segunda-feira, 29 de junho de 2015

Chega de emoções! Vamos falar de futebol!

Após mais uma competição vexaminosa os críticos da seleção brasileira e do técnico Dunga, que se escondiam devido aos bons desempenhos nos insossos amistosos, voltaram à tona.

O problema? Com a avaliação errada.

Falaram em emocional de Thiago Silva. Em desequilíbrio do grupo. Em jogadores apáticos... O aspecto lúdico do futebol tomou conta dos "analistas" e dos "técnicos" de tal forma que ficamos presos em conceitos totalmente abstratos, imensuráveis e que muito provavelmente não têm essa relevância toda numa partida.

Se o time bom não vence é porque "entrou de salto alto, com soberba"
Se um time bom perde é porque "não entrou com atitude".
Se um time razoável ganha é porque "se superou na adversidade"
Se um jogador falhou no momento decisivo é porque "estava com problemas extra-campo"
Se o bom futebol não vem é porque o "jogador não respeita a camisa"

Dunga viu a Copa América como um "nós contra todos" e muitos dos jogadores devem ter entrado nesta onda do "comprometimento nos levará longe". Não é culpa exclusivamente deles. Infelizmente estamos condicionados a essa análise emocional de tudo que cerca o futebol.

O brasileiro em geral é muito emocional. O jogador brasileiro então...

Não à toa o técnico mais bem sucedido (em títulos) do futebol nacional é Luiz Felipe Scolari, famoso pelas "famílias montadas ao longo da carreira". Muricy Ramalho, longe de ser um grande estrategista, também é levado em alta estima por isso.  Luxemburgo um pouco menos, mas a preleção para Gladstone com a história da fralda e o "medo de perder tira a vontade de ganhar" ainda povoam o imaginário coletivo de uma forma absurda.

Todos que adentram esse mundo impalpável e abstrato das emoções esquecem-se do que hoje é a principal carência do futebol brasileiro e consequentemente da seleção: o jogo propriamente dito.

Foi-se o tempo em que emocional + talento decidiam tudo. E o Brasil não caiu para o Paraguai por acomodação, instabilidade psicológica ou qualquer conceito destes. O Brasil caiu porque não jogou futebol.
Porque Dunga se aferrou às desculpas ao discurso de contra tudo e contra todos para formar um time de contra-golpe que não sabe o que fazer quando se vê travado por uma marcação minimamente eficiente como foi a do Paraguai.

Isso é jogo!

É saída de bola com volantes, é abrir espaço com movimentação, é criar superioridade numérica, é potencializar pontos fortes e minimizar debilidades dentro das características dos 23 elegidos para uma Copa América.

Não adianta mostrar frases de apoio e fotos de parentes. O futebol mudou e agora é necessário jogá-lo como o esporte de alta complexidade que ele é...



quarta-feira, 11 de março de 2015

O trabalho messiânico de Muricy Ramalho

Me cansam demais as análises passionais sobre o futebol . Entendo quem as prefira, mas não comparto. Por isso farei meu compilado aqui sobre o trabalho de Muricy Ramalho desde o seu retorno ao São Paulo. Quero deixar de falar tantas vezes as mesmas coisas no meu Twitter e por isso farei deste o texto definitivo (de minha parte) sobre o tema...

A salvação

O tetracampeão brasileiro retornou ao tricolor paulista em um dos piores momentos da história do clube do Morumbi. Em 2013 a equipe estava lutando contra o rebaixamento e a fogueira das vaidades minava internamente um clube que naquele mesmo ano esteve nas oitavas de final da Libertadores e que ainda possuía um elenco no mínimo capaz de brigar novamente por uma vaga no torneio continental.

Figura inquestionável - por méritos e carisma - dentro do São Paulo, Muricy Ramalho fez o simples: devolveu a confiança aos atletas, virou para-raio das críticas e tirou o tricolor da incômoda situação. Foi um trabalho perfeito para o momento e por isso o treinador e direção merecem todos os elogios. Não é possível, no entanto, afirmar que nenhum outro comandante seria capaz de fazê-lo. Como dissemos, o elenco tricolor tinha naquele momento nomes de qualidade no mínimo melhor que outros 10 concorrentes do Brasileirão.

Só pra lembrar, no retorno de Muricy ao clube, a escalação foi a seguinte: Rogério, Rodrigo Caio, Paulo Miranda e Antônio Carlos; Caramelo, Denílson, Maicon, Ganso e Reinaldo; Welliton e Luis Fabiano

Além de salvar a equipe, Muricy Ramalho teve na Sul-Americana daquele ano a possibilidade de voltar a conquistar um título com a equipe do coração. Os esforços, que contaram com atuações memoráveis de Rogério Ceni contra a Universidad Católica, porém pararam nas semifinais diante da Ponte Preta. Jogando no Morumbi, o São Paulo sofreu uma vexatória derrota por 3 a 1 de virada. Ali a equipe foi a seguinte:  Rogério; Paulo Miranda, A.Carlos, R.Caio e Reinaldo; Denílson, Maicon, Lucas Evangelista e Ganso; Aloísio e Ademílson.

Na volta um desmotivado São Paulo apenas empatou com a Ponte Preta por 1 a 1. A partida foi em Mogi pois a diretoria tricolor bateu o pé para tirar o confronto do Moisés Lucarelli alegando falta de capacidade para o público. Após a eliminação, o técnico Muricy Ramalho disse que ganhar o torneio nunca foi prioridade e desmereceu o valor da Sul-Americana. O treinador foi perdoado.

Trabalho começando do zero

Chegou 2014 e com ele o prognóstico de um ano à altura de Muricy Ramalho no São Paulo. Podendo realizar um trabalho desde o início, o treinador contou com um elenco melhor que o de 2013. Vieram os laterais Luis Ricardo e Álvaro Pereira, o volante Souza e os atacantes Alexandre Pato e Pabón. O desempenho no Campeonato Paulista foi positivo e contou inclusive com uma vitória por 3 a 2 contra o Corinthians, o mais recente triunfo da equipe diante do maior rival. Ali o time teve: Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Álvaro Pereira; Souza, Maicon e Ganso; Pabón, Osvaldo e Luis Fabiano

A campanha, porém, parou novamente em um time de menor qualidade técnica: o Penapolense. Nas quartas de final, a equipe tricolor caiu nos pênaltis depois de um 0 a 0 no tempo normal. Ali o time foi escalado com Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Álvaro Pereira; Wellington, Maicon e Ganso; Pabon, Luis Fabiano e Osvaldo. Os erros nas cobranças da marca da cal absolveram o treinador uma vez mais. 

Veio a Copa do Brasil e o confronto contra o Bragantino parecia fácil para os estelares tricolores. Os problemas na bola aérea, no entanto, sugeriam cuidado para o jogo. Depois de uma vitória por 2 a 1 fora de casa o tricolor só precisava de um empate para fazer o serviço. Não conseguiu... No Morumbi, Muricy Ramalho decidiu mandar alguns reservas a campo, incluindo Luis Ricardo na lateral direita. O ala levou um baile de Rildo e Uendel e o São Paulo perdeu de virada por 3 a 1. Naquela ocasião a equipe foi a campo com: Rogério Ceni; Luis Ricardo, Edson Silva, Paulo Miranda e Álvaro Pereira; Souza, Maicon e Ganso; Ademílson, Osvaldo e Pato. O técnico foi absolvido pela falta de tempo para montar a equipe ideal e pela "falta de raça" dos comandados. 

O auge no Brasileirão

Veio o Brasileirão, competição preferida de Muricy Ramalho. Antes da Copa, o São Paulo fez o que dele se esperava, mas com algumas oscilações no caminho. Houve derrotas emblemáticas como o 5 a 2 para o Fluminense. O tricolor tinha ido para o intervalo com o 2 a 1 no marcador, mas conseguiu levar quatro gols e um show de Walter no segundo tempo. A falta de reação às mudanças de Cristóvão Borges foram um ponto importante para a derrota do time, que teve: Rogério; Paulo Miranda, Lucão, Antônio Carlos e Reinaldo; Souza, Maicon e Ganso; Pato, Osvaldo e Luis Fabiano. 

Veio a Copa do Mundo e na sequência Muricy Ramalho recebeu Rafael Tolói, Kaká, Michel Bastos e Alan Kardec. Com o elenco encorpado e a mudança do esquema para o 4-2-2-2, com Kaká e Ganso na criação, o tricolor sofreu contra as retrancas de Figueirense, Criciúma, Goiás e Chapecoense, mas também mostrou muita qualidade para empilhar vitórias e inclusive bater o Cruzeiro no confronto direto. As melhores características do time eram a marcação bem feita e saída de jogo apurada dos dois volantes e a entrega de Kaká na marcação e organização do time. As movimentações do pentacampeão mundial davam dinâmica para o ataque mais pesado e permitiram que o São Paulo jogasse um futebol bonito muitas vezes. Muricy Ramalho nunca escondeu: a chegada de Kaká acertou o time, tanto dentro quanto fora de campo. 

A arrancada, porém, parou logo na rodada seguinte ao triunfo contra o Cruzeiro, com a derrota para o Coritiba, que lutava contra o rebaixamento. O jogo foi 3 a 1 para o Coxa de virada. Todos os gols dos paranaenses vieram no segundo tempo contra um tricolor que teve Denis; Auro, Toloi, E.Silva e Álvaro Pereira; Denílson, Souza, Ganso e M.Bastos; Pato e Kardec. Ali a reação são-paulina foi parada e o tricolor não conseguiu mais chegar de fato no campeão Cruzeiro. O tricolor ficou com o vice tendo um dos quatro melhores elencos do país (na minha visão, o segundo...). 

Sobrou a Copa Sul-Americana e os desempenhos foram uma verdadeira montanha russa. Começou com a derrota por 2 a 1 para o Criciúma na estreia e passou para o tricolor sofrendo demais para bater o Huachipato por 1 a 0 no Morumbi. Foi uma partida em que os chilenos pressionaram a saída de bola o tempo todo, minando completamente o estilo de jogo de Ganso, Kaká e companhia. Na sequência, diante do Emelec, o São Paulo abriu 3 a 0 no Morumbi, permitiu o 3 a 2 e no fim venceu por 4 a 2. No Equador perdeu por 3 a 2 depois de sofrer um gol no primeiro minuto de jogo. Por fim, diante do Atlético Nacional, caiu na Colômbia por 1 a 0 jogando com: Ceni; Hudson, Tolói, E.Silva e Bastos; Denilson, Souza, Ganso e Kaká; Luis Fabiano e Kardec.

Na ocasião o técnico Muricy Ramalho e seus comandados culparam o cansaço da maratona de jogos e da viagem a Medellín. Justo, não fosse a insistência em manter sempre o mesmo time e não dar rodagem no ótimo elenco que tinha. Por isso mesmo surpreendeu a decisão da comissão técnica de levar todos os titulares a Cuiabá para participar de um jogo insosso contra o Santos. O clássico foi entre as duas partidas da Sul-Americana e certamente não contribuíram muito para o confronto da volta no Morumbi. O São Paulo fez uma boa partida, mas errou muito nas finalizações e não conseguiu fazer mais que 1 a 0. Nos pênaltis, deu Atlético Nacional. Ali a equipe foi escalada com: Rogério Ceni; Hudson, Toloi, Edson Silva e Alvaro Pereira; Denilson, Souza, Kaká (Alan Kardec), Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos (Osvaldo); Luis Fabiano. Perder nas penalidades uma vez mais serviu para o técnico não ser questionado.

2015 chega e o São Paulo regride

O sorteio da Libertadores colocou o São Paulo no grupo do atual campeão do torneio e do vencedor de Corinthians e Once Caldas. Foi motivo suficiente para o tricolor seguir abrindo o bolso para dar o elenco pedido por Muricy Ramalho. Vieram o zagueiro Dória (defensor canhoto pedido pelo treinador), os laterais Bruno e Carlinhos, o volante Thiago Mendes e os atacantes Jonathan Cafu e Centurión. Por outro lado saíram Álvaro Pereira, Osvaldo, Kaká e Ademílson. Ou seja, o grupo estava da forma como o comandante pediu e ainda mais qualificado que em 2014. O time base foi mantido, exceção feita às laterais, mas mesmo com um período maior de preparação na pré-temporada o futebol caiu...

O 4-2-2-2 dos melhores momentos de 2014 foi inicialmente mantido, desta vez com Michel Bastos (de desempenho técnico superior ao de Kaká) no lugar do pentacampeão. Em que se pese a grande quantidade de gols marcada no início do Paulistão, o São Paulo seguiu seu caminho de oscilação. Contra o XV de Piracicaba, por exemplo, venceu por 2 a 0, mas sofreu demais com a marcação adiantada do adversário. No clássico contra o Santos teve que contar com mais uma inspiradíssima atuação de Rogério Ceni para sair da Vila Belmiro com um 0 a 0. O jogo marcou a inusitada escalação de Ewandro como titular em sua primeira partida na temporada. Na coletiva pós-jogo Muricy culpou a falta de velocidade e "penetração" da equipe.

O sinal de alerta estava ligado, mas os treinos da comissão técnica indicavam o contrário. A sequência regenerativo, coletivo com três times e rachão imperava mesmo às vésperas da estreia na Libertadores contra o Corinthians e com a chegada de um reforço que seria titular; o zagueiro Dória. O último teste antes de atuar contra o maior rival era diante do Bragantino. Muricy Ramalho deu descanso aos titulares e mandou a equipe a campo com um inédito 3-5-2.  Dória, que dias depois seria zagueiro pela esquerda, foi o atleta da sobra na linha defensiva. Boschilia e Thiago Mendes ocuparam as alas, Maicon foi o jogador de maior criação e Centurión, Pato e Kardec formaram o setor de frente. O São Paulo goleou por 5 a 0 em sua melhor atuação coletiva da temporada - em que se pese o nível baixo do adversário - dando indícios de que o técnico do tricolor poderia mudar o time para o jogo contra o Corinthians.

Muricy mudou sim, mas para um sistema completamente novo, que ainda não havia sido testado antes: três volantes (Maicon, Souza e Denílson) e com Michel Bastos na lateral. A atuação foi vergonhosa e o São Paulo não representou nenhuma ameaça ao Corinthians. O técnico são-paulino uma vez mais evitou assumir a responsabilidade e falou sempre no plural sobre o que não deu certo. Por fim disse a seguinte frase: "Nós acreditamos na nossa técnica". Ou seja... O São Paulo ACREDITOU.

De volta ao Paulistão o time goleou o Audax e na Libertadores fez um 4 a 0 no Danubio. Com tom de vindicado, Muricy Ramalho bateu nos críticos e boa parte dos jornalistas concordaram que tudo estava melhorando, faltava apenas dar entrosamento à equipe. O técnico disse na coletiva que isso seria feito, mas logo no jogo seguinte  O horroroso empate por 0 a 0 com o Rio Claro no dia 1º de março contou com uma equipe mista, mesmo com os titulares de folga até o fim de semana seguinte. Na coletiva pós-jogo, o técnico do São Paulo culpou as mudanças da equipe titular pela atuação abaixo da média.

Veio o segundo clássico contra o Corinthians e o São Paulo, embora tenha mostrado mais vontade do que no confronto da Libertadores, novamente se mostrou inócuo contra o rival, mesmo com um a mais. Foram 30 cruzamentos e apenas 7 corretos. Foram 10 finalizações, mas apenas três corretas... O melhor atleta em campo? Centurión que foi amplamente criticado pelo treinador antes da partida por uma suposta timidez. No pré-jogo Muricy chegou a dizer que pensava em não levar o argentino para o banco de reservas...

Dois dias depois de mais um fracasso o São Paulo fez um treino de dois toques com quatro times dentro de campo e gols pequenos. Nada a ver com o problema verificado na partida... O São Paulo não teve nenhum problema em trocar passes (foram 440 corretos, inclusive...).

E em meio a tudo isso, Paulo Henrique Ganso virou motivo de debate. É mais uma cortina de fumaça para não ver quais são os reais problemas COLETIVOS do São Paulo... Respostas? Não há. Somente a CRENÇA...

Apêndice 

Vale observar também o quanto o São Paulo está desorganizado fora de campo. Foram uma série de episódios lamentáveis e dignos de clube amador nos últimos meses. Só pra lembrar alguns:

- O presidente Carlos Miguel Aidar dizendo que Kaká interessava por ter todos os dentes na boca

- O presidente Carlos Miguel Aidar acusando o Napoli de usar dinheiro da máfia italiana.

- As cobranças públicas de Muricy por reforços e as respostas públicas de Ataíde Gil Guerreiro e Aidar sobre a necessidade de títulos na temporada

- A presença da namorada do presidente como intermediária de patrocinadores no clube...

- A chegada de um abnegado torcedor que desembolsou 14 milhões de reais para contratar Centurión por amor e que depois virou diretor-adjunto de marketing do clube.

- A ligação ao vivo do presidente para o chefe da torcida organizada, que contratou ônibus para são-paulinos com dinheiro do clube

- A troca da vendedora de ingressos às vésperas de um jogo importantíssimo contra o Danubio no Morumbi, o que levou o Morumbi a um público ridículo de 17 mil pagantes.

- O atraso superior a três meses no pagamento de direitos de imagem

E por aí vamos...






terça-feira, 3 de março de 2015

Jogadores não-modernos


Um dos aspectos mais propalados nas recentes discussões do futebol brasileiro é o chamado "jogador moderno". Nesta definição se encaixam os atletas supostamente capazes de desempenhar trabalhos defensivos e ofensivos com correção. 

Há muito isso deixou de ser moderno e passou a ser obrigatório, mas o nome permanece. 

De toda a maneira, elejo aqui três volantes do histórico recente do futebol brasileiro que carregam um pouco mais esta pecha de atleta moderno: 

Maicon, Cícero e Wesley.


Os três são exaltados pela grande capacidade técnica e valências táticas que os permitem em tese fazer o serviço sujo e armar a equipe ao mesmo tempo. Até por isso, há um grande debate sobre a posição dos três. Maicon é meia ou volante?  Wesley é meia ou volante?  Cícero é volante, meia ou segundo atacante? 

O fato é que as atuações dos três demonstram que contar com um "volante moderno" deste tipo nem sempre é uma boa coisa para o clube. 

Maicon, por exemplo nunca se firmou como titular do São Paulo. O motivo? Apesar de saber dar combate, o time sempre ficava exposto com ele como segundo volante. A tão qualificada saída de jogo - sua melhor qualidade - era um trunfo pro tricolor, mas os espaços dados poucas vezes compensavam o sacrifício dos demais. Maicon, no entanto, também não poderia ser meia-armador centralizado. Não é de sua característica receber a bola de costas ou se movimentar o suficiente para achar os espaços no último terço do campo. Já já voltamos ao Maicon...

Pensem no Wesley. O problema é quase o mesmo. O agora são-paulino sempre diz que prefere jogar de segundo volante e chegou até mesmo a dar indiretas criticando Gilson Kleina por escalá-lo na função de Valdívia. A grande passagem de Wesley pelo Atlético-PR, antes de voltar ao Santos, foi como meia ofensivo, quase um segundo atacante, enquanto os bons momentos de Palmeiras vieram com ele aberto no lado direito em uma linha de três no 4-2-3-1. As características de Wesley, no entanto, impedem que ele seja agudo por ali, valência muitas vezes desejada para aquele tipo de jogador. Como segundo volante, de novo, o time fica exposto. Já já voltamos ao Wesley... 

Por fim, falemos de Cícero. No Fluminense vice-campeão da Libertadores de 2008 ele tinha o apoio de Ygor e Arouca na marcação e de Conca e Thiago Neves na armação. Ou seja, tinha liberdade para marcar pouco e fazer o que mais gosta: entrar na área em progressão, fazer gols de cabeça, finalizar de fora da área. Como segundo volante ele nunca funcionou no São Paulo, tanto é que foi preterido pela dupla Wellington e Denílson, que acertou o tricolor sob o comando de Ney Franco. De novo: os espaços deixados inviabilizaram os grandes desempenhos por ali, enquanto ele sozinho na armação passou por grandes sofrimentos posto que Cícero faz bom trabalho chegando na área, mas não achando espaços nas costas dos volantes para armar o ataque. 

Ou seja, qual a melhor posição para os três? Volante ou armador?  Um híbrido entre os dois! O famoso "terceiro homem" de meio de campo. Foi assim que Maicon surgiu no Figueirense quando divida um setor com os volantes Ygor e Coutinho e o meia Fernandes. Wesley jogou nominalmente poucas vezes nesta função, mas quando era o meia direito aberto no Palmeiras recuava muito e na prática virava um terceiro homem de meio ao lado de Márcio Araújo e Vilson ou Eguren. Já Cícero teve algumas chances com Adílson Batista no São Paulo por ali, mas muito pouco para tirarmos conclusões de fato. 

A questão é... Esse jogador tão moderno assim precisa de um esquema específico para encaixar seu melhor futebol. Isso não parece tão sofisticado assim. Pra jogar com três volantes e manter um meia criativo, o time tem que se adequar a um sistema tático de difícil absorção, o 4-3-1-2... No Brasil é um pouco mais complicado porque os laterais são ofensivos e contam com as coberturas dos volantes para sobreviverem. A ideia não seria essa para aproveitar da melhor forma o meio povoado.

Não são verdades absolutas, apenas constatações... Mas me parece que não vale tão a pena assim contar com estes atletas modernos que precisam de um esquema só pra eles. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Em queda, Marseille precisa se reinventar com quase os mesmos 11

Chama a atenção a queda de desempenho do Olympique de Marseille nas últimas rodadas do Campeonato Francês. O time que emendou oito vitórias consecutivas entre as rodadas 3 e 11 teve solavancos de bom e mau futebol nos jogos seguintes e passou a atuações bastante ruins a partir da rodada 15, quando venceu o Nantes, mas ficou longe de convencer.

As duas derrotas de 2015 - nos pênaltis para o Grenoble da quarta divisão francesa na Copa e por 2 a 1 para o Montpellier no campeonato - foram mostras eloquentes dos piores problemas da equipe de Marcelo Bielsa neste momento: falta de compactação, marcação débil e má pontaria na frente do gol.

A primeira possibilidade para explicar o porquê desta queda recai no suposto cansaço dos atletas, algo que é uma constante nos times de Bielsa, já que marcar sob pressão e atacar sempre exige muito dos jogadores. O treinador argentino disse algumas vezes que não é este o problema.

Partindo deste pressuposto (que não é mensurável) procurei ver quais foram as mudanças objetivas do Marseille daquela sequência para o atual momento. Para isso utilizei o site Squawka (www.squawka.com), especializado em estatísticas e os jogos que vi do time (praticamente todos na atual temporada).

O corte inicial é da rodada 1-14, que teve a seguinte formação:



(Marseille no 4-2-3-1 que se alterou para 3-3-3-1 quando o adversário atuou com dois 
atacantes de área)


E os seguintes números: 10 vitórias, 3 derrotas e 1 empate  e


Depois com os desfalques de Ayew, Morel e Romao em diferentes momentos, a equipe passou a atuar assim:



E teve os seguintes números: 3 vitorias, 1 empate e 2 derrotas


Nenhum deses números explica a queda. A posse de bola aumentou, a distância dos passes seguiu a mesma, o acerto dos passes e dos desarmes se manteve estável enquanto o acerto nas finalizações caiu só 6%.

A média de gols marcados, no entanto, caiu de 2,14 para 1,8 enquanto os gols sofridos aumentaram de 0,92 para 1,2 por jogo.

Pelas porcentagens de acerto da equipe é possível dizer que o Marseille está fazendo tudo praticamente igual e com a mesma eficiência, exceto marcar e evitar gols. Os números absolutos porém, é que demonstram uma mudança no estilo de jogo nas últimas rodadas.

Números absolutos mostram uma equipe que tem que agir mais a cada jogo

A efetividade segue a mesma, mas a equipe tem tentado mais desarmes (média de 39,3 da rodada 15 a 20 contra 36,5 da rodada 1 a 14). Não é um grande acréscimo, mas a situação de um jogador chama muito a atenção: Gianelli Imbula. 

Normalmente segundo volante, Imbula é o elo entre a defesa e o ataque. Pelo estilo de jogo de alta pressão do Marseille, no entanto, é esperado que ele faça menos desarmes e contribua mais com o jogo ofensivo (a bola chega quebrada ou é roubada lá na frente). No entanto é possível observar pela média que, apesar de manter a efetividade nos desarmes (cerca de 50%), o camisa 25 tem trabalhado muito mais atrás.

Média de desarmes tentados entre as rodadas 1 e 14: 3,92 por jogo
Média de desarmes tentados entre as rodadas 15 e 20: 8,16 por jogo

É um aumento assombroso que mostra como a bola está chegando em uma zona onde já deveria estar "morta" graças ao estilo de pressão alta.

O Marseille também tem tentado mais dribles/jogadas individuais. Entre as rodadas 1 e 14 o Marseille tentou 361 jogadas do tipo, o que dá uma média de 25,78. Já entre as rodadas 15 e 20 foram 173, o que significa um aumento para 34. Paradoxalmente, o número de passes segue estável, o que nos leva a crer que a bola chega mais devagar aos homens de frente (já que ela pode ter vindo após um drible, por exemplo) ou que quando ela chega eles tomam a decisão de investir em dribles antes de concluir a jogada (ou as duas coisas, claro).

Aqui novamente um nome chama a atenção: Florian Thauvin.

O meia-atacante de 21 anos é uma das forças criativas da equipe e importante conexão entre o meio e o ataque com sua velocidade e dribles. O jeito de atuar, no entanto, tem sido outro.

Média de jogadas individuais/dribles por jogo entre as rodadas 1 e 14: 4,92 por jogo
Média de jogadas individuais/dribles por jogo entre as rodadas 15 e 20: 7,5 por jogo

Já a pontaria para chutar caiu demais: Era de 40% com 12 chutes no alvo, 18 pra fora e 9 bloqueados e agora é de 22% com 2 no alvo, 7 fora e 3 bloqueados. Novamente a comparação é entre 1-14 com 15-20. Ou seja... Thauvin tenta mais jogadas individuais e chuta pior nas últimas semanas.


E falando em gols... O que dizer de Andre-Pierre Gignac?  Entre as rodadas 1 e 14 ele marcou 11 gols. Já entre as rodadas 15 e 20, anotou apenas 1. A média caiu de 0,78 para 0,16, embora o número de chutes e a pontaria tenham ficado iguais. A qualidade não é medida em números não é mesmo?

Mas como explicar a queda?

Marcelo Bielsa diz que não é cansaço. Eu tenho lá minhas dúvidas, já que no Bilbao aconteceu a mesma coisa (embora em outro momento da temporada). De toda a forma, o que parece claro é que alguns atletas caíram de rendimento (Gignac e Thauvin) e outros não tem substitutos no curto elenco marselhês. Quando o time ficou sem Morel, Fanni não deu conta do recado... Quando o time ficou sem Ayew (machucado e CAN), Batshuayi fez Gignac trocar de posição e o time não rendeu. Quando o time ficou sem Romao, Lemina não deu a mesma consistência... 

Na última partida, por exemplo, o time titular teve Mandanda; Dje Dje, Fanni, Morel e Mendy; Romao, Imbula, Batshuayi, Payet e Thauvin; Gignac. Em meio ao péssimo rendimento dos homens de frente Bielsa tinha os seguintes nomes no banco: Samba (Goleiro), Aloe, Dória e Sane (defensores de 20,20 e 18 anos), Lemina (segundo volante de 21 anos), Boutouba (meia-atacante de 16 anos) e Omrani (atacante de 21 anos). Pois é... Omrani entrou e fez um gol, mas não dá pra falar em banco qualificado.

O elenco tem Alessandrini e Barrada (meias-atacantes de 25 anos e com alguma experiência no futebol internacional), mas ambos estão lesionados. Ou seja... Se houvesse mais opções era possível pensar em maneiras de fazer a equipe jogar. Da maneira como está, Bielsa vai ter que corrigir os jogadores que têm atuado... 








sexta-feira, 16 de maio de 2014

Personagens antigos e ideias novas levam o Bolívar às semifinais

Tem um sentimento de Déjà vu a classificação histórica e inédita do Bolívar às semifinais da Libertadores neste formato. Uma sensação de 20 anos atrás… Um sotaque norte-americano! Não é coincidência. 

Em 1994 a seleção boliviana conseguiu um de seus maiores feitos ao se classificar para a Copa do Mundo nos Estados Unidos. La Verde já havia disputado os Mundiais de 1930 e 1950, mas em ambos foi convidada pela organização. Por isso, ir à Copa “dentro de campo” foi um marco, ainda mais porque naquele torneio a Bolívia conseguiu fazer seu primeiro ponto na história da competição ao empatar por 0 a 0 com a Coreia do Sul . A “conquista” veio  nos pés de Etcheverry, Cristaldo e companhia, mas com o planejamento e execução de três figuras que estão no Bolívar 2014: Xabier Azkargorta, Guido Loayza e Marcelo Claure. 

Guido Loayza é o presidente do clube de La Paz e era o presidente da Federação Boliviana de Futebol em 1994. Ao lado dele, estava Marcelo Claure, que trabalhava com o setor de marketing da seleção. Hoje, Claure, um bem sucedido empresário boliviano com carreira nos Estados Unidos, é o presidente da Bolívar Administración, Inversiones y Servicios Asociados, a empresa que efetivamente administra o clube. Claure e Loayza estão juntos desde 2008 à frente de La Academia, e de lá pra cá têm feito diversas tentativas para modernizar o clube e sair do lugar comum. Isso pode ser observado nos investimentos feitos na estrutura e no perfil dos treinadores que têm sido contratados. 

Em 2009 o clube apostou no argentino naturalizado boliviano Gustavo Quinteros, que levou o time ao título do Apertura e pouco depois chegou à seleção nacional. Em 2011 o também argentino Ángel Guillermo Hoyos foi contratado após uma passagem exitosa pelo Barcelona B, onde trabalhou com Messi. Com Hoyos, La Academia venceu um torneio e chegou às oitavas de final da Libertadores demonstrando um futebol envolvente e com diversas jogadas ensaiadas fora do comum, como uma barreira própria nas cobranças de falta a favor, por exemplo. No biênio 2012-13 o espanhol Miguel Ángel Portugal trouxe mais do futebol europeu para a realidade boliviana e também convenceu atletas da própria Espanha a atuar no país. Foram os casos do meia Capdevilla e do atacante Callejón (irmão do jogador do Napoli), ambos formados na base do Real Madrid. 


Em 2014 a aposta inicial em Maurício Soria não dava resultados e o dono do Bolívar, Marcelo Claure, decidiu reunir de novo a equipe que 20 anos antes havia colocado a seleção boliviana na Copa do Mundo. Em poucos dias ele convenceu o treinador espanhol Xabier Azkargorta a abandonar a seleção da Bolívia para treinar o clube. Vale lembrar que o técnico ficou de 2005 a 2012 sem treinar time algum (apenas desempenhando funções administrativas, entre elas a de embaixador do Real Madrid na América do Sul), e que a chegada à seleção e depois ao Bolívar foi bastante contestada. 


Azkargorta, no entanto, sabia muito bem o que estava fazendo e embora em La Verde não tenha conseguido grandes feitos, foi capaz de mudar completamente o Bolívar dentro da Libertadores. Com ele o time adquiriu uma consistência invejável. Já são nove jogos sem derrota, seja jogando na altitude de La Paz ou ao nível do mar. As atuações não são fantásticas, o futebol não é vistoso, mas o técnico conseguiu formar um time compacto, aplicado e que vibra muito nas partidas, algo que só a figura de um dos treinadores mais exitosos da história do futebol seria capaz de aportar. 

A chegada às semifinais da Copa Libertadores 2014 foi comemorada como um título, mas o clube obviamente quer ir além. E como tem sido praxe desde 2008 a administração pensa em soluções pouco comuns. Lembram daquela ideia de Beckham jogar com a camisa do Bolívar? Ela está de volta. Claure já disse que existe a possibilidade do Spice Boy atuar depois da Copa do Mundo com a camisa de La Academia. Por quê? Porque o empresário boliviano é amigo pessoal do inglês e tem ajudado o ex-jogador com consultoria para ele montar um clube e se tornar dirigente. 


Quem sabe? Fato é que o Bolívar já mostrou que é muito, mas muito mais que altitude. É um dos times mais organizados da Copa Libertadores da América. Um time que sabe como jogar. Que não aposta apenas em bola aérea e desespero…. Que tenta achar soluções para problemas que os demais enfrentam com ideias antigas. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Começa a Libertadores 2014

Acontece na noite desta quinta-feira em Luque, no Paraguai, o sorteio da Copa Libertadores da América 2014. Em meio às polêmicas do Campeonato Brasileiro, o evento ficou em segundo plano. O sorteio deverá ser assim:

Do começo: 32 dos 38 times estão definidos em suas respectivas posições neste momento. Outros dois (Real Garcilaso e Universitario de Deportes) estão classificados, mas ainda resta a definição sobre o posto dentro das vagas peruanas. Já o Lanús aguarda um possível título na Argentina para ingressar direto na fase de grupos ou então entra com uma vaga da Sul-Americana. 

*Pra motivos de organização chamaremos a primeira fase da Libertadores de Pré-Libertadores 
Os classificados são os seguintes:

Brasil 1: Atlético Mineiro
Brasil 2: Cruzeiro
Brasil 3: Flamengo
Brasil 4: Grêmio
Brasil 5: Atlético-PR (Pré-Libertadores)
Brasil 6: Botafogo (Pré-Libertadores)

Argentina 1: Vélez Sarsfield
Argentina 2: Newell's Old Boys
Argentina 3: Indefinido
Argentina 4: Arsenal (Pré-Libertadores)
Argentina 5: Indefinido (River Plate ou Lanús) 

Bolívia 1: Bolívar
Bolívia 2: Indefinido
Bolívia 3: Oriente Petrolero (Pré-Libertadores)

Chile 1: Unión Española
Chile 2: O'Higgins
Chile 3: Indefinido (Pré-Libertadores)

Colômbia 1: Atlético Nacional
COlômbia 2: Deportivo Cali
Colômbia 3: Santa Fe (Pré-Libertadores)

Equador 1: Emelec
Equador 2: Independiente del Valle
Equador 3: Deportivo Quito (Pré-Libertadores)

México 1: Santos Laguna
México 2: León
México 3: Monarcas Morelia (Pré-Libertadores)

Paraguai 1: Cerro Porteño
Paraguai 2: Nacional
Paraguai 3: Guaraní (Pré-Libertadores)

Peru 1: Indefinido
Peru 2: Indefinido
Peru 3: Sporting Cristal (Pré-Libertadores)

Uruguai 1: Peñarol
Uruguai 2: Defensor Sporting
Uruguai 3: Nacional (Pré-Libertadores)

Venezuela 1: Deportivo Anzoátegui
Venezuela 2: Zamoras
Venezuela 3: Caracas (Pré-Libertadores)


Agora o chaveamento


Conforme as determinações da Conmebol, Brasil e Argentina sempre têm dois cabeças de chave cada um. Os outros são definidos anualmente. Em um ano temos quatro países e no ano seguinte outros quatro.

Em 2013 os cabeças de chave do grupo "outros" foram o colombiano Santa Fe, o equatoriano Barcelona, o peruano Sporting Cristal e o venezuelano Deportivo Lara. Agora, em 2014, é a vez dos outros países: Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai de forma que os cabeças de chave são:

Pote 1

Atlético Mineiro
Cruzeiro 
Vélez Sarsfield
Newell's Old Boys
Bolívar 
Unión Española
Cerro Porteño
Peñarol

No pote 2 estarão os representantes dos países que foram cabeças de chave no ano passado. Ou seja: os representantes 1 e 2 de Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. 

Pote 2

Atlético Nacional
Deportivo Cali 
Emelec
Independiente del Valle
Real Garcilaso
Universitario de Deportes
Deportivo Anzoátegui
Zamora

No pote 3 ficam os times 3 e 4 de Brasil e Argentina e os de posição 2 de Bolívia, Uruguai, Paraguai e Chile. 

Pote 3

Flamengo
Grêmio
Argentina 3
Arsenal
Bolívia 2 
O'Higgins
Nacional-PAR
Defensor Sporting 


No pote 4 estarão dois representantes mexicanos: Santos Laguna e León. Os outros seis times virão da chamada pré-Libertadores. 


Pré-Libertadores

12 times disputam seis vagas na fase de grupos do torneio. Mas, tal qual nos grupos, o chaveamento deste estágio também é direcionado. Aqui pelo critério de quais países foram melhor na Libertadores de 2013. O Brasil foi campeão e está de um lado com seus dois times. O Olimpia chegou à final e por isso os paraguaios estão também deste lado. O mesmo ocorre com os colombianos, que tiveram o Santa Fe na semifinal, e com os argentinos, que tiveram o Newell's na semifinal. Mexicanos e peruanos pararam nas quartas, mas o México somou mais pontos com o Tijuana do que o Peru com o Garcilaso. 

Em suma: de um lado do pote estão: brasileiros, argentinos, paraguaios, mexicanos e colombianos. Do outro estão peruanos, uruguaios, bolivianos, equatorianos, venezuelanos e chilenos. Pra resumir: 

Pote A: Atlético-PR, Botafogo, Argentina 5 (Lanús ou River Plate), Monarcas Morelia e Guaraní 

Pote B: Nacional-URU, Sporting Cristal, Oriente Petrolero, Chile 3, Deportivo Quito e Caracas.

Sorteio direcionado

Além dos potes distintos, há a regra de que times do pote 3 não entram em grupos encabeçados por times do mesmo país. Quem vier da Pré-Libertadores, no entanto, pode entrar em qualquer grupo. 

PS: Na teoria este será o sorteio desta quinta-feira. Na prática porém, podem haver mudanças. Ano passado os critérios de Pré-Libertadores mudaram a LDU de lado do pote devido à quantidade de times na fase de quartas de final e não desempenho no ano anterior. Ou seja: levem este post como guia e não verdade absoluta. 






terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um resumo do caso Lusa e o BR-2013

Um compilado das informações que temos até o momento sobre o caso Portuguesa x Fluminense (porque sim, virou isso, embora, até onde se sabe, o Flu nada tem a ver com a história)

- O STJD condenou Héverton a duas partidas de suspensão pela expulsão após o final da partida contra o Bahia. Na ocasião o meia ofendeu o árbitro, Ricardo Marques Ribeiro. Ele cumpriu um jogo contra a Ponte Preta e entrou em campo contra o Grêmio.A punição prevista no regulamento é perda de 3 pontos e mais a pontuação do jogo em que ele atuou, totalizando 4 pontos. Assim a Lusa estaria rebaixada e o Fluminense ficaria na Série A.

- O julgamento aconteceu no Rio de Janeiro na última sexta-feira dia 6 de dezembro. 

- Quem esteve presente representando a Portuguesa foi o advogado Osvaldo Sestário Filho. Ele não é advogado do clube, mas sim da CBF. O profissional atua na defesa dos clubes que não tem recursos para mandar advogados ao Rio de Janeiro ou que optam por um doutor mais experiente nas questões do tribunal. Ele mesmo explicou o trabalho em uma entrevista à ESPN. Na época Osvaldo também disse que representava 20 clubes brasileiros. 

- No mesmo julgamento em que Héverton foi punido, Osvaldo representou Criciúma, Icasa, Atlético-PR, América-MG e Santa Cruz em diferentes casos. 

- Em entrevista à Rádio Globo o diretor de futebol da Portuguesa, Carlos Ferreira, disse que o clube não foi comunicado da suspensão de Héverton. 

- Em entrevista à ESPN o vice-presidente do clube, Roberto Santos, disse que Osvaldo Sestário Filho falou em um jogo de punição e não dois. 



O que falta?


A única questão que pode mudar o provável entendimento do STJD (não há nenhuma decisão e nem denúncia formal apresentada) é a Portuguesa provar que houve erro na redação da sentença ou algum equívoco na notificação. Difícil posto que o advogado foi contratado pela Portuguesa. O advogado especialista em direito desportivo Gustavo Lopes Pires de Souza entende o seguinte do tema: http://gustavolpsouza.blogspot.com.br/2013/12/portuguesa-salvara-fluminense-da-serie-b.html



O que fica? 

- A imagem de que o STJD tem muito poder e pode decidir arbitrariamente que uma reclamação com o juiz valha um, dois ou mais jogos de suspensão.Ou os três, dependendo de cada caso. 

- A discrepância econômica que já afeta os pequenos clubes dentro de campo e no âmbito administrativo também tem reflexos na esfera jurídica. Afinal de contas, clubes ricos mandam advogados para o Rio de Janeiro, normalmente sem erros. Clubes menos favorecidos tem que contar com o profissional da CBF e desta vez um erro pode ter acontecido. 

- Se o Fluminense for favorecido, não há nada de virada de mesa. É o regulamento e já aconteceu outras vezes.