segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ganso atacante? Por que não?

O técnico Ney Franco anunciou: na quarta-feira, contra o São Caetano, o São Paulo será Paulo Henrique Ganso mais dez.

Apesar da empolgação generalizada com o gol da vitória contra o Ituano, Ganso ser titular é algo inesperado. Ou no mínimo incoerente. Na semana passada, após a derrota para o Atlético Mineiro, Ney disse na coletiva de imprensa que não mudaria o esquema tático e que Douglas era  titular e dono da posição de atacante aberto pela direita no 4-2-3-1 tricolor.

Sem poder contar com Paulo Miranda, Douglas jogou na lateral direita no sábado e Aloísio foi o dono do posto de atacante aberto por aquele lado. Ganso entrou no fim do jogo, mas não guardou posição, fazendo parte unicamente do abafa. Mesmo assim o técnico tentará uma vez mais encaixar o talentoso, mas lento e nada intenso, meia na equipe. Resta novamente a dúvida: onde ele jogará?

Há boatos de que Jadson será poupado. Não creio. Ney Franco destacou nos últimos dias a necessidade de usar o Paulista para montar o time para a Libertadores. Nesta linha de raciocínio, deslocar novamente o camisa 10 para a direita seria dar um passo pra trás em algo que vem funcionando muito bem. Da mesma forma, Osvaldo também já foi testado por ali e pouco rendeu, o que seria outro passo para trás. Resta a faixa direita do gramado para Ganso. Não tenho ideia do que se passa na cabeça do treinador, mas pode funcionar. Principalmente se Ganso jogar mais à frente.

Por incrível que pareça, os melhores momentos do camisa 8 do São Paulo foram jogando mais perto da área e longe da faixa de armação. Foi assim que ele marcou contra o Atlético Sorocaba, foi assim que ele rendeu contra o Guarani - quando o time tinha um a menos e ele foi uma espécie de pivô - e foi assim contra o Ituano, quando ele entrou na área para finalizar. Ganso atacante? Por que não? Com a mobilidade reduzida, esta pode ser a melhor faixa de jogo para o atleta: pouco campo pra correr e pouca necessidade de marcar. É claro que isso afetaria o sistema defensivo do time, razão pela qual algumas adaptações devem ser feitas.

Uma delas, neste devaneio de expectativas, análises e nenhuma ideia do que será feito, poderia ser a seguinte:

Com a bola 4-2-3-1 tendo Ganso mais por dentro. Sem ela, um 4-1-4-1, com Ganso ocupando a faixa do meio de campo, Jadson recuando para fazer a marcação no meio e Wellington correndo para ocupar o lado direito. (Douglas ocuparia a vaga de Paulo Miranda)

Mas, talvez Ney não tenha essa opinião. No programa Bem Amigos desta segunda-feira ele deu a entender que Jadson é o homem da chegada à frente e que Ganso se dá bem pegando a bola de trás. Se ele ainda pensar em Ganso mais recuado, pode colocar o camisa 8 como uma espécie de segundo volante. Evidentemente que isso acarretaria problemas defensivos, razão pela qual um esquema com três zagueiros poderia ser uma boa. Ney Franco montaria um misto de 4-2-3-1 com 3-5-2. 

4-2-3-1 para 3-5-2. Com a bola Tolói é lateral e Douglas é ponta direita, com Ganso pegando a bola próximo aos volantes e tendo Jadson ao lado para a troca de passes. Sem a bola, Tolói entra na área, Lúcio passa para a sobra e Rhodolfo pro lado esquerdo. 

São duas possibilidades sobre o que ninguém ainda descobriu: como Ganso pode ser útil, sem atrapalhar o time e usando toda a sua técnica e genialidade. 










terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Apostas de um lado e de outro para ficar na Libertadores


São Paulo e Bolívar se enfrentam desejando que o confronto desta quarta-feira pudesse ocorrer mais à frente. Nenhuma das duas equipes está pronta. Nenhum dos dois elencos teve tempo suficiente de descanso e treino. Enquanto o São Paulo teve um espaço de um mês e sete dias entre a final da Copa Sul-Americana e a estreia no Paulistão, o Bolívar desfrutou de um recesso de apenas 27 dias. A última partida de La Academia em 2012 foi no dia 16 de dezembro. A primeira em 13 de janeiro... Por outro lado, se o São Paulo fez apenas um jogo oficial em 2013, o Bolívar fez dois, o que permitiu que o técnico Miguel Angel Portugal fizesse ao menos alguns testes. 


De qualquer maneira não há mais choro, nem vela, de forma que o duelo "dos incompletos" ocorre com favoritismo todo do São Paulo. Não à toa. O clube brasileiro tem melhores jogadores, estrutura, tática e tudo o mais. O que equilibra o confronto de alguma forma é o fato de o Bolívar jogar a segunda partida em casa, ou seja, na altitude de La Paz. 

Desta forma o primeiro jogo entre os dois times ganhou importância. A avaliação quase unânime é de que o São Paulo precisa vencer bem no Morumbi para não ter problemas na Bolívia. Até por isso Ney Franco decidiu mudar uma peça do time que bateu o Mirassol por 2 a 0 e optou por Aloísio na vaga de Paulo Henrique Ganso. 

À primeira vista a alteração parece bastante questionável, uma vez que o camisa 19 são-paulino acabou de chegar e não tem a velocidade e arranque ideais para atuar pelo lado direito do 4-2-3-1 tricolor. No entanto, é possível compreender o objetivo de Ney Franco a partir da seguinte premissa: o Bolívar entrará no Morumbi primeiramente para se defender. Assim, o São Paulo precisa de mais gente rondando a área adversária e apertando a saída de bola dos bolivianos. Aloísio até vai ocupar a faixa direita, mas seu papel será muito mais de entrar na área para auxiliar Luís Fabiano e servir de opção para os passes de Jádson do que correr pelo flanco e abrir a defesa adversária. 

O esquema pode ainda ter um segundo efeito, como mostra a figura abaixo: 

O 4-2-3-1 torto são-paulino deverá ter Aloísio quase dentro da área, abrindo o corredor para Douglas chegar ao fundo. Já o Bolívar apostará no 4-3-3, com Lizio e Arce sendo os carregadores de bola para o centroavante William Ferreira. 

Com Aloísio naturalmente centralizando mais as jogadas, Douglas pode ter espaço para avançar, em tese, sem sobrecarregar Wellington e Denílson, que provavelmente não terão muito serviço. 

A questão é o espaço para o contragolpe. Se por um lado é bastante factível crer que o Bolívar tentará evitar que o São Paulo jogue, por outro é necessário atentar que o 4-3-3 de La Academia é feito para o contra-ataque. Juan Carlos Arce e Damián Lizio são jogadores muito rápidos e com alguma habilidade e devem dar trabalho pelos lados do campo. Enquanto isso, o uruguaio William Ferreira é um centroavante perigoso e goleador. Se não houver um esquema de cobertura eficaz, o tiro são-paulino pode sair pela culatra.

Há ainda a possibilidade de o Bolívar entrar com Rudy Cardozo no meio de campo. É um jogador de menos velocidade, mas de mais criatividade e chute perigoso. Com essa alternativa o Bolívar passaria a um 4-3-1-2 e teria um meio mais povoado, o que pode resultar em mais trabalho para os volantes tricolores, mas mais espaço para o avanço dos laterais. 

De toda a maneira os brasileiros precisam da vitória em seus domínios e o risco que Ney Franco corre parece condizente com a ambição do clube. 

Ao Bolívar resta a aposta no poder de marcação de Walter Flores, Miranda e Gomez e no bom posicionamento do quarteto defensivo. Se isso funcionar, Arce, Lizio ou Cardoso e Ferreira podem causar o pandêmonio na defesa dos paulistas e, quem sabe, concretizar o milagre boliviano. 

Apostas de um lado e de outro. Vale muito. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os mistérios da "Pré-Libertadores"

Trinta e sete dos 38 times da Copa Libertadores 2013 já estão definidos. Momento de os principais clubes do continente pensarem na disputa do ano que vem, principalmente os que começam o ano "antes", ou seja, os que vão jogar a primeira fase da Libertadores, mais conhecida como Pré-Libertadores. 

São eles: Tigre, Grêmio, Tolima, León-MEX, São Paulo, Deportes Iquique, Universidad César Vallejo, LDU Quito, Defensor Sporting, Olimpia, Deportivo Anzoátegui e o vencedor do jogo entre Bolívar x Oriente Petrolero, que ocorre na próxima quarta-feira. 

Os confrontos ainda não estão definidos, mas já é possível ter uma ideia das possibilidades. Pelos critérios da Conmebol as seis associações - cinco no caso de o Brasil ter ficado entre elas, já que tem dois times - que tiveram melhor desempenho na última Libertadores ficam de um lado da chave, enquanto as piores do outro. Em 2012 os melhores foram: Brasil (campeão), Argentina (vice), Chile (semifinalista), Paraguai (quadrifinalista) e Equador (ficou nas oitavas, mas teve um time com mais pontos que os demais). Os representantes de 2013 destes países ficam dum lado da chave, enquanto os de Venezuela, México, Colômbia, Peru, Uruguai e Bolívia ficam do outro. 

Desta forma temos a seguinte configuração:


Lado 1 da "Pré-Libertadores": Grêmio, São Paulo, Tigre-ARG, Deportes Iquique-CHI, LDU Quito-EQU e Olimpia-PAR 


Lado 2 da "Pré-Libertadores": Tolima-COL, León-MEX, U.César Vallejo-PER, Defensor Sporting-URU, Dep. Anzoátegui-VEN e Vencedor de Bolívar x Oriente Petrolero

Ou seja, times do Lado 1 jogam contra times do Lado 2 mediante sorteio de confrontos e mandos. Em outras palavras, no dia 21 deste mês saberemos exatamente quem enfrenta quem e quem manda o segundo jogo em casa. No momento o que de fato dá para saber é: 

1- Grêmio e São Paulo escaparam das pedreiras Tigre, LDU e Olimpia 

2- Os dois, no entanto, podem pegar o Tolima, algoz corintiano na Pré-Libertadores de 2011.

3- Os brasileiros também podem subir a serra para jogar contra o Bolívar ou viajar quilômetros para enfrentar o León do México.

4- Se Grêmio e São Paulo avançarem podem entrar nos grupos dos brasileiros, independentemente deles serem cabeças de chave. Ou seja, é possível Palmeiras e São Paulo e Corinthians e Grêmio se enfrentarem nos grupos, por exemplo. A única coisa que não ocorrerá é três brasileiros no mesmo grupo. 

Passada a Pré-Libertadores a Libertadores terá todos os seus grupos definidos. Sobre isso linko aqui o post do colega Mário Marra com os possíveis chaveamentos. Pode acontecer um Vélez, U.de Chile, Atlético-MG e São Paulo, por exemplo... :

Chaveamento Libertadores 2013 

PS: Agradecimento especial ao jornalista Paco Fernández, que esclareceu muitas dúvidas sobre o tema. Vale segui-lo @PacoFernndez1



domingo, 16 de dezembro de 2012

Uma vitória para o futebol brasileiro

As convenções estão aí. As frases feitas nos perseguem dia a dia. Não poderia ser diferente no futebol. O clichê nos engole e nós nem percebemos.

O Corinthians acaba de ser campeão mundial após grande atuação contra um gigante europeu. Foi melhor. Foi superior. Fez algo que ninguém fez desde, talvez, 1993, quando o São Paulo jogou de igual para igual com o Milan e venceu. E mesmo assim nós somos engolidos pela papagaiada, pela besteirada, pelo clichê de que o Corinthians venceu pelo "coração", pela "torcida", pela "paixão", pela "vontade de calar os críticos". Não. Não foi por isso. Torcida entra em campo sim. Paixão conta. Entrega conta demais, demais! Mas não foi isso que o Corinthians fez.

O Corinthians ganhou na bola. Ganhou na tática. Na aplicação e habilidade de seus jogadores. A composição com e sem a bola. Os movimentos de transição, a chegada à frente com velocidade, a estratégia de ter um pivô na frente, o elemento surpresa Paulinho, que parece" imarcável"... Ganhou por causa disso. Porque Tite foi gênio na aplicação de seus conceitos e seus jogadores foram humildes o suficiente para entender que essa maneira "europeizada", com ênfase em tática e posições em detrimento da liberdade e da técnica, era a ideal.

Não corintiano, não torcedor rival: não foi sofrido. Não corintiano, não torcedor rival: o Corinthians não é mais ou menos odiado do que os demais. Não corintiano, não torcedor rival: sua paixão não é diferente da dele. Não foi sorte e não foi coração. O Corinthians jogou um futebol de primeiríssimo nível, de equipe que disputaria uma Champions League sem problema. O Corinthians jogou futebol de verdade, além dos clichês da entrega, da malemolência, da malandragi brasileira.

É uma vitória histórica. Não pela "favela", pelos "humildes", pelos "antis" e toda essa besteirada. Histórica por causa do futebol.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O motivador Lasarte e o sonho da Católica

A Universidad Católica recebe o São Paulo nesta quinta-feira com apenas um pensamento em mente: "si, se puede". O já tradicional cântico das torcidas sul-americanas é o alento a um time que se reconhece como inferior ao adversário brasileiro e que vive um momento de desconfiança. Afinal de contas, a equipe encerrou o Clausura chileno na décima posição - ficando fora dos playoffs - e apresentou um desempenho inconstante na Copa Sul-Americana. O torneio continental é a última esperança dos Cruzados encerrarem o ano de forma positiva. Por isso não é permitido errar, mas é necessário sonhar. É mais ou menos essa a retórica do treinador da Católica, Martín Lasarte.

O uruguaio de 51 anos é um motivador por natureza. Depois de se "especializar" em trabalhos na segunda divisão uruguaia, o técnico conseguiu dois títulos da primeira divisão com o Nacional e alçou seu mais arriscado e bem sucedido voo em território europeu. Em junho de 2009 Lasarte desembarcou na Espanha com a missão de colocar a Real Sociedad de volta na elite do país. A contratação foi definida como estranha e ousada demais pela maioria da imprensa. Pudera... O clube espanhol, envolto em dívidas e em uma espiral descendente de desempenhos, apostara em um treinador iniciante vindo da América do Sul para tentar dar a volta por cima.

Falavam em desconhecimento das condições do futebol europeu e de falta de experiência. A análise era uma meia verdade. Apesar de só ter sido técnico em território sul-americano e nos Emirados Árabes Unidos, Lasarte foi jogador e capitão do La Coruña, tendo algum conhecimento sim de como as coisas funcionavam em terras espanholas. Mais que isso, o uruguaio é filho de dois espanhóis de ascendência basca, o que tornava um sucesso com a Real Sociedad uma questão mais que profissional.

Após um começo titubeante, Lasarte achou o time com figuras vindas das canteras e contratações pontuais de atletas mais experientes. Além das quatro linhas, o uruguaio investiu na motivação daqueles jogadores, que se viam desacreditados e sem condições de devolver um clube daquela estatura ao seu lugar de direito. Em entrevista ao portal da Liga Espanhola, Lasarte fala que é essencial ter formas e formas de estimular os jogadores e diz que já usou vídeos, músicas e fotos de familiares dos atletas para mantê-los motivados. Dessa maneira a Real Sociedad não apenas subiu, como foi campeã da Segundona.

No ano seguinte Lasarte enfrentou as angústias da elite espanhola, mas resistiu e deixou o time na 15ª posição. O trabalho, no entanto, ficou aquém do que a diretoria esperava e o uruguaio deixou o clube na metade do ano passado. Um ano depois, de volta à América do Sul, o treinador assumiu a Católica.
 
Contra o São Paulo os Cruzados devem vir com duas linhas de quatro apostando na compactação para parar Lucas e Osvaldo e em inversões rápidas de jogo para suplantar a marcação de Cortez e Paulo Miranda.
 
As duas linhas de quatro da Católica contra o Independiente. Deu certo: 2 a 2 no primeiro jogo e vitória por 2 a 1 no segundo.
 
Ciente dos pontos fortes e fracos do adversário brasileiro, Lasarte já deu uma ideia de qual será o plano de jogo para quinta-feira: "Não precisamos decidir o confronto no primeiro jogo". Ciente do que precisa ser feito para manter seus jogadores imersos e otimistas com o confronto, o motivador já vaticinou: "Não importa se eles tem Luis Fabiano. Não importa se eles tem carros esportivos e vocês não! Se vencermos poderemos sonhar com o título". 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Colômbia de José Pékerman

O Brasil enfrenta nesta quarta-feira a seleção da Colômbia em amistoso de preparação para ambos os times. É a chance de a Seleção ver até que ponto o trabalho de Mano Menezes evoluiu e é a oportunidade perfeita para os colombianos se encherem ainda mais de confiança após ótimos resultados em 2012. 

Se o técnico brasileiro ainda enfrenta alguma resistência pelos avanços - que só começaram a aparecer agora, quase 2 anos e meio depois de assumir o cargo - o desempenho de José Néstor Pékerman já está pra lá de afirmado. Até o momento foram sete jogos e seis vitórias. O único tropeço foi contra o Equador, em Quito. A façanha é ainda mais digna de nota quando observamos que, com os mesmos jogadores, os técnicos Hernán Bolillo Gómez e Leonel Álvarez pouco avançaram. Pékerman chegou com o trabalho feito com a seleção argentina como seu maior trunfo. (Para saber mais sobre o treinador recomendo a leitura do perfil feito pelo colega Mário Marra).

Tal qual se esperava, o técnico argentino estreou apostando nos três zagueiros em sua primeira partida oficial, contra o Peru, pelas Eliminatórias. 

Contra os peruanos, Pékerman montou um 3-5-2 que muitas vezes virava 5-3-2. Os colombianos venceram por 1 a 0, mas não atuaram bem. 


Ao armar o time com Perea, Mosquera e Yepes, Pékerman procurou aproveitar o bom apoio de Armero e Cuadrado e também deixar James Rodríguez e Guarín livres para criar jogadas para os dois atacantes. O resultado veio, mas a duras penas, já que a atuação não foi das melhores. 

Três dias depois, contra o Equador, o técnico argentino decidiu apostar em um 4-1-4-1, com Sánchez na frente da zaga, Soto no auxílio e Guarín, James Rodríguez e Pabón livres para chegar junto a Falcao Garcia e atacar. Não deu certo e os equatorianos venceram, apesar de a seleção cafetera ter apresentado um futebol melhor. 

Após o tropeço, no entanto, veio a melhor atuação colombiana. Contra o Uruguai na quente Barranquilla, os comandados de Pékerman deram um banho coletivo e individual sobre a Celeste, que nem viu a cor da bola. A solução foi justamente um meio termo entre os dois esquemas táticos. 

Armada em um 4-3-1-2, mas com variação para 3-5-2 com os avanços dos laterais e o recuo do volante Aguilar, a Colômbia foi constante no ataque e rápida na recomposição. O resultado? 4 a 0 nos atuais campeões da Copa América

O misto entre 4-3-1-2 e 3-5-2 deu muito certo principalmente pela aptidão dos jogadores de ataque ao trabalho defensivo e à habilidade ofensiva dos alas Zuñiga e Armero. James Rodríguez cumpriu com louvor a missão de compor o meio de campo, mesmo sendo quase um atacante. Já Teófilo Gutiérrez entrou focado na seleção e deu muito trabalho apertando a saída de bola e auxiliando na defesa. O grande diferencial técnico, porém, foi Macnelly Torres, que não marca, não se mexe muito, mas é um atleta cerebral e inteligentíssimo. 

O sistema foi mantido nos jogos seguintes e, com maior entrosamento, Pékerman também passou a adicionar variantes ao esquema. Cuadrado, por exemplo - lateral de origem - virou terceiro atacante contra o Chile e mudou a partida. Macnelly Torres e James passaram a trocar de posição cada vez mais, alterando o estilo da chegada da bola ao ataque e confundindo a marcação, enquanto Valencia também começou a desempenhar a função de primeiro volante, permitindo a entrada de Aldo Ramírez no time. Vale também destacar a recomposição de Zuñiga como zagueiro nos momentos de necessidade como mostra o frame tático abaixo: 


Nesta quarta-feira Pékerman deverá manter o mesmo estilo e sistema tático. Apesar de o desafio ser enorme contra o Brasil, os colombianos devem continuar tocando bola e variando o jogo. Com Macnelly Torres e os volantes o jogo fica mais cadenciado. Com Armero e James Rodríguez a coisa é vertical. Com Falcao lá na frente é bola aérea e estilo pivô. As alternativas são muitas. O Brasil não tem tantas, mas tem mais qualidade em todos os setores do campo. Será um bom jogo.