos e Cruzeiro. O primeiro volante é Marcelo Diaz, do quase rebaixado Hamburgo e ao lado dele está Aranguiz, do Internacional. Valdívia, que praticamente não joga pelo Palmeiras, é o camisa 10, enquanto Vargas do rebaixado QPR forma o setor ofensivo ao lado de Sanchez. Já no banco chileno estão atletas do Hannover, Universidad de Chile, Boca Juniors, Brugge, Fiorentina, Twente, Atalanta, Colo-Colo e Dynamo Zagreb. 

A safra chilena é melhor que a brasileira? Não é. A menos que imaginemos que todos foram subvalorizados e não estão em clubes maiores por total cegueira dos olheiros. Não me parece muito plausível... Mas por que o Chile joga bem e muitas vezes bonito? Porque tem um trabalho exaustivo de ideia de jogo e execução de tal plano. Porque tem um técnico que não aceita que o resultado seja mais importante, pois sabe que o próprio termo denota consequência e não um fim em si mesmo. 

Os titulares colombianos estão em clubes de mais renome, mas em profundidade creio que a seleção brasileira poderia ser melhor que os cafeteros. 


Querem mais? Sou capaz de montar uma SEGUNDA seleção brasileira que teria 23 atletas de pelo menos nível semelhante ao dos chilenos. 

Goleiros: Rafael Cabral (Napoli) e Fabiano (Porto)

Defensores: Henrique (Napoli), Juan Jesus (Inter), Gabriel Paulista (Arsenal) e Mário Fernandes (CSKA)

Laterais: Guilherme Siqueira (Atl. Madrid), Rafinha (Bayern), Wendell (Leverkusen) e Alex Sandro (Porto)

Volantes: Fernando (City), Lucas Leiva (Liverpool), Lucas Silva (Real Madrid), Hernanes (Inter de Milão), Souza (São Paulo) e Ramires (Chelsea)

Meias: Talisca (Benfica), Rafael Alcantara (Barcelona), Felipe Anderson (Lazio), Oscar (Chelsea) e Lucas Moura (PSG)

Atacantes: Jonas (Benfica), Luiz Adriano (Shakhtar Donetsk) e Hulk (Zenit)

Isso sem falar em nomes como Victor, Jemerson, Rafael Carioca, Fábio, Gil, Renato Augusto, Valdívia (do Inter), Lucas (Palmeiras), Lucas Lima, Michel Bastos, Fred e Pato, que poderiam resolver uma ou outra situação específica e que estão no próprio futebol brasileiro. 

Geração ruim? Ou trabalho ruim?! 

Chega de desculpas. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Chega de emoções! Vamos falar de futebol!

Após mais uma competição vexaminosa os críticos da seleção brasileira e do técnico Dunga, que se escondiam devido aos bons desempenhos nos insossos amistosos, voltaram à tona.

O problema? Com a avaliação errada.

Falaram em emocional de Thiago Silva. Em desequilíbrio do grupo. Em jogadores apáticos... O aspecto lúdico do futebol tomou conta dos "analistas" e dos "técnicos" de tal forma que ficamos presos em conceitos totalmente abstratos, imensuráveis e que muito provavelmente não têm essa relevância toda numa partida.

Se o time bom não vence é porque "entrou de salto alto, com soberba"
Se um time bom perde é porque "não entrou com atitude".
Se um time razoável ganha é porque "se superou na adversidade"
Se um jogador falhou no momento decisivo é porque "estava com problemas extra-campo"
Se o bom futebol não vem é porque o "jogador não respeita a camisa"

Dunga viu a Copa América como um "nós contra todos" e muitos dos jogadores devem ter entrado nesta onda do "comprometimento nos levará longe". Não é culpa exclusivamente deles. Infelizmente estamos condicionados a essa análise emocional de tudo que cerca o futebol.

O brasileiro em geral é muito emocional. O jogador brasileiro então...

Não à toa o técnico mais bem sucedido (em títulos) do futebol nacional é Luiz Felipe Scolari, famoso pelas "famílias montadas ao longo da carreira". Muricy Ramalho, longe de ser um grande estrategista, também é levado em alta estima por isso.  Luxemburgo um pouco menos, mas a preleção para Gladstone com a história da fralda e o "medo de perder tira a vontade de ganhar" ainda povoam o imaginário coletivo de uma forma absurda.

Todos que adentram esse mundo impalpável e abstrato das emoções esquecem-se do que hoje é a principal carência do futebol brasileiro e consequentemente da seleção: o jogo propriamente dito.

Foi-se o tempo em que emocional + talento decidiam tudo. E o Brasil não caiu para o Paraguai por acomodação, instabilidade psicológica ou qualquer conceito destes. O Brasil caiu porque não jogou futebol.
Porque Dunga se aferrou às desculpas ao discurso de contra tudo e contra todos para formar um time de contra-golpe que não sabe o que fazer quando se vê travado por uma marcação minimamente eficiente como foi a do Paraguai.

Isso é jogo!

É saída de bola com volantes, é abrir espaço com movimentação, é criar superioridade numérica, é potencializar pontos fortes e minimizar debilidades dentro das características dos 23 elegidos para uma Copa América.

Não adianta mostrar frases de apoio e fotos de parentes. O futebol mudou e agora é necessário jogá-lo como o esporte de alta complexidade que ele é...



quarta-feira, 11 de março de 2015

O trabalho messiânico de Muricy Ramalho

Me cansam demais as análises passionais sobre o futebol . Entendo quem as prefira, mas não comparto. Por isso farei meu compilado aqui sobre o trabalho de Muricy Ramalho desde o seu retorno ao São Paulo. Quero deixar de falar tantas vezes as mesmas coisas no meu Twitter e por isso farei deste o texto definitivo (de minha parte) sobre o tema...

A salvação

O tetracampeão brasileiro retornou ao tricolor paulista em um dos piores momentos da história do clube do Morumbi. Em 2013 a equipe estava lutando contra o rebaixamento e a fogueira das vaidades minava internamente um clube que naquele mesmo ano esteve nas oitavas de final da Libertadores e que ainda possuía um elenco no mínimo capaz de brigar novamente por uma vaga no torneio continental.

Figura inquestionável - por méritos e carisma - dentro do São Paulo, Muricy Ramalho fez o simples: devolveu a confiança aos atletas, virou para-raio das críticas e tirou o tricolor da incômoda situação. Foi um trabalho perfeito para o momento e por isso o treinador e direção merecem todos os elogios. Não é possível, no entanto, afirmar que nenhum outro comandante seria capaz de fazê-lo. Como dissemos, o elenco tricolor tinha naquele momento nomes de qualidade no mínimo melhor que outros 10 concorrentes do Brasileirão.

Só pra lembrar, no retorno de Muricy ao clube, a escalação foi a seguinte: Rogério, Rodrigo Caio, Paulo Miranda e Antônio Carlos; Caramelo, Denílson, Maicon, Ganso e Reinaldo; Welliton e Luis Fabiano

Além de salvar a equipe, Muricy Ramalho teve na Sul-Americana daquele ano a possibilidade de voltar a conquistar um título com a equipe do coração. Os esforços, que contaram com atuações memoráveis de Rogério Ceni contra a Universidad Católica, porém pararam nas semifinais diante da Ponte Preta. Jogando no Morumbi, o São Paulo sofreu uma vexatória derrota por 3 a 1 de virada. Ali a equipe foi a seguinte:  Rogério; Paulo Miranda, A.Carlos, R.Caio e Reinaldo; Denílson, Maicon, Lucas Evangelista e Ganso; Aloísio e Ademílson.

Na volta um desmotivado São Paulo apenas empatou com a Ponte Preta por 1 a 1. A partida foi em Mogi pois a diretoria tricolor bateu o pé para tirar o confronto do Moisés Lucarelli alegando falta de capacidade para o público. Após a eliminação, o técnico Muricy Ramalho disse que ganhar o torneio nunca foi prioridade e desmereceu o valor da Sul-Americana. O treinador foi perdoado.

Trabalho começando do zero

Chegou 2014 e com ele o prognóstico de um ano à altura de Muricy Ramalho no São Paulo. Podendo realizar um trabalho desde o início, o treinador contou com um elenco melhor que o de 2013. Vieram os laterais Luis Ricardo e Álvaro Pereira, o volante Souza e os atacantes Alexandre Pato e Pabón. O desempenho no Campeonato Paulista foi positivo e contou inclusive com uma vitória por 3 a 2 contra o Corinthians, o mais recente triunfo da equipe diante do maior rival. Ali o time teve: Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Álvaro Pereira; Souza, Maicon e Ganso; Pabón, Osvaldo e Luis Fabiano

A campanha, porém, parou novamente em um time de menor qualidade técnica: o Penapolense. Nas quartas de final, a equipe tricolor caiu nos pênaltis depois de um 0 a 0 no tempo normal. Ali o time foi escalado com Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Álvaro Pereira; Wellington, Maicon e Ganso; Pabon, Luis Fabiano e Osvaldo. Os erros nas cobranças da marca da cal absolveram o treinador uma vez mais. 

Veio a Copa do Brasil e o confronto contra o Bragantino parecia fácil para os estelares tricolores. Os problemas na bola aérea, no entanto, sugeriam cuidado para o jogo. Depois de uma vitória por 2 a 1 fora de casa o tricolor só precisava de um empate para fazer o serviço. Não conseguiu... No Morumbi, Muricy Ramalho decidiu mandar alguns reservas a campo, incluindo Luis Ricardo na lateral direita. O ala levou um baile de Rildo e Uendel e o São Paulo perdeu de virada por 3 a 1. Naquela ocasião a equipe foi a campo com: Rogério Ceni; Luis Ricardo, Edson Silva, Paulo Miranda e Álvaro Pereira; Souza, Maicon e Ganso; Ademílson, Osvaldo e Pato. O técnico foi absolvido pela falta de tempo para montar a equipe ideal e pela "falta de raça" dos comandados. 

O auge no Brasileirão

Veio o Brasileirão, competição preferida de Muricy Ramalho. Antes da Copa, o São Paulo fez o que dele se esperava, mas com algumas oscilações no caminho. Houve derrotas emblemáticas como o 5 a 2 para o Fluminense. O tricolor tinha ido para o intervalo com o 2 a 1 no marcador, mas conseguiu levar quatro gols e um show de Walter no segundo tempo. A falta de reação às mudanças de Cristóvão Borges foram um ponto importante para a derrota do time, que teve: Rogério; Paulo Miranda, Lucão, Antônio Carlos e Reinaldo; Souza, Maicon e Ganso; Pato, Osvaldo e Luis Fabiano. 

Veio a Copa do Mundo e na sequência Muricy Ramalho recebeu Rafael Tolói, Kaká, Michel Bastos e Alan Kardec. Com o elenco encorpado e a mudança do esquema para o 4-2-2-2, com Kaká e Ganso na criação, o tricolor sofreu contra as retrancas de Figueirense, Criciúma, Goiás e Chapecoense, mas também mostrou muita qualidade para empilhar vitórias e inclusive bater o Cruzeiro no confronto direto. As melhores características do time eram a marcação bem feita e saída de jogo apurada dos dois volantes e a entrega de Kaká na marcação e organização do time. As movimentações do pentacampeão mundial davam dinâmica para o ataque mais pesado e permitiram que o São Paulo jogasse um futebol bonito muitas vezes. Muricy Ramalho nunca escondeu: a chegada de Kaká acertou o time, tanto dentro quanto fora de campo. 

A arrancada, porém, parou logo na rodada seguinte ao triunfo contra o Cruzeiro, com a derrota para o Coritiba, que lutava contra o rebaixamento. O jogo foi 3 a 1 para o Coxa de virada. Todos os gols dos paranaenses vieram no segundo tempo contra um tricolor que teve Denis; Auro, Toloi, E.Silva e Álvaro Pereira; Denílson, Souza, Ganso e M.Bastos; Pato e Kardec. Ali a reação são-paulina foi parada e o tricolor não conseguiu mais chegar de fato no campeão Cruzeiro. O tricolor ficou com o vice tendo um dos quatro melhores elencos do país (na minha visão, o segundo...). 

Sobrou a Copa Sul-Americana e os desempenhos foram uma verdadeira montanha russa. Começou com a derrota por 2 a 1 para o Criciúma na estreia e passou para o tricolor sofrendo demais para bater o Huachipato por 1 a 0 no Morumbi. Foi uma partida em que os chilenos pressionaram a saída de bola o tempo todo, minando completamente o estilo de jogo de Ganso, Kaká e companhia. Na sequência, diante do Emelec, o São Paulo abriu 3 a 0 no Morumbi, permitiu o 3 a 2 e no fim venceu por 4 a 2. No Equador perdeu por 3 a 2 depois de sofrer um gol no primeiro minuto de jogo. Por fim, diante do Atlético Nacional, caiu na Colômbia por 1 a 0 jogando com: Ceni; Hudson, Tolói, E.Silva e Bastos; Denilson, Souza, Ganso e Kaká; Luis Fabiano e Kardec.

Na ocasião o técnico Muricy Ramalho e seus comandados culparam o cansaço da maratona de jogos e da viagem a Medellín. Justo, não fosse a insistência em manter sempre o mesmo time e não dar rodagem no ótimo elenco que tinha. Por isso mesmo surpreendeu a decisão da comissão técnica de levar todos os titulares a Cuiabá para participar de um jogo insosso contra o Santos. O clássico foi entre as duas partidas da Sul-Americana e certamente não contribuíram muito para o confronto da volta no Morumbi. O São Paulo fez uma boa partida, mas errou muito nas finalizações e não conseguiu fazer mais que 1 a 0. Nos pênaltis, deu Atlético Nacional. Ali a equipe foi escalada com: Rogério Ceni; Hudson, Toloi, Edson Silva e Alvaro Pereira; Denilson, Souza, Kaká (Alan Kardec), Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos (Osvaldo); Luis Fabiano. Perder nas penalidades uma vez mais serviu para o técnico não ser questionado.

2015 chega e o São Paulo regride

O sorteio da Libertadores colocou o São Paulo no grupo do atual campeão do torneio e do vencedor de Corinthians e Once Caldas. Foi motivo suficiente para o tricolor seguir abrindo o bolso para dar o elenco pedido por Muricy Ramalho. Vieram o zagueiro Dória (defensor canhoto pedido pelo treinador), os laterais Bruno e Carlinhos, o volante Thiago Mendes e os atacantes Jonathan Cafu e Centurión. Por outro lado saíram Álvaro Pereira, Osvaldo, Kaká e Ademílson. Ou seja, o grupo estava da forma como o comandante pediu e ainda mais qualificado que em 2014. O time base foi mantido, exceção feita às laterais, mas mesmo com um período maior de preparação na pré-temporada o futebol caiu...

O 4-2-2-2 dos melhores momentos de 2014 foi inicialmente mantido, desta vez com Michel Bastos (de desempenho técnico superior ao de Kaká) no lugar do pentacampeão. Em que se pese a grande quantidade de gols marcada no início do Paulistão, o São Paulo seguiu seu caminho de oscilação. Contra o XV de Piracicaba, por exemplo, venceu por 2 a 0, mas sofreu demais com a marcação adiantada do adversário. No clássico contra o Santos teve que contar com mais uma inspiradíssima atuação de Rogério Ceni para sair da Vila Belmiro com um 0 a 0. O jogo marcou a inusitada escalação de Ewandro como titular em sua primeira partida na temporada. Na coletiva pós-jogo Muricy culpou a falta de velocidade e "penetração" da equipe.

O sinal de alerta estava ligado, mas os treinos da comissão técnica indicavam o contrário. A sequência regenerativo, coletivo com três times e rachão imperava mesmo às vésperas da estreia na Libertadores contra o Corinthians e com a chegada de um reforço que seria titular; o zagueiro Dória. O último teste antes de atuar contra o maior rival era diante do Bragantino. Muricy Ramalho deu descanso aos titulares e mandou a equipe a campo com um inédito 3-5-2.  Dória, que dias depois seria zagueiro pela esquerda, foi o atleta da sobra na linha defensiva. Boschilia e Thiago Mendes ocuparam as alas, Maicon foi o jogador de maior criação e Centurión, Pato e Kardec formaram o setor de frente. O São Paulo goleou por 5 a 0 em sua melhor atuação coletiva da temporada - em que se pese o nível baixo do adversário - dando indícios de que o técnico do tricolor poderia mudar o time para o jogo contra o Corinthians.

Muricy mudou sim, mas para um sistema completamente novo, que ainda não havia sido testado antes: três volantes (Maicon, Souza e Denílson) e com Michel Bastos na lateral. A atuação foi vergonhosa e o São Paulo não representou nenhuma ameaça ao Corinthians. O técnico são-paulino uma vez mais evitou assumir a responsabilidade e falou sempre no plural sobre o que não deu certo. Por fim disse a seguinte frase: "Nós acreditamos na nossa técnica". Ou seja... O São Paulo ACREDITOU.

De volta ao Paulistão o time goleou o Audax e na Libertadores fez um 4 a 0 no Danubio. Com tom de vindicado, Muricy Ramalho bateu nos críticos e boa parte dos jornalistas concordaram que tudo estava melhorando, faltava apenas dar entrosamento à equipe. O técnico disse na coletiva que isso seria feito, mas logo no jogo seguinte  O horroroso empate por 0 a 0 com o Rio Claro no dia 1º de março contou com uma equipe mista, mesmo com os titulares de folga até o fim de semana seguinte. Na coletiva pós-jogo, o técnico do São Paulo culpou as mudanças da equipe titular pela atuação abaixo da média.

Veio o segundo clássico contra o Corinthians e o São Paulo, embora tenha mostrado mais vontade do que no confronto da Libertadores, novamente se mostrou inócuo contra o rival, mesmo com um a mais. Foram 30 cruzamentos e apenas 7 corretos. Foram 10 finalizações, mas apenas três corretas... O melhor atleta em campo? Centurión que foi amplamente criticado pelo treinador antes da partida por uma suposta timidez. No pré-jogo Muricy chegou a dizer que pensava em não levar o argentino para o banco de reservas...

Dois dias depois de mais um fracasso o São Paulo fez um treino de dois toques com quatro times dentro de campo e gols pequenos. Nada a ver com o problema verificado na partida... O São Paulo não teve nenhum problema em trocar passes (foram 440 corretos, inclusive...).

E em meio a tudo isso, Paulo Henrique Ganso virou motivo de debate. É mais uma cortina de fumaça para não ver quais são os reais problemas COLETIVOS do São Paulo... Respostas? Não há. Somente a CRENÇA...

Apêndice 

Vale observar também o quanto o São Paulo está desorganizado fora de campo. Foram uma série de episódios lamentáveis e dignos de clube amador nos últimos meses. Só pra lembrar alguns:

- O presidente Carlos Miguel Aidar dizendo que Kaká interessava por ter todos os dentes na boca

- O presidente Carlos Miguel Aidar acusando o Napoli de usar dinheiro da máfia italiana.

- As cobranças públicas de Muricy por reforços e as respostas públicas de Ataíde Gil Guerreiro e Aidar sobre a necessidade de títulos na temporada

- A presença da namorada do presidente como intermediária de patrocinadores no clube...

- A chegada de um abnegado torcedor que desembolsou 14 milhões de reais para contratar Centurión por amor e que depois virou diretor-adjunto de marketing do clube.

- A ligação ao vivo do presidente para o chefe da torcida organizada, que contratou ônibus para são-paulinos com dinheiro do clube

- A troca da vendedora de ingressos às vésperas de um jogo importantíssimo contra o Danubio no Morumbi, o que levou o Morumbi a um público ridículo de 17 mil pagantes.

- O atraso superior a três meses no pagamento de direitos de imagem

E por aí vamos...