terça-feira, 3 de março de 2015

Jogadores não-modernos


Um dos aspectos mais propalados nas recentes discussões do futebol brasileiro é o chamado "jogador moderno". Nesta definição se encaixam os atletas supostamente capazes de desempenhar trabalhos defensivos e ofensivos com correção. 

Há muito isso deixou de ser moderno e passou a ser obrigatório, mas o nome permanece. 

De toda a maneira, elejo aqui três volantes do histórico recente do futebol brasileiro que carregam um pouco mais esta pecha de atleta moderno: 

Maicon, Cícero e Wesley.


Os três são exaltados pela grande capacidade técnica e valências táticas que os permitem em tese fazer o serviço sujo e armar a equipe ao mesmo tempo. Até por isso, há um grande debate sobre a posição dos três. Maicon é meia ou volante?  Wesley é meia ou volante?  Cícero é volante, meia ou segundo atacante? 

O fato é que as atuações dos três demonstram que contar com um "volante moderno" deste tipo nem sempre é uma boa coisa para o clube. 

Maicon, por exemplo nunca se firmou como titular do São Paulo. O motivo? Apesar de saber dar combate, o time sempre ficava exposto com ele como segundo volante. A tão qualificada saída de jogo - sua melhor qualidade - era um trunfo pro tricolor, mas os espaços dados poucas vezes compensavam o sacrifício dos demais. Maicon, no entanto, também não poderia ser meia-armador centralizado. Não é de sua característica receber a bola de costas ou se movimentar o suficiente para achar os espaços no último terço do campo. Já já voltamos ao Maicon...

Pensem no Wesley. O problema é quase o mesmo. O agora são-paulino sempre diz que prefere jogar de segundo volante e chegou até mesmo a dar indiretas criticando Gilson Kleina por escalá-lo na função de Valdívia. A grande passagem de Wesley pelo Atlético-PR, antes de voltar ao Santos, foi como meia ofensivo, quase um segundo atacante, enquanto os bons momentos de Palmeiras vieram com ele aberto no lado direito em uma linha de três no 4-2-3-1. As características de Wesley, no entanto, impedem que ele seja agudo por ali, valência muitas vezes desejada para aquele tipo de jogador. Como segundo volante, de novo, o time fica exposto. Já já voltamos ao Wesley... 

Por fim, falemos de Cícero. No Fluminense vice-campeão da Libertadores de 2008 ele tinha o apoio de Ygor e Arouca na marcação e de Conca e Thiago Neves na armação. Ou seja, tinha liberdade para marcar pouco e fazer o que mais gosta: entrar na área em progressão, fazer gols de cabeça, finalizar de fora da área. Como segundo volante ele nunca funcionou no São Paulo, tanto é que foi preterido pela dupla Wellington e Denílson, que acertou o tricolor sob o comando de Ney Franco. De novo: os espaços deixados inviabilizaram os grandes desempenhos por ali, enquanto ele sozinho na armação passou por grandes sofrimentos posto que Cícero faz bom trabalho chegando na área, mas não achando espaços nas costas dos volantes para armar o ataque. 

Ou seja, qual a melhor posição para os três? Volante ou armador?  Um híbrido entre os dois! O famoso "terceiro homem" de meio de campo. Foi assim que Maicon surgiu no Figueirense quando divida um setor com os volantes Ygor e Coutinho e o meia Fernandes. Wesley jogou nominalmente poucas vezes nesta função, mas quando era o meia direito aberto no Palmeiras recuava muito e na prática virava um terceiro homem de meio ao lado de Márcio Araújo e Vilson ou Eguren. Já Cícero teve algumas chances com Adílson Batista no São Paulo por ali, mas muito pouco para tirarmos conclusões de fato. 

A questão é... Esse jogador tão moderno assim precisa de um esquema específico para encaixar seu melhor futebol. Isso não parece tão sofisticado assim. Pra jogar com três volantes e manter um meia criativo, o time tem que se adequar a um sistema tático de difícil absorção, o 4-3-1-2... No Brasil é um pouco mais complicado porque os laterais são ofensivos e contam com as coberturas dos volantes para sobreviverem. A ideia não seria essa para aproveitar da melhor forma o meio povoado.

Não são verdades absolutas, apenas constatações... Mas me parece que não vale tão a pena assim contar com estes atletas modernos que precisam de um esquema só pra eles. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Em queda, Marseille precisa se reinventar com quase os mesmos 11

Chama a atenção a queda de desempenho do Olympique de Marseille nas últimas rodadas do Campeonato Francês. O time que emendou oito vitórias consecutivas entre as rodadas 3 e 11 teve solavancos de bom e mau futebol nos jogos seguintes e passou a atuações bastante ruins a partir da rodada 15, quando venceu o Nantes, mas ficou longe de convencer.

As duas derrotas de 2015 - nos pênaltis para o Grenoble da quarta divisão francesa na Copa e por 2 a 1 para o Montpellier no campeonato - foram mostras eloquentes dos piores problemas da equipe de Marcelo Bielsa neste momento: falta de compactação, marcação débil e má pontaria na frente do gol.

A primeira possibilidade para explicar o porquê desta queda recai no suposto cansaço dos atletas, algo que é uma constante nos times de Bielsa, já que marcar sob pressão e atacar sempre exige muito dos jogadores. O treinador argentino disse algumas vezes que não é este o problema.

Partindo deste pressuposto (que não é mensurável) procurei ver quais foram as mudanças objetivas do Marseille daquela sequência para o atual momento. Para isso utilizei o site Squawka (www.squawka.com), especializado em estatísticas e os jogos que vi do time (praticamente todos na atual temporada).

O corte inicial é da rodada 1-14, que teve a seguinte formação:



(Marseille no 4-2-3-1 que se alterou para 3-3-3-1 quando o adversário atuou com dois 
atacantes de área)


E os seguintes números: 10 vitórias, 3 derrotas e 1 empate  e


Depois com os desfalques de Ayew, Morel e Romao em diferentes momentos, a equipe passou a atuar assim:



E teve os seguintes números: 3 vitorias, 1 empate e 2 derrotas


Nenhum deses números explica a queda. A posse de bola aumentou, a distância dos passes seguiu a mesma, o acerto dos passes e dos desarmes se manteve estável enquanto o acerto nas finalizações caiu só 6%.

A média de gols marcados, no entanto, caiu de 2,14 para 1,8 enquanto os gols sofridos aumentaram de 0,92 para 1,2 por jogo.

Pelas porcentagens de acerto da equipe é possível dizer que o Marseille está fazendo tudo praticamente igual e com a mesma eficiência, exceto marcar e evitar gols. Os números absolutos porém, é que demonstram uma mudança no estilo de jogo nas últimas rodadas.

Números absolutos mostram uma equipe que tem que agir mais a cada jogo

A efetividade segue a mesma, mas a equipe tem tentado mais desarmes (média de 39,3 da rodada 15 a 20 contra 36,5 da rodada 1 a 14). Não é um grande acréscimo, mas a situação de um jogador chama muito a atenção: Gianelli Imbula. 

Normalmente segundo volante, Imbula é o elo entre a defesa e o ataque. Pelo estilo de jogo de alta pressão do Marseille, no entanto, é esperado que ele faça menos desarmes e contribua mais com o jogo ofensivo (a bola chega quebrada ou é roubada lá na frente). No entanto é possível observar pela média que, apesar de manter a efetividade nos desarmes (cerca de 50%), o camisa 25 tem trabalhado muito mais atrás.

Média de desarmes tentados entre as rodadas 1 e 14: 3,92 por jogo
Média de desarmes tentados entre as rodadas 15 e 20: 8,16 por jogo

É um aumento assombroso que mostra como a bola está chegando em uma zona onde já deveria estar "morta" graças ao estilo de pressão alta.

O Marseille também tem tentado mais dribles/jogadas individuais. Entre as rodadas 1 e 14 o Marseille tentou 361 jogadas do tipo, o que dá uma média de 25,78. Já entre as rodadas 15 e 20 foram 173, o que significa um aumento para 34. Paradoxalmente, o número de passes segue estável, o que nos leva a crer que a bola chega mais devagar aos homens de frente (já que ela pode ter vindo após um drible, por exemplo) ou que quando ela chega eles tomam a decisão de investir em dribles antes de concluir a jogada (ou as duas coisas, claro).

Aqui novamente um nome chama a atenção: Florian Thauvin.

O meia-atacante de 21 anos é uma das forças criativas da equipe e importante conexão entre o meio e o ataque com sua velocidade e dribles. O jeito de atuar, no entanto, tem sido outro.

Média de jogadas individuais/dribles por jogo entre as rodadas 1 e 14: 4,92 por jogo
Média de jogadas individuais/dribles por jogo entre as rodadas 15 e 20: 7,5 por jogo

Já a pontaria para chutar caiu demais: Era de 40% com 12 chutes no alvo, 18 pra fora e 9 bloqueados e agora é de 22% com 2 no alvo, 7 fora e 3 bloqueados. Novamente a comparação é entre 1-14 com 15-20. Ou seja... Thauvin tenta mais jogadas individuais e chuta pior nas últimas semanas.


E falando em gols... O que dizer de Andre-Pierre Gignac?  Entre as rodadas 1 e 14 ele marcou 11 gols. Já entre as rodadas 15 e 20, anotou apenas 1. A média caiu de 0,78 para 0,16, embora o número de chutes e a pontaria tenham ficado iguais. A qualidade não é medida em números não é mesmo?

Mas como explicar a queda?

Marcelo Bielsa diz que não é cansaço. Eu tenho lá minhas dúvidas, já que no Bilbao aconteceu a mesma coisa (embora em outro momento da temporada). De toda a forma, o que parece claro é que alguns atletas caíram de rendimento (Gignac e Thauvin) e outros não tem substitutos no curto elenco marselhês. Quando o time ficou sem Morel, Fanni não deu conta do recado... Quando o time ficou sem Ayew (machucado e CAN), Batshuayi fez Gignac trocar de posição e o time não rendeu. Quando o time ficou sem Romao, Lemina não deu a mesma consistência... 

Na última partida, por exemplo, o time titular teve Mandanda; Dje Dje, Fanni, Morel e Mendy; Romao, Imbula, Batshuayi, Payet e Thauvin; Gignac. Em meio ao péssimo rendimento dos homens de frente Bielsa tinha os seguintes nomes no banco: Samba (Goleiro), Aloe, Dória e Sane (defensores de 20,20 e 18 anos), Lemina (segundo volante de 21 anos), Boutouba (meia-atacante de 16 anos) e Omrani (atacante de 21 anos). Pois é... Omrani entrou e fez um gol, mas não dá pra falar em banco qualificado.

O elenco tem Alessandrini e Barrada (meias-atacantes de 25 anos e com alguma experiência no futebol internacional), mas ambos estão lesionados. Ou seja... Se houvesse mais opções era possível pensar em maneiras de fazer a equipe jogar. Da maneira como está, Bielsa vai ter que corrigir os jogadores que têm atuado... 








sexta-feira, 16 de maio de 2014

Personagens antigos e ideias novas levam o Bolívar às semifinais

Tem um sentimento de Déjà vu a classificação histórica e inédita do Bolívar às semifinais da Libertadores neste formato. Uma sensação de 20 anos atrás… Um sotaque norte-americano! Não é coincidência. 

Em 1994 a seleção boliviana conseguiu um de seus maiores feitos ao se classificar para a Copa do Mundo nos Estados Unidos. La Verde já havia disputado os Mundiais de 1930 e 1950, mas em ambos foi convidada pela organização. Por isso, ir à Copa “dentro de campo” foi um marco, ainda mais porque naquele torneio a Bolívia conseguiu fazer seu primeiro ponto na história da competição ao empatar por 0 a 0 com a Coreia do Sul . A “conquista” veio  nos pés de Etcheverry, Cristaldo e companhia, mas com o planejamento e execução de três figuras que estão no Bolívar 2014: Xabier Azkargorta, Guido Loayza e Marcelo Claure. 

Guido Loayza é o presidente do clube de La Paz e era o presidente da Federação Boliviana de Futebol em 1994. Ao lado dele, estava Marcelo Claure, que trabalhava com o setor de marketing da seleção. Hoje, Claure, um bem sucedido empresário boliviano com carreira nos Estados Unidos, é o presidente da Bolívar Administración, Inversiones y Servicios Asociados, a empresa que efetivamente administra o clube. Claure e Loayza estão juntos desde 2008 à frente de La Academia, e de lá pra cá têm feito diversas tentativas para modernizar o clube e sair do lugar comum. Isso pode ser observado nos investimentos feitos na estrutura e no perfil dos treinadores que têm sido contratados. 

Em 2009 o clube apostou no argentino naturalizado boliviano Gustavo Quinteros, que levou o time ao título do Apertura e pouco depois chegou à seleção nacional. Em 2011 o também argentino Ángel Guillermo Hoyos foi contratado após uma passagem exitosa pelo Barcelona B, onde trabalhou com Messi. Com Hoyos, La Academia venceu um torneio e chegou às oitavas de final da Libertadores demonstrando um futebol envolvente e com diversas jogadas ensaiadas fora do comum, como uma barreira própria nas cobranças de falta a favor, por exemplo. No biênio 2012-13 o espanhol Miguel Ángel Portugal trouxe mais do futebol europeu para a realidade boliviana e também convenceu atletas da própria Espanha a atuar no país. Foram os casos do meia Capdevilla e do atacante Callejón (irmão do jogador do Napoli), ambos formados na base do Real Madrid. 


Em 2014 a aposta inicial em Maurício Soria não dava resultados e o dono do Bolívar, Marcelo Claure, decidiu reunir de novo a equipe que 20 anos antes havia colocado a seleção boliviana na Copa do Mundo. Em poucos dias ele convenceu o treinador espanhol Xabier Azkargorta a abandonar a seleção da Bolívia para treinar o clube. Vale lembrar que o técnico ficou de 2005 a 2012 sem treinar time algum (apenas desempenhando funções administrativas, entre elas a de embaixador do Real Madrid na América do Sul), e que a chegada à seleção e depois ao Bolívar foi bastante contestada. 


Azkargorta, no entanto, sabia muito bem o que estava fazendo e embora em La Verde não tenha conseguido grandes feitos, foi capaz de mudar completamente o Bolívar dentro da Libertadores. Com ele o time adquiriu uma consistência invejável. Já são nove jogos sem derrota, seja jogando na altitude de La Paz ou ao nível do mar. As atuações não são fantásticas, o futebol não é vistoso, mas o técnico conseguiu formar um time compacto, aplicado e que vibra muito nas partidas, algo que só a figura de um dos treinadores mais exitosos da história do futebol seria capaz de aportar. 

A chegada às semifinais da Copa Libertadores 2014 foi comemorada como um título, mas o clube obviamente quer ir além. E como tem sido praxe desde 2008 a administração pensa em soluções pouco comuns. Lembram daquela ideia de Beckham jogar com a camisa do Bolívar? Ela está de volta. Claure já disse que existe a possibilidade do Spice Boy atuar depois da Copa do Mundo com a camisa de La Academia. Por quê? Porque o empresário boliviano é amigo pessoal do inglês e tem ajudado o ex-jogador com consultoria para ele montar um clube e se tornar dirigente. 


Quem sabe? Fato é que o Bolívar já mostrou que é muito, mas muito mais que altitude. É um dos times mais organizados da Copa Libertadores da América. Um time que sabe como jogar. Que não aposta apenas em bola aérea e desespero…. Que tenta achar soluções para problemas que os demais enfrentam com ideias antigas. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Começa a Libertadores 2014

Acontece na noite desta quinta-feira em Luque, no Paraguai, o sorteio da Copa Libertadores da América 2014. Em meio às polêmicas do Campeonato Brasileiro, o evento ficou em segundo plano. O sorteio deverá ser assim:

Do começo: 32 dos 38 times estão definidos em suas respectivas posições neste momento. Outros dois (Real Garcilaso e Universitario de Deportes) estão classificados, mas ainda resta a definição sobre o posto dentro das vagas peruanas. Já o Lanús aguarda um possível título na Argentina para ingressar direto na fase de grupos ou então entra com uma vaga da Sul-Americana. 

*Pra motivos de organização chamaremos a primeira fase da Libertadores de Pré-Libertadores 
Os classificados são os seguintes:

Brasil 1: Atlético Mineiro
Brasil 2: Cruzeiro
Brasil 3: Flamengo
Brasil 4: Grêmio
Brasil 5: Atlético-PR (Pré-Libertadores)
Brasil 6: Botafogo (Pré-Libertadores)

Argentina 1: Vélez Sarsfield
Argentina 2: Newell's Old Boys
Argentina 3: Indefinido
Argentina 4: Arsenal (Pré-Libertadores)
Argentina 5: Indefinido (River Plate ou Lanús) 

Bolívia 1: Bolívar
Bolívia 2: Indefinido
Bolívia 3: Oriente Petrolero (Pré-Libertadores)

Chile 1: Unión Española
Chile 2: O'Higgins
Chile 3: Indefinido (Pré-Libertadores)

Colômbia 1: Atlético Nacional
COlômbia 2: Deportivo Cali
Colômbia 3: Santa Fe (Pré-Libertadores)

Equador 1: Emelec
Equador 2: Independiente del Valle
Equador 3: Deportivo Quito (Pré-Libertadores)

México 1: Santos Laguna
México 2: León
México 3: Monarcas Morelia (Pré-Libertadores)

Paraguai 1: Cerro Porteño
Paraguai 2: Nacional
Paraguai 3: Guaraní (Pré-Libertadores)

Peru 1: Indefinido
Peru 2: Indefinido
Peru 3: Sporting Cristal (Pré-Libertadores)

Uruguai 1: Peñarol
Uruguai 2: Defensor Sporting
Uruguai 3: Nacional (Pré-Libertadores)

Venezuela 1: Deportivo Anzoátegui
Venezuela 2: Zamoras
Venezuela 3: Caracas (Pré-Libertadores)


Agora o chaveamento


Conforme as determinações da Conmebol, Brasil e Argentina sempre têm dois cabeças de chave cada um. Os outros são definidos anualmente. Em um ano temos quatro países e no ano seguinte outros quatro.

Em 2013 os cabeças de chave do grupo "outros" foram o colombiano Santa Fe, o equatoriano Barcelona, o peruano Sporting Cristal e o venezuelano Deportivo Lara. Agora, em 2014, é a vez dos outros países: Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai de forma que os cabeças de chave são:

Pote 1

Atlético Mineiro
Cruzeiro 
Vélez Sarsfield
Newell's Old Boys
Bolívar 
Unión Española
Cerro Porteño
Peñarol

No pote 2 estarão os representantes dos países que foram cabeças de chave no ano passado. Ou seja: os representantes 1 e 2 de Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. 

Pote 2

Atlético Nacional
Deportivo Cali 
Emelec
Independiente del Valle
Real Garcilaso
Universitario de Deportes
Deportivo Anzoátegui
Zamora

No pote 3 ficam os times 3 e 4 de Brasil e Argentina e os de posição 2 de Bolívia, Uruguai, Paraguai e Chile. 

Pote 3

Flamengo
Grêmio
Argentina 3
Arsenal
Bolívia 2 
O'Higgins
Nacional-PAR
Defensor Sporting 


No pote 4 estarão dois representantes mexicanos: Santos Laguna e León. Os outros seis times virão da chamada pré-Libertadores. 


Pré-Libertadores

12 times disputam seis vagas na fase de grupos do torneio. Mas, tal qual nos grupos, o chaveamento deste estágio também é direcionado. Aqui pelo critério de quais países foram melhor na Libertadores de 2013. O Brasil foi campeão e está de um lado com seus dois times. O Olimpia chegou à final e por isso os paraguaios estão também deste lado. O mesmo ocorre com os colombianos, que tiveram o Santa Fe na semifinal, e com os argentinos, que tiveram o Newell's na semifinal. Mexicanos e peruanos pararam nas quartas, mas o México somou mais pontos com o Tijuana do que o Peru com o Garcilaso. 

Em suma: de um lado do pote estão: brasileiros, argentinos, paraguaios, mexicanos e colombianos. Do outro estão peruanos, uruguaios, bolivianos, equatorianos, venezuelanos e chilenos. Pra resumir: 

Pote A: Atlético-PR, Botafogo, Argentina 5 (Lanús ou River Plate), Monarcas Morelia e Guaraní 

Pote B: Nacional-URU, Sporting Cristal, Oriente Petrolero, Chile 3, Deportivo Quito e Caracas.

Sorteio direcionado

Além dos potes distintos, há a regra de que times do pote 3 não entram em grupos encabeçados por times do mesmo país. Quem vier da Pré-Libertadores, no entanto, pode entrar em qualquer grupo. 

PS: Na teoria este será o sorteio desta quinta-feira. Na prática porém, podem haver mudanças. Ano passado os critérios de Pré-Libertadores mudaram a LDU de lado do pote devido à quantidade de times na fase de quartas de final e não desempenho no ano anterior. Ou seja: levem este post como guia e não verdade absoluta. 






terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um resumo do caso Lusa e o BR-2013

Um compilado das informações que temos até o momento sobre o caso Portuguesa x Fluminense (porque sim, virou isso, embora, até onde se sabe, o Flu nada tem a ver com a história)

- O STJD condenou Héverton a duas partidas de suspensão pela expulsão após o final da partida contra o Bahia. Na ocasião o meia ofendeu o árbitro, Ricardo Marques Ribeiro. Ele cumpriu um jogo contra a Ponte Preta e entrou em campo contra o Grêmio.A punição prevista no regulamento é perda de 3 pontos e mais a pontuação do jogo em que ele atuou, totalizando 4 pontos. Assim a Lusa estaria rebaixada e o Fluminense ficaria na Série A.

- O julgamento aconteceu no Rio de Janeiro na última sexta-feira dia 6 de dezembro. 

- Quem esteve presente representando a Portuguesa foi o advogado Osvaldo Sestário Filho. Ele não é advogado do clube, mas sim da CBF. O profissional atua na defesa dos clubes que não tem recursos para mandar advogados ao Rio de Janeiro ou que optam por um doutor mais experiente nas questões do tribunal. Ele mesmo explicou o trabalho em uma entrevista à ESPN. Na época Osvaldo também disse que representava 20 clubes brasileiros. 

- No mesmo julgamento em que Héverton foi punido, Osvaldo representou Criciúma, Icasa, Atlético-PR, América-MG e Santa Cruz em diferentes casos. 

- Em entrevista à Rádio Globo o diretor de futebol da Portuguesa, Carlos Ferreira, disse que o clube não foi comunicado da suspensão de Héverton. 

- Em entrevista à ESPN o vice-presidente do clube, Roberto Santos, disse que Osvaldo Sestário Filho falou em um jogo de punição e não dois. 



O que falta?


A única questão que pode mudar o provável entendimento do STJD (não há nenhuma decisão e nem denúncia formal apresentada) é a Portuguesa provar que houve erro na redação da sentença ou algum equívoco na notificação. Difícil posto que o advogado foi contratado pela Portuguesa. O advogado especialista em direito desportivo Gustavo Lopes Pires de Souza entende o seguinte do tema: http://gustavolpsouza.blogspot.com.br/2013/12/portuguesa-salvara-fluminense-da-serie-b.html



O que fica? 

- A imagem de que o STJD tem muito poder e pode decidir arbitrariamente que uma reclamação com o juiz valha um, dois ou mais jogos de suspensão.Ou os três, dependendo de cada caso. 

- A discrepância econômica que já afeta os pequenos clubes dentro de campo e no âmbito administrativo também tem reflexos na esfera jurídica. Afinal de contas, clubes ricos mandam advogados para o Rio de Janeiro, normalmente sem erros. Clubes menos favorecidos tem que contar com o profissional da CBF e desta vez um erro pode ter acontecido. 

- Se o Fluminense for favorecido, não há nada de virada de mesa. É o regulamento e já aconteceu outras vezes. 



terça-feira, 29 de outubro de 2013

O pragmático e competitivo Atlético Nacional

Perguntado sobre o jogo desta quarta-feira entre Atlético Nacional e São Paulo o goleiro do time colombiano, Franco Armani, disse: "Certamente é o jogo mais importante da minha carreira. Pelo tamanho do adversário e possibilidade na competição".

O discurso não é exclusivo do arqueiro argentino de 27 anos, há três no atual campeão da Colômbia. Toda a direção do time de Medellin pensa desta forma. Por isso o Atlético Nacional está há oito dias no Brasil se preparando para a partida no Morumbi. Após a vitória nos pênaltis contra o Bahia em Salvador, titulares, reservas e comissão técnica ficaram no país, deixando o campeonato colombiano para juniores, juvenis.

Mas não é apenas com descanso, gana e preparação que o Atlético Nacional irá a campo nesta noite. A equipe que lidera o Finalización 2013 com apenas duas derrotas em 16 rodadas tem um estilo de jogo competitivo e pragmático que gerou muita resistência da torcida em um primeiro momento. Acostumados ao toque de bola e futebol ofensivo os hinchas verdolagas abominaram os cruzamentos na área e jogo defensivo de Osório, que forjou sua filosofia como assistente de Kevin Keegan no Manchester City e que a aprimorou em passagens pelo Millonarios e Once Caldas (eliminou o Cruzeiro da Libertadores de 2011).

Demorou, mas os resultados convenceram as arquibancadas. Montado no 3-5-2 o Atlético Nacional aposta na saída dos alas Stefan Medina - integrante da seleção colombiana - e Juan Valencia para levar o time à frente. No meio, Mejia - também da seleção - e Bernal protegem o trio de zaga e fazem a pressão no campo adversário. O armador Sherman Cárdenas é o responsável por fazer a bola chegar na dupla de frente, formada por Duque, mais de área, e Guisao, mais veloz.


Outra característica do time é a marcação sob pressão e busca pela retomada da bola. As linhas verdolagas normalmente são adiantadas e o goleiro Armani joga adiantado. A ideia é manter a formação e ganhar a bola e protagonismo ofensivo pela quantidade de atletas.

É bem verdade que os colombianos perderam para o Bahia, mas o gol saiu em um erro da defesa e o time verdolaga pressionou o tricolor do começo ao fim da segunda etapa.

Por isso a opção por Luis Fabiano possivelmente em lugar de Ademílson precisa ser questionada. O jovem atacante poderia sobrepujar a defesa colombiana com velocidade, enquanto o camisa 9 dificilmente se livrará dos três defensores verdolagas.


Em tese será um jogo de poucas oportunidades, muito diferente da partida contra a Católica. De toda a maneira os colombianos estão muito motivados e a qualidade do time deve representar um grande desafio ao São Paulo.

A ver...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O conceito e o feito

Não sou nenhum visionário, analista ou filósofo, mas me permito algumas convicções. Uma delas é que na vida tudo parte de uma ideia (ao menos as melhores coisas partem de uma ideia).

Dos desenhos de Da Vinci aos ininteligíveis filmes iranianos cult, o primordial não é a execução, mas sim o conceito, o que levou àquilo. Henry Ford, um dos responsáveis pela mudança do sistema econômico e das relações interpessoais modernas, disse certa vez que se fosse apenas ouvir seus clientes teria chegado à seguinte conclusão: "Precisamos de um cavalo mais rápido". Em vez disso, ele criou algo que ninguém imaginava: um automóvel.

Faço este preâmbulo todo porque acredito que o futebol também funciona desta forma.... As melhores experiências partem de uma ideia. 

Em uma visão pueril diríamos que a ideia no futebol é sempre vencer. Em boa parte é verdade, mas existem muitas formas de vencer e de ser. Afinal de contas, em todo torneio existe apenas um vencedor de fato, mas diversos em tese. 

O Barcelona é hoje o exemplo mais citado de uma ideia para o futebol. O estilo de jogo de posse de bola, a valorização das canteras e internacionalização de conceitos outrora muito particulares à região da Catalunha deixam clara uma identidade do clube e do futebol praticado. As duas coisas caminham juntas. O mesmo pode ser dito do Real Madrid. Aos blancos não basta vencer, - às vezes isso pouco importa - é necessário que isso aconteça por meio dos pés e mentes de grandes estrelas e grifes do futebol mundial. A "classe", a "sofisticação" e o "prestígio" de sempre ter os melhores jogadores do planeta move o Real à frente.

O Bayern de Munique também tem a sua ideologia com a introdução de muitos jovens da base e a proposta de um jogo em que a disciplina serve ao talento. O Borussia Dortmund também tem uma ideia, o Chelsea, o Manchester United, o Arsenal, o Porto e por aí vai.

No Brasil os clubes também têm ideias, embora elas sejam de prazo muito mais curto. O Corinthians depois do retorno à Série A definiu como meta ser um time reconhecido internacionalmente. Por isso contratou Ronaldo e por isso trabalhou duro para montar uma equipe competitiva o bastante para vencer a Copa Libertadores da América. Não se trata apenas de uma obsessão de torcedor, trata-se de uma meta por trás do título. A chegada de Alexandre Pato tem muito a ver com isso.

O Atlético Mineiro quis romper de uma vez por todas com a noção de que seria um time de segundo escalão. Por isso investiu pesado no futebol, se arriscou ao contratar Ronaldinho Gaúcho, bancou o técnico Cuca e hoje colhe os frutos de uma equipe que joga de forma ofensiva - aqui também há uma ideia - e que atrai não só o próprio torcedor, como entusiastas de outras equipes.

O Santos tem na revelação de novos atletas a sua ideia de futebol, o Fluminense opta pela contratação de estrelas e um estilo de jogo pragmático, o Internacional investe em sua estrutura forte, o Coritiba tem um projeto novo e de baixo orçamento, o Atlético Paranaense tenta um modelo distinto dos outros clubes, o Palmeiras - depois de se perder no messianismo de Felipão - se reconstrói com novas ideias e por aí vai.

O clube que teve mais potencial para viabilizar uma ideia de futebol, porém, é o que enfrenta neste momento a maior crise. O São Paulo que dominou o Brasil com o tricampeonato nacional tinha nas mãos a estabilidade, o dinheiro e os alicerces para desenvolver um projeto capaz de transformar o clube em um conceito. Isso até foi feito... Mas o conceito adotado foi o da arrogância.

Após os títulos o discurso do clube passou a ser de que não precisava de profissionais para seguir no rumo e que a agremiação era tão bem sucedida que qualquer um seria capaz de manter os êxitos. O êxito pelo êxito e a soberba pela soberba levaram a direção a demitir Muricy Ramalho e contratar o "sofisticado", mas inexperiente Ricardo Gomes. Os resultados não vieram, mas os dirigentes seguiram convictos no projeto da soberba a longo prazo e promoveram Sérgio Baresi. Não deu certo, mas a confiança seguiu inabalável, mesmo com o time tricampeão sendo desmontado pouco a pouco e remontado com peças muito abaixo daquelas de outros tempos.

A arrogância então levou o São Paulo a dizer que não valia a pena gastar dinheiro com técnicos: o clube era auto-sustentável. Assim, Paulo César Carpegiani foi contratado. Na visão diretiva o clube era tão auto-sustentável que poderia se dar ao luxo até de contratar um jogador de 39 anos após o pedido do capitão do time. Em meio a um processo de fritura promovido na imprensa por Rivaldo, Carpegiani foi  demitido extra-oficialmente e depois oficialmente. 

Para o lugar dele a postura foi a mesma e os diretores bradaram aos quatro ventos que o treinador que não servia para o Corinthians e nem para o Santos, servia para o São Paulo. Adilson Batista ficou pouco tempo no cargo, o que levou a presidência são-paulina a se questionar. Alguma coisa estava errada com o clube e o diagnóstico foi o simplório: "falta gana de vencer". Emerson Leão chegou, mexeu com os atletas e depois atrasou todo o desenvolvimento de uma nova equipe com seus polichilenos e outras sandices.

Após novas eliminações e a completa desestruturação do time de profissionais responsável pelo centro de referência Reffis, mais um treinador foi demitido. O  clube que apostara em um técnico iniciante, um técnico da base, um técnico de experiência média, mas que vinha de dois fracassos, um técnico inconstante e um técnico ultrapassado - todos com filosofias de jogo distintas - decidiu  então jogar suas fichas em um suposto projeto de longo prazo com Ney Franco.

O objetivo era valorizar a base e ter, no futuro, oito jogadores vindos do CT de Cotia no time titular. Isso demanda tempo. Isso necessita de uma filosofia. Ela até parecia presente no título da Sul-Americana e quarto lugar do Brasileiro, quando o São Paulo teve quatro atletas da base entre os titulares, um estilo de jogo vertical e rápido e jovens promessas como Cortez, Tolói e Osvaldo no 11 inicial.

Porém, a nova ideia de futebol do clube mostrou ser bastante permeável. Ao contratar Paulo Henrique Ganso por valores absurdos, a diretoria do São Paulo voltou a bater no peito pra dizer que era capaz de fazer o que ninguém era. Prometeu que faria o jogador ser aquele de outros tempos, mesmo sem saber se haveria lugar para o atleta no time e se ele se adaptaria à filosofia de jogo que o treinador do São Paulo pensava adotar.  Não obstante, o clube fez mundos e fundos para trazer o zagueiro Lúcio, banco de reservas de uma Juventus que atuava com três zagueiros, e se esqueceu de contratar atletas para outras posições carentes. 

A filosofia de ter oito atletas da base entre os titulares aos poucos foi perdendo força , bem como as condições para um elenco harmonioso. Lúcio abandonou os companheiros. Luis Fabiano voltou a perder a cabeça. Rogério Ceni se eximiu de culpa. Fabrício reclamou por jogar pouco. O vice-presidente disse que o time o envergonhava. 

O processo se agravou ainda mais quando o clube que queria ser auto-suficiente na produção de atletas decidiu afastar publicamente sete jogadores, sendo dois da própria base! Depois a diretoria foi ao mercado trazer Silvinho, Roni e Caramelo, desprezando a suposta bonança vinda do CT de Cotia. Por fim, reintegrou o descompromissado e experiente Juan, enquanto contratou o lateral Reinaldo - reserva do Sport - e agora Clemente Rodriguez, tido como defensivo, quando na verdade sempre se destacou pelo apoio.

Não é preciso muito para concluir que a ideia de futebol inexiste. A chegada de Paulo Autuori comprova isso. Novamente o clube faz uma auto-reverência e tenta buscar no passado algo que não existe mais. Autuori é famoso por abandonar projetos pela metade e por não ser muito habilidoso na montagem de seus times. Ele chega para os últimos cinco meses do ano e esse é o máximo de ideia, conceito, filosofia e projeto que o São Paulo é capaz de pensar...