quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Começa a Libertadores 2014

Acontece na noite desta quinta-feira em Luque, no Paraguai, o sorteio da Copa Libertadores da América 2014. Em meio às polêmicas do Campeonato Brasileiro, o evento ficou em segundo plano. O sorteio deverá ser assim:

Do começo: 32 dos 38 times estão definidos em suas respectivas posições neste momento. Outros dois (Real Garcilaso e Universitario de Deportes) estão classificados, mas ainda resta a definição sobre o posto dentro das vagas peruanas. Já o Lanús aguarda um possível título na Argentina para ingressar direto na fase de grupos ou então entra com uma vaga da Sul-Americana. 

*Pra motivos de organização chamaremos a primeira fase da Libertadores de Pré-Libertadores 
Os classificados são os seguintes:

Brasil 1: Atlético Mineiro
Brasil 2: Cruzeiro
Brasil 3: Flamengo
Brasil 4: Grêmio
Brasil 5: Atlético-PR (Pré-Libertadores)
Brasil 6: Botafogo (Pré-Libertadores)

Argentina 1: Vélez Sarsfield
Argentina 2: Newell's Old Boys
Argentina 3: Indefinido
Argentina 4: Arsenal (Pré-Libertadores)
Argentina 5: Indefinido (River Plate ou Lanús) 

Bolívia 1: Bolívar
Bolívia 2: Indefinido
Bolívia 3: Oriente Petrolero (Pré-Libertadores)

Chile 1: Unión Española
Chile 2: O'Higgins
Chile 3: Indefinido (Pré-Libertadores)

Colômbia 1: Atlético Nacional
COlômbia 2: Deportivo Cali
Colômbia 3: Santa Fe (Pré-Libertadores)

Equador 1: Emelec
Equador 2: Independiente del Valle
Equador 3: Deportivo Quito (Pré-Libertadores)

México 1: Santos Laguna
México 2: León
México 3: Monarcas Morelia (Pré-Libertadores)

Paraguai 1: Cerro Porteño
Paraguai 2: Nacional
Paraguai 3: Guaraní (Pré-Libertadores)

Peru 1: Indefinido
Peru 2: Indefinido
Peru 3: Sporting Cristal (Pré-Libertadores)

Uruguai 1: Peñarol
Uruguai 2: Defensor Sporting
Uruguai 3: Nacional (Pré-Libertadores)

Venezuela 1: Deportivo Anzoátegui
Venezuela 2: Zamoras
Venezuela 3: Caracas (Pré-Libertadores)


Agora o chaveamento


Conforme as determinações da Conmebol, Brasil e Argentina sempre têm dois cabeças de chave cada um. Os outros são definidos anualmente. Em um ano temos quatro países e no ano seguinte outros quatro.

Em 2013 os cabeças de chave do grupo "outros" foram o colombiano Santa Fe, o equatoriano Barcelona, o peruano Sporting Cristal e o venezuelano Deportivo Lara. Agora, em 2014, é a vez dos outros países: Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai de forma que os cabeças de chave são:

Pote 1

Atlético Mineiro
Cruzeiro 
Vélez Sarsfield
Newell's Old Boys
Bolívar 
Unión Española
Cerro Porteño
Peñarol

No pote 2 estarão os representantes dos países que foram cabeças de chave no ano passado. Ou seja: os representantes 1 e 2 de Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. 

Pote 2

Atlético Nacional
Deportivo Cali 
Emelec
Independiente del Valle
Real Garcilaso
Universitario de Deportes
Deportivo Anzoátegui
Zamora

No pote 3 ficam os times 3 e 4 de Brasil e Argentina e os de posição 2 de Bolívia, Uruguai, Paraguai e Chile. 

Pote 3

Flamengo
Grêmio
Argentina 3
Arsenal
Bolívia 2 
O'Higgins
Nacional-PAR
Defensor Sporting 


No pote 4 estarão dois representantes mexicanos: Santos Laguna e León. Os outros seis times virão da chamada pré-Libertadores. 


Pré-Libertadores

12 times disputam seis vagas na fase de grupos do torneio. Mas, tal qual nos grupos, o chaveamento deste estágio também é direcionado. Aqui pelo critério de quais países foram melhor na Libertadores de 2013. O Brasil foi campeão e está de um lado com seus dois times. O Olimpia chegou à final e por isso os paraguaios estão também deste lado. O mesmo ocorre com os colombianos, que tiveram o Santa Fe na semifinal, e com os argentinos, que tiveram o Newell's na semifinal. Mexicanos e peruanos pararam nas quartas, mas o México somou mais pontos com o Tijuana do que o Peru com o Garcilaso. 

Em suma: de um lado do pote estão: brasileiros, argentinos, paraguaios, mexicanos e colombianos. Do outro estão peruanos, uruguaios, bolivianos, equatorianos, venezuelanos e chilenos. Pra resumir: 

Pote A: Atlético-PR, Botafogo, Argentina 5 (Lanús ou River Plate), Monarcas Morelia e Guaraní 

Pote B: Nacional-URU, Sporting Cristal, Oriente Petrolero, Chile 3, Deportivo Quito e Caracas.

Sorteio direcionado

Além dos potes distintos, há a regra de que times do pote 3 não entram em grupos encabeçados por times do mesmo país. Quem vier da Pré-Libertadores, no entanto, pode entrar em qualquer grupo. 

PS: Na teoria este será o sorteio desta quinta-feira. Na prática porém, podem haver mudanças. Ano passado os critérios de Pré-Libertadores mudaram a LDU de lado do pote devido à quantidade de times na fase de quartas de final e não desempenho no ano anterior. Ou seja: levem este post como guia e não verdade absoluta. 






terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um resumo do caso Lusa e o BR-2013

Um compilado das informações que temos até o momento sobre o caso Portuguesa x Fluminense (porque sim, virou isso, embora, até onde se sabe, o Flu nada tem a ver com a história)

- O STJD condenou Héverton a duas partidas de suspensão pela expulsão após o final da partida contra o Bahia. Na ocasião o meia ofendeu o árbitro, Ricardo Marques Ribeiro. Ele cumpriu um jogo contra a Ponte Preta e entrou em campo contra o Grêmio.A punição prevista no regulamento é perda de 3 pontos e mais a pontuação do jogo em que ele atuou, totalizando 4 pontos. Assim a Lusa estaria rebaixada e o Fluminense ficaria na Série A.

- O julgamento aconteceu no Rio de Janeiro na última sexta-feira dia 6 de dezembro. 

- Quem esteve presente representando a Portuguesa foi o advogado Osvaldo Sestário Filho. Ele não é advogado do clube, mas sim da CBF. O profissional atua na defesa dos clubes que não tem recursos para mandar advogados ao Rio de Janeiro ou que optam por um doutor mais experiente nas questões do tribunal. Ele mesmo explicou o trabalho em uma entrevista à ESPN. Na época Osvaldo também disse que representava 20 clubes brasileiros. 

- No mesmo julgamento em que Héverton foi punido, Osvaldo representou Criciúma, Icasa, Atlético-PR, América-MG e Santa Cruz em diferentes casos. 

- Em entrevista à Rádio Globo o diretor de futebol da Portuguesa, Carlos Ferreira, disse que o clube não foi comunicado da suspensão de Héverton. 

- Em entrevista à ESPN o vice-presidente do clube, Roberto Santos, disse que Osvaldo Sestário Filho falou em um jogo de punição e não dois. 



O que falta?


A única questão que pode mudar o provável entendimento do STJD (não há nenhuma decisão e nem denúncia formal apresentada) é a Portuguesa provar que houve erro na redação da sentença ou algum equívoco na notificação. Difícil posto que o advogado foi contratado pela Portuguesa. O advogado especialista em direito desportivo Gustavo Lopes Pires de Souza entende o seguinte do tema: http://gustavolpsouza.blogspot.com.br/2013/12/portuguesa-salvara-fluminense-da-serie-b.html



O que fica? 

- A imagem de que o STJD tem muito poder e pode decidir arbitrariamente que uma reclamação com o juiz valha um, dois ou mais jogos de suspensão.Ou os três, dependendo de cada caso. 

- A discrepância econômica que já afeta os pequenos clubes dentro de campo e no âmbito administrativo também tem reflexos na esfera jurídica. Afinal de contas, clubes ricos mandam advogados para o Rio de Janeiro, normalmente sem erros. Clubes menos favorecidos tem que contar com o profissional da CBF e desta vez um erro pode ter acontecido. 

- Se o Fluminense for favorecido, não há nada de virada de mesa. É o regulamento e já aconteceu outras vezes. 



terça-feira, 29 de outubro de 2013

O pragmático e competitivo Atlético Nacional

Perguntado sobre o jogo desta quarta-feira entre Atlético Nacional e São Paulo o goleiro do time colombiano, Franco Armani, disse: "Certamente é o jogo mais importante da minha carreira. Pelo tamanho do adversário e possibilidade na competição".

O discurso não é exclusivo do arqueiro argentino de 27 anos, há três no atual campeão da Colômbia. Toda a direção do time de Medellin pensa desta forma. Por isso o Atlético Nacional está há oito dias no Brasil se preparando para a partida no Morumbi. Após a vitória nos pênaltis contra o Bahia em Salvador, titulares, reservas e comissão técnica ficaram no país, deixando o campeonato colombiano para juniores, juvenis.

Mas não é apenas com descanso, gana e preparação que o Atlético Nacional irá a campo nesta noite. A equipe que lidera o Finalización 2013 com apenas duas derrotas em 16 rodadas tem um estilo de jogo competitivo e pragmático que gerou muita resistência da torcida em um primeiro momento. Acostumados ao toque de bola e futebol ofensivo os hinchas verdolagas abominaram os cruzamentos na área e jogo defensivo de Osório, que forjou sua filosofia como assistente de Kevin Keegan no Manchester City e que a aprimorou em passagens pelo Millonarios e Once Caldas (eliminou o Cruzeiro da Libertadores de 2011).

Demorou, mas os resultados convenceram as arquibancadas. Montado no 3-5-2 o Atlético Nacional aposta na saída dos alas Stefan Medina - integrante da seleção colombiana - e Juan Valencia para levar o time à frente. No meio, Mejia - também da seleção - e Bernal protegem o trio de zaga e fazem a pressão no campo adversário. O armador Sherman Cárdenas é o responsável por fazer a bola chegar na dupla de frente, formada por Duque, mais de área, e Guisao, mais veloz.


Outra característica do time é a marcação sob pressão e busca pela retomada da bola. As linhas verdolagas normalmente são adiantadas e o goleiro Armani joga adiantado. A ideia é manter a formação e ganhar a bola e protagonismo ofensivo pela quantidade de atletas.

É bem verdade que os colombianos perderam para o Bahia, mas o gol saiu em um erro da defesa e o time verdolaga pressionou o tricolor do começo ao fim da segunda etapa.

Por isso a opção por Luis Fabiano possivelmente em lugar de Ademílson precisa ser questionada. O jovem atacante poderia sobrepujar a defesa colombiana com velocidade, enquanto o camisa 9 dificilmente se livrará dos três defensores verdolagas.


Em tese será um jogo de poucas oportunidades, muito diferente da partida contra a Católica. De toda a maneira os colombianos estão muito motivados e a qualidade do time deve representar um grande desafio ao São Paulo.

A ver...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O conceito e o feito

Não sou nenhum visionário, analista ou filósofo, mas me permito algumas convicções. Uma delas é que na vida tudo parte de uma ideia (ao menos as melhores coisas partem de uma ideia).

Dos desenhos de Da Vinci aos ininteligíveis filmes iranianos cult, o primordial não é a execução, mas sim o conceito, o que levou àquilo. Henry Ford, um dos responsáveis pela mudança do sistema econômico e das relações interpessoais modernas, disse certa vez que se fosse apenas ouvir seus clientes teria chegado à seguinte conclusão: "Precisamos de um cavalo mais rápido". Em vez disso, ele criou algo que ninguém imaginava: um automóvel.

Faço este preâmbulo todo porque acredito que o futebol também funciona desta forma.... As melhores experiências partem de uma ideia. 

Em uma visão pueril diríamos que a ideia no futebol é sempre vencer. Em boa parte é verdade, mas existem muitas formas de vencer e de ser. Afinal de contas, em todo torneio existe apenas um vencedor de fato, mas diversos em tese. 

O Barcelona é hoje o exemplo mais citado de uma ideia para o futebol. O estilo de jogo de posse de bola, a valorização das canteras e internacionalização de conceitos outrora muito particulares à região da Catalunha deixam clara uma identidade do clube e do futebol praticado. As duas coisas caminham juntas. O mesmo pode ser dito do Real Madrid. Aos blancos não basta vencer, - às vezes isso pouco importa - é necessário que isso aconteça por meio dos pés e mentes de grandes estrelas e grifes do futebol mundial. A "classe", a "sofisticação" e o "prestígio" de sempre ter os melhores jogadores do planeta move o Real à frente.

O Bayern de Munique também tem a sua ideologia com a introdução de muitos jovens da base e a proposta de um jogo em que a disciplina serve ao talento. O Borussia Dortmund também tem uma ideia, o Chelsea, o Manchester United, o Arsenal, o Porto e por aí vai.

No Brasil os clubes também têm ideias, embora elas sejam de prazo muito mais curto. O Corinthians depois do retorno à Série A definiu como meta ser um time reconhecido internacionalmente. Por isso contratou Ronaldo e por isso trabalhou duro para montar uma equipe competitiva o bastante para vencer a Copa Libertadores da América. Não se trata apenas de uma obsessão de torcedor, trata-se de uma meta por trás do título. A chegada de Alexandre Pato tem muito a ver com isso.

O Atlético Mineiro quis romper de uma vez por todas com a noção de que seria um time de segundo escalão. Por isso investiu pesado no futebol, se arriscou ao contratar Ronaldinho Gaúcho, bancou o técnico Cuca e hoje colhe os frutos de uma equipe que joga de forma ofensiva - aqui também há uma ideia - e que atrai não só o próprio torcedor, como entusiastas de outras equipes.

O Santos tem na revelação de novos atletas a sua ideia de futebol, o Fluminense opta pela contratação de estrelas e um estilo de jogo pragmático, o Internacional investe em sua estrutura forte, o Coritiba tem um projeto novo e de baixo orçamento, o Atlético Paranaense tenta um modelo distinto dos outros clubes, o Palmeiras - depois de se perder no messianismo de Felipão - se reconstrói com novas ideias e por aí vai.

O clube que teve mais potencial para viabilizar uma ideia de futebol, porém, é o que enfrenta neste momento a maior crise. O São Paulo que dominou o Brasil com o tricampeonato nacional tinha nas mãos a estabilidade, o dinheiro e os alicerces para desenvolver um projeto capaz de transformar o clube em um conceito. Isso até foi feito... Mas o conceito adotado foi o da arrogância.

Após os títulos o discurso do clube passou a ser de que não precisava de profissionais para seguir no rumo e que a agremiação era tão bem sucedida que qualquer um seria capaz de manter os êxitos. O êxito pelo êxito e a soberba pela soberba levaram a direção a demitir Muricy Ramalho e contratar o "sofisticado", mas inexperiente Ricardo Gomes. Os resultados não vieram, mas os dirigentes seguiram convictos no projeto da soberba a longo prazo e promoveram Sérgio Baresi. Não deu certo, mas a confiança seguiu inabalável, mesmo com o time tricampeão sendo desmontado pouco a pouco e remontado com peças muito abaixo daquelas de outros tempos.

A arrogância então levou o São Paulo a dizer que não valia a pena gastar dinheiro com técnicos: o clube era auto-sustentável. Assim, Paulo César Carpegiani foi contratado. Na visão diretiva o clube era tão auto-sustentável que poderia se dar ao luxo até de contratar um jogador de 39 anos após o pedido do capitão do time. Em meio a um processo de fritura promovido na imprensa por Rivaldo, Carpegiani foi  demitido extra-oficialmente e depois oficialmente. 

Para o lugar dele a postura foi a mesma e os diretores bradaram aos quatro ventos que o treinador que não servia para o Corinthians e nem para o Santos, servia para o São Paulo. Adilson Batista ficou pouco tempo no cargo, o que levou a presidência são-paulina a se questionar. Alguma coisa estava errada com o clube e o diagnóstico foi o simplório: "falta gana de vencer". Emerson Leão chegou, mexeu com os atletas e depois atrasou todo o desenvolvimento de uma nova equipe com seus polichilenos e outras sandices.

Após novas eliminações e a completa desestruturação do time de profissionais responsável pelo centro de referência Reffis, mais um treinador foi demitido. O  clube que apostara em um técnico iniciante, um técnico da base, um técnico de experiência média, mas que vinha de dois fracassos, um técnico inconstante e um técnico ultrapassado - todos com filosofias de jogo distintas - decidiu  então jogar suas fichas em um suposto projeto de longo prazo com Ney Franco.

O objetivo era valorizar a base e ter, no futuro, oito jogadores vindos do CT de Cotia no time titular. Isso demanda tempo. Isso necessita de uma filosofia. Ela até parecia presente no título da Sul-Americana e quarto lugar do Brasileiro, quando o São Paulo teve quatro atletas da base entre os titulares, um estilo de jogo vertical e rápido e jovens promessas como Cortez, Tolói e Osvaldo no 11 inicial.

Porém, a nova ideia de futebol do clube mostrou ser bastante permeável. Ao contratar Paulo Henrique Ganso por valores absurdos, a diretoria do São Paulo voltou a bater no peito pra dizer que era capaz de fazer o que ninguém era. Prometeu que faria o jogador ser aquele de outros tempos, mesmo sem saber se haveria lugar para o atleta no time e se ele se adaptaria à filosofia de jogo que o treinador do São Paulo pensava adotar.  Não obstante, o clube fez mundos e fundos para trazer o zagueiro Lúcio, banco de reservas de uma Juventus que atuava com três zagueiros, e se esqueceu de contratar atletas para outras posições carentes. 

A filosofia de ter oito atletas da base entre os titulares aos poucos foi perdendo força , bem como as condições para um elenco harmonioso. Lúcio abandonou os companheiros. Luis Fabiano voltou a perder a cabeça. Rogério Ceni se eximiu de culpa. Fabrício reclamou por jogar pouco. O vice-presidente disse que o time o envergonhava. 

O processo se agravou ainda mais quando o clube que queria ser auto-suficiente na produção de atletas decidiu afastar publicamente sete jogadores, sendo dois da própria base! Depois a diretoria foi ao mercado trazer Silvinho, Roni e Caramelo, desprezando a suposta bonança vinda do CT de Cotia. Por fim, reintegrou o descompromissado e experiente Juan, enquanto contratou o lateral Reinaldo - reserva do Sport - e agora Clemente Rodriguez, tido como defensivo, quando na verdade sempre se destacou pelo apoio.

Não é preciso muito para concluir que a ideia de futebol inexiste. A chegada de Paulo Autuori comprova isso. Novamente o clube faz uma auto-reverência e tenta buscar no passado algo que não existe mais. Autuori é famoso por abandonar projetos pela metade e por não ser muito habilidoso na montagem de seus times. Ele chega para os últimos cinco meses do ano e esse é o máximo de ideia, conceito, filosofia e projeto que o São Paulo é capaz de pensar... 


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O arrumado e perigoso Libertad

O Palmeiras terá na noite de hoje o seu maior desafio na fase de grupos da Libertadores 2013. A partida em Asunción contra o Libertad será um grande teste. A equipe paraguaia é muito bem arrumada e treinada por Rubén Israel. O time constantamente chega às fases finais do maior torneio do continente e sabe muito bem como atuar no seu britânico 4-4-2.




 Exemplo das linhas de quatro que não são lá tão rígidas. Samúdio sobe quando vê que está bem coberto. Velázquez e Nuñez apertam a saída e Guiñazu e Aquino prontos para o bote alto.

Quando a bola passa da primeira linha de quatro, os integrantes da segunda estão atentos ao desarme. Moreira sai lá de trás para cobrir Mendieta na intermediária. 

Outro exemplo da marcação "adaptável" do Libertad. Samudio acompanha o meia ofensivo do Tigre e fica atrás de Mencia, que é o dono da lateral esquerda. 


No ataque

Com a bola o Libertad não é de esperar muito para definir a jogada. Depois de recuperá-la os meias centrais Aquino e Guiñazu procuram ou o passe longo para os atacantes ou a jogada aberta pelos lados do campo. Foi assim que saiu o primeiro gol contra o Tigre: Mendieta é lançado em velocidade nas costas da zaga....

... Na sequência ele joga com Velázquez aberto e entra na área para concluir. O lance termina com a cabeçada de Nuñez, a bola na mão do zagueiro e o gol de pênalti de Aquino. 


Para hoje


No jogo de hoje a compactação das duas linhas de quatro deve ser um desafio ao futebol da linha de três meias do Palmeiras; Souza, Wesley e Patrick Vieira. Os três terão que se desdobrar para fugir do combate de Aquino e Guiñazu e driblar a falta de espaço provocada pela aproximação entre Mendieta e Moreira e Samudio e Mencia.  

Uma saída poderia ser o avanço dos volantes, mas nem Márcio Araújo, nem Vilson são afeitos à tarefa. Desta forma, Vinícius é o único que pode dar um  escape ao Verdão. Isto é, desde que se movimente bastante e acerte o momento da troca de passes com os meias. 

Na defesa, por sua vez, Marcelo Oliveira e Weldinho terão que ficar bastante atentos para as bolas enfiadas na diagonal e para o avanço duplo, quando Nuñez cair por um dos dois lados. Maurício Ramos e Henrique devem marcar bem Velázquez. O grandalhão é artilheiro e costuma ser o alvo da bola área. 


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ganso atacante? Por que não?

O técnico Ney Franco anunciou: na quarta-feira, contra o São Caetano, o São Paulo será Paulo Henrique Ganso mais dez.

Apesar da empolgação generalizada com o gol da vitória contra o Ituano, Ganso ser titular é algo inesperado. Ou no mínimo incoerente. Na semana passada, após a derrota para o Atlético Mineiro, Ney disse na coletiva de imprensa que não mudaria o esquema tático e que Douglas era  titular e dono da posição de atacante aberto pela direita no 4-2-3-1 tricolor.

Sem poder contar com Paulo Miranda, Douglas jogou na lateral direita no sábado e Aloísio foi o dono do posto de atacante aberto por aquele lado. Ganso entrou no fim do jogo, mas não guardou posição, fazendo parte unicamente do abafa. Mesmo assim o técnico tentará uma vez mais encaixar o talentoso, mas lento e nada intenso, meia na equipe. Resta novamente a dúvida: onde ele jogará?

Há boatos de que Jadson será poupado. Não creio. Ney Franco destacou nos últimos dias a necessidade de usar o Paulista para montar o time para a Libertadores. Nesta linha de raciocínio, deslocar novamente o camisa 10 para a direita seria dar um passo pra trás em algo que vem funcionando muito bem. Da mesma forma, Osvaldo também já foi testado por ali e pouco rendeu, o que seria outro passo para trás. Resta a faixa direita do gramado para Ganso. Não tenho ideia do que se passa na cabeça do treinador, mas pode funcionar. Principalmente se Ganso jogar mais à frente.

Por incrível que pareça, os melhores momentos do camisa 8 do São Paulo foram jogando mais perto da área e longe da faixa de armação. Foi assim que ele marcou contra o Atlético Sorocaba, foi assim que ele rendeu contra o Guarani - quando o time tinha um a menos e ele foi uma espécie de pivô - e foi assim contra o Ituano, quando ele entrou na área para finalizar. Ganso atacante? Por que não? Com a mobilidade reduzida, esta pode ser a melhor faixa de jogo para o atleta: pouco campo pra correr e pouca necessidade de marcar. É claro que isso afetaria o sistema defensivo do time, razão pela qual algumas adaptações devem ser feitas.

Uma delas, neste devaneio de expectativas, análises e nenhuma ideia do que será feito, poderia ser a seguinte:

Com a bola 4-2-3-1 tendo Ganso mais por dentro. Sem ela, um 4-1-4-1, com Ganso ocupando a faixa do meio de campo, Jadson recuando para fazer a marcação no meio e Wellington correndo para ocupar o lado direito. (Douglas ocuparia a vaga de Paulo Miranda)

Mas, talvez Ney não tenha essa opinião. No programa Bem Amigos desta segunda-feira ele deu a entender que Jadson é o homem da chegada à frente e que Ganso se dá bem pegando a bola de trás. Se ele ainda pensar em Ganso mais recuado, pode colocar o camisa 8 como uma espécie de segundo volante. Evidentemente que isso acarretaria problemas defensivos, razão pela qual um esquema com três zagueiros poderia ser uma boa. Ney Franco montaria um misto de 4-2-3-1 com 3-5-2. 

4-2-3-1 para 3-5-2. Com a bola Tolói é lateral e Douglas é ponta direita, com Ganso pegando a bola próximo aos volantes e tendo Jadson ao lado para a troca de passes. Sem a bola, Tolói entra na área, Lúcio passa para a sobra e Rhodolfo pro lado esquerdo. 

São duas possibilidades sobre o que ninguém ainda descobriu: como Ganso pode ser útil, sem atrapalhar o time e usando toda a sua técnica e genialidade.